Nada de computador, tablet nem videogame. A Geração Alpha, aqueles nascidos a partir de 2010, está de olho mesmo é no smartphone.

Ainda que a TV continue sendo a principal tela das crianças, seu uso diminuiu nos últimos cinco anos enquanto o dos telefones cresceu. O dado faz parte de uma pesquisa realizada em junho pela CRESCER (marca da Editora Globo voltada para grávidas, pais e mães de crianças até 8 anos) com 2.044 famílias. Em 2013, a mesma enquete havia sido aplicada a 1.045 pais e mães e mostrava que 49% das crianças usavam smartphones e 98%, TV. Nos resultados atuais, 60% utilizam o telefone e 75% veem televisão.

O curioso é que por mais que o smartphone seja cheio de atrativos, como aplicativos e jogos, 98% das crianças ligam o aparelho para assistir a vídeos – filmes, desenhos ou canais de plataformas como o YouTube (os vídeos, aliás, são a atividade preferida para as crianças não apenas nos smartphones, mas também no tablet e computador). Ou seja, o conteúdo audiovisual segue a ser consumido, mas agora em uma tela bem menor. Além de buscarem seus programas preferidos da TV, eles estão de olho também nos youtubers. Outro dado da pesquisa mostra que quase metade - 47% - dos pequenos já tem um influenciador digital ou canal que acompanha com frequência.

O USO DA TV PELAS CRIANÇAS DIMINUI, MAS O DO SMARTPHONE AUMENTA

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  • 98% dos meninos e meninas utilizam os gadgets para assistir a vídeos
  • 47% das crianças têm um influenciador digital ou canal que acompanha com frequência
  • 51% dos pais ficam preocupados com o fato de o filho deixar de brincar para usar os gadgets
  • Nos últimos cinco anos, aumentou de 1% para 5% a quantidade de crianças com menos de 2 anos que têm perfis em redes sociais

Controlar o conteúdo nas telinhas móveis é a grande preocupação dos pais hoje. Se monitorar o que passa na TV instalada na sala é relativamente fácil, afinal basta dar uma espichada nos olhos ou prestar atenção no que está sendo dito, com os smartphones a tarefa é mais árdua. O som, geralmente, sai direto pelos fones de ouvido e a espichada do olhar requer mais empenho. Para completar, a possibilidade de conteúdo é tão mais ampla – e o acesso a ela tão mais fácil – que só os filtros de segurança não bastam. Precisa mesmo estar junto. Consumir junto. Assistir junto.

E, claro, é necessário monitorar o tempo. Hoje, 47% dos meninos e meninas gastam mais de três horas em frente a telas. Há cinco anos, o volume era de 35%. Outro ponto que chama atenção é o grande número de crianças que, com menos de 2 anos, já possuem algum dispositivo digital próprio. Segundo a pesquisa, 38% delas já têm um celular, tablet, computador, videogame ou TV – em 2013, só 6% eram donas de um aparelho.

Vale lembrar que a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças até 2 anos não sejam expostas aos aparelhos digitais. A partir dessa idade até os 5 anos, o limite é de uma hora por dia. As regras da Academia Americana de Pediatria são parecidas: no máximo uma hora de tela dos 2 aos 5 anos. Depois dessa idade, cada família deve avaliar o uso que se faz das telas e estipular seus limites. E, ainda segundo as recomendações, até os 10 anos, a garotada não deve usar os dispositivos em seu próprio quarto, longe dos pais.

Dá trabalho, mas estipular as regras e acompanhar o que se assiste, se joga ou se posta é necessário. Tão necessário quanto foi o movimento de autoconscientização realizado pelas famílias nos últimos cinco anos no que diz respeito ao uso de telas na hora das refeições e antes de dormir. Se em 2013, 84% dos pais permitiam que seus filhos usassem algum dispositivo na hora de dormir ou comer, agora apenas 37% das famílias recorrem ao recurso na mesa e 23% na hora de dormir – um dado a se comemorar!

Essa queda é um sinal de que a preocupação com os alertas dos especialistas faz pais e mãe mudarem hábitos. E, nesse momento, médicos e educadores apontam para o tempo “roubado” pelas telas. Mais grudadas nos smartphones, as crianças deixam de lado a atividade mais importante da infância: o brincar. Essa preocupação já afeta 51% dos pais ouvidos na pesquisa, mas é fundamental que o tempo livre para brincadeiras seja garantido exatamente pelas famílias.

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Brincar pouco leva a consequências que vão desde o aumento da obesidade até o surgimento da miopia (crianças que ficam muito tempo de frente a telas não desenvolvem o problema por conta da luminosidade, mas porque não estimulam a visão de longo alcance. Sem ir ao parquinho, à praça, à praia, ao clube, não se avista o horizonte e, assim, a chance de se desenvolver a miopia é maior), passando pela dificuldade de amadurecimento social e emocional. Criança precisa interagir com o outro, ter contato com a natureza, explorar diferentes texturas, lidar com vários materiais. As telas não são inimigas - muito pelo contrário, por meio delas é possível descobrir um incrível mundo além da vizinhança, mas precisam ser usadas com bom-senso. Como tudo na vida!

Daniela Tófoli é diretora de grupo da Editora Globo, responsável por Crescer, TechTudo, Galileu, Monet e Casa e Jardim, colunista semanal da rádio CBN, autora do Mãe de Tween no site do jornal O Globo, autora de “Pré-Adolescente: um guia para entender seu filho”, pela Globo Livros, e mãe da Helena, de 9 anos.

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