A voz feminina tem ecoado forte, longe e gerado transformações estruturais em toda a sociedade. De formas diretas e indiretas, a ousadia e o pioneirismo em diversas frentes repercutem a experiência, a força e a criatividade de mulheres que, dentro e à frente do seu tempo, percorrem os dias transformando o mundo, do despertar do dia até a hora de dormir.

A busca por representatividade e ocupação de espaços ainda convive com várias barreiras a serem eliminadas. Por outro lado, o esforço conjunto de diversas trajetórias individuais tem colaborado para fazer avançar direitos e debates de interesse comum a todas as mulheres, independentemente de classe social, escolaridade, gênero ou orientação sexual.

Nesse sentido, uma das principais conquistas femininas no último século foi o acesso das mulheres ao Ensino Superior. No Censo da Educação Superior de 2017, 57% das matrículas em cursos de graduação foram feitas por mulheres, que correspondiam também a 61,1% dos concluintes. Por outro lado, no contexto do mercado de trabalho e empreendedorismo, o potencial de ganhos coletivos com a redução da desigualdade de gênero é alto: segundo o estudo Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências para Mulheres 2017, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), isso acarretaria um aumento do PIB brasileiro em 3,3%, ou 382 bilhões de reais, e o acréscimo de 131 bilhões de reais às receitas tributárias.

Embora ainda sejam exceção, mulheres trans, além de enfrentarem a luta pela própria sobrevivência, começam a ocupar postos de trabalho antes fechados ou negados: cargos na esfera política, professoras, pesquisadoras e até mesmo comissárias de bordo. Nas últimas eleições, por exemplo, a candidata Erica Malunguinho da Silva, do PSOL, se tornou a primeira pessoa trans eleita ao cargo de deputada estadual por São Paulo.

Para homenagear e relembrar algumas das mais diversas personagens que marcaram a história e os avanços das mulheres no Brasil, escolhemos alguns nomes que representam a energia gerada pela força feminina.

1. RUDDY PINHO

Ruddy virou uma personagem conhecida da noite carioca, na década de 1980, por ser cabeleireira das estrelas. A mineira de Sabinópolis embelezou diversas artistas como Susana Vieira, Vera Fischer e Yoná Magalhães. Ruddy foi a primeira mulher transexual a lançar um livro no Brasil.

2. CLAUDIA CELESTE

Primeira travesti a atuar em uma telenovela brasileira, Claudia começou sua carreira como cabeleireira, na década de 1970. Em 77, a atriz estreou no folhetim “Espelho Mágico”, da Rede Globo, mas precisou se afastar por conta de proibições feitas pela ditadura militar, segundo as quais travestis e transexuais não poderiam aparecer na televisão.

3. CAROLINA MARIA DE JESUS

Catadora de papéis na favela do Canindé, Zona Norte de São Paulo, Carolina de Jesus se tornou uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil ao lançar, em 1960, o livro “Quarto de Despejo – Diário de Uma Favelada”, no qual retratava a dura realidade dos moradores de favela com base em relatos de seu próprio diário.

4. ADÉLIA SAMPAIO

De família simples, Adélia passou por quase todas as funções dentro do universo do cinema, até se tornar a primeira cineasta negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, quando lançou “Amor Maldito”, em 1984.

5. GIOCONDA RIZZO

Reconhecida como fotógrafa vanguardista, a partir de um olhar peculiar, Gioconda começou a fotografar aos 14 anos e foi a primeira mulher a abrir um estúdio de fotografia no Brasil.

6. LÉA CAMPOS

Mineira de Abaeté, Léa Campos contrariou o decreto-lei 3.199 que proibia mulheres de jogar futebol e se tornou a primeira árbitra do mundo na década de 1970.

7. LEOLINDA DALTRO

Umas das fundadoras do Partido Republicano Feminino e ativista dos direitos das mulheres, Leolinda liderou uma passeata que reivindicou o direito ao voto às mulheres.

8. MARIA QUITÉRIA

Baiana, Maria Quitéria se vestiu de homem para participar da luta pela independência do Brasil sob o nome de “Soldado Medeiros”. Foi reconhecida como uma heroína da Guerra da Independência e assumiu o posto de primeira mulher a combater pelo Brasil em 1823.

9. RUTH DE SOUZA

Atriz e reconhecida como a primeira dama negra do teatro brasileiro, Ruth ingressou, em 1945, no Teatro Experimental do Negro e foi a primeira mulher negra a protagonizar uma novela brasileira: “A Cabana do Pai Tomás”, em 1969.

10. JOAQUINA LAPINHA

Primeira cantora lírica com destaque internacional, Joaquina atravessou o racismo estrutural, e em algumas ocasiões precisou pintar a pele negra com tinta branca para acessar determinados espaços.

11. MERCEDES BAPTISTA

De origem simples, Mercedes foi a primeira bailarina negra a integrar o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1948. A bailarina também foi responsável pela criação do balé afro-brasileiro e pela consolidação da dança moderna brasileira.

12. ESCRAVA ANASTÁCIA

Mineira, resistiu, em um sistema escravocrata, a diversos assédios de seus “donos” e por conta disso, resolveram lhe castigar com uma máscara de ferro, a qual escondia sua boca. Anastácia ajudava os doentes e passou a ser considerada como milagreira quando sua história foi recuperada na Igreja do Rosário, no Rio de Janeiro, em 1960.

13. MARIA FELIPA

Negra, nascida em Itaparica, Maria Felipa participou ativamente da luta pela independência da Bahia como enfermeira e informante, além de liderar um grupo de 40 mulheres que lutaram contra soldados portugueses.

14. BÁRBARA PEREIRA DE ALENCAR

Bárbara defendeu os ideais republicanos, em Pernambuco, no século XIX, e participou ativamente da Revolução Pernambucana, em 1817, onde foi presa. A avó de José de Alencar é considerada a primeira presa política do Brasil.

15. ZUZU ANGEL

A estilista mineira, que foi um dos grandes nomes da moda brasileira, apontou os excessos do regime militar, na imprensa nacional e internacional, após seu filho, Stuart Angel, ser sequestrado e morto em 1971. Zuzu morreu em um acidente de carro, em 1976, e é considerada uma das grandes opositoras do regime vigente.

16. NISE DA SILVEIRA

Formada em Medicina aos 26 anos, na Bahia, em uma turma de 157 homens, Nise revolucionou o tratamento de doenças psiquiátricas. A psiquiatra alagoana se opôs às técnicas vigentes na época e introduziu a pintura para a reabilitação de seus pacientes.

17. LOTTA DE MACEDO

Carioca de coração, mas francesa de nascimento, Lotta foi uma das mais importantes arquitetas e urbanistas do Brasil, na década de 1960, sem ter qualquer tipo de educação formal. A arquiteta foi responsável pela criação e execução do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, projeto que trabalhou ao lado do paisagista Roberto Burle Marx e do arquiteto Affonso Reidy.

18. NATÁLIA PEREIRA

Aos nove anos, a catarinense foi contratada pelo time Avaí para fazer parte do time sub-10 masculino, após ser artilheira da Liga de Futsal da Grande Florianópolis, evento que reuniu cerca de 900 meninos.

19. NARCISA AMÁLIA DE CAMPOS

É considerada a primeira jornalista profissional do Brasil e tinha como pauta assuntos voltados para o público feminino, abolição da escravidão e o nacionalismo.

20. ENEDINA ALVES MARQUES

Curitibana e professora de matemática, Enedina foi a primeira mulher negra a se formar em engenharia no Brasil, na década de 1940, e integrou a equipe de engenheiros responsáveis pela construção da usina hidrelétrica Capivari-Cachoeira (PR).

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