7 de abril celebra-se o Dia do Jornalismo. E neste mês comemorativo, Gente convida cinco jornalistas para entrevistas especiais, apresentando insights e lições que o jornalismo proporcionou ao longo da sua vida profissional. 

Quem é mais conectado em temas como inovação e criatividade, consegue ter um olhar mais apurado sobre os caminhos que a tecnologia está nos levando. Rafael Nardini acumula 12 anos como jornalista e atualmente diretor de conteúdo do Hypeness, portal que cobre inovação e que traz o DNA digital. Ao longo de sua carreira, Rafael cobriu de economia a esportes em veículos como Huffpost, PapodeHomem, Revista ALFA e Terra. Toda essa bagagem traz um olhar sobre as transformações as quais a profissão está passando.

 

"A revolução tecnológica é irreversível e o jornalismo é mais necessário do que nunca, ainda que não seja exatamente o melhor momento para o mercado ou mesmo para os profissionais."

 

Nos EUA, já se consome mais notícias em vídeo do que em texto. Mas isso não é algo necessariamente ruim. Para ele, o jornalismo é mais necessário do que nunca. É fundamental para a manutenção da democracia e para o acesso à informação.

Nesta entrevista, Nardini aponta que a revolução tecnológica é irreversível e que isso não representa necessariamente um perigo para o jornalismo. Confira o bate papo na íntegra:

Entrevista com Rafael Nardini, diretor de conteúdo do Hypeness.

GENTE: Qual é o maior aprendizado que o jornalismo te trouxe nesses anos?

Rafael Nardini: Após 12 anos, o jornalismo trouxe a possibilidade de visitar outros países, outras cidades, conhecer, entrevistar e dividir momentos com as pessoas mais diversas e interessantes que o mundo pode nos reservar. Não há aprendizado mais profundo do que ouvir e tentar se inserir no contexto da fala de quem está com você, de quem está doando seu tempo para uma entrevista. Por demandas das empresas em que trabalhei ou por vontade própria, acabei passando por diversas editorias nesse tempo: de economia até esportes, passando por política. Aí está mais um aprendizado valioso do jornalismo: esteja sempre pronto para recomeçar. Basta que alguém enxergue em você uma qualidade que você não identificou e lá vai sua carreira fazer mais uma curva, lá vem mais mudança de rumo.

O Brasil traz bons exemplos de criatividade, inovação e inspiração?

É chover no molhado, é falar obviedade, mas o profissional brasileiro é, sim, muito inventivo. São as circunstâncias, são muitas vezes a precariedade, mas também uma veia própria, um drible que a vida nos ensinou a dar nas dificuldades. Conheço um sem fim de gente que mudou de área, que saiu de trás da mesa para enfrentar as câmeras. Que se reinventa, que inova, que tenta, que acerta e erra. Particularmente, tenho gostado cada vez mais da ideia de dar base jornalística ao humor. Sei que alguns mais catedráticos vão sentir a espinha gelar, mas o que de mais importante tem surgido no jornalismo são programas que informam e fazem rir. "Patriot Act", da Netflix, "Daily Show with Trevor Noah", "Last Week Tonight with John Oliver" e também o "Greg News" são bons exemplos do que estou tentando dizer.

O que espera para o futuro do jornalismo?

A revolução tecnológica é irreversível e o jornalismo é mais necessário do que nunca, ainda que não seja exatamente o melhor momento para o mercado ou mesmo para os profissionais, ao menos quando falamos no Brasil. Mas em um mundo onde a democracia passa por desafios bastante diferentes dos costumeiros - incluindo a tentativa de deformar o debate público com as fake news -, o acesso à informação de qualidade deveria ser bandeira importante para todos nós. Se há a tentativa de desinformar a população, por outro lado, outros milhões conseguem observar o que se passa aqui com mais exatidão, o que não foi possível em momentos também muito obscuros da nossa história.

Em alguns países - como nos EUA -, a ascensão de políticos com demandas e discursos agressivos trouxe junto o consumo de jornalismo para padrões ainda maiores. A mídia voltou a ter um papel central, houveram doações às universidades para pesquisas em comunicação e formação de novos profissionais, os veículos tornaram-se ainda mais parrudos com o investimento publicitário e do público. O New York Times nunca teve tantos assinantes, não via seu número de receitas crescer tanto em muitos anos. Acima de tudo, se estamos vivendo - e assim será daqui em diante - a era da informação, o jornalismo tem seu futuro garantido.

Qual conselho você daria para a Rafael no começo da carreira?

Diria para o Rafael aguentar o tranco dos plantões, para ficar atento ao que dizem os editores, os repórteres, os redatores e os demais estagiários. Sobretudo, para ouvir o que dizem os taxistas, os motoristas de ônibus, a copeira, a recepcionista e dar a eles a mesma atenção que daria para uma coletiva de um presidente da República. Diria para ele ler Caco Barcellos, Tom Wolfe, Bob Woodward e Norman Mailer e para continuar vendo o que rola fora do Brasil, pois a tendência é que de alguma forma isso chegue por aqui em algum momento. Diria, principalmente, que jornalismo é jornalismo, seja em um programa de humor ou em caderno de economia. A responsabilidade com o fato é a mesma.

Rafael Nardini é jornalista e diretor de conteúdo do Hypeness.

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Crédito: iStock 872323824 People Images

 

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