15 de outubro é celebrado o Dia do Professor. Neste mês comemorativo, a plataforma Gente participa da mobilização especial que celebra os educadores brasileiros. 

Não deixar #Nem1PraTrás.

Com essa missão, Cristina Tepedino media aulas em 2 salas de ensino médio da Escola Fundação Roberto Marinho, no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro. As turmas são compostas por jovens e adultos de comunidades próximas, como Santa Marta e Tabajaras, que não puderam concluir o ensino médio na idade certa, ou seja, até 18 anos. Para a conclusão do ensino fundamental no tempo correto, a idade-limite é de 15 anos.

 

“Na nossa escola, a avaliação não é para punir ou encerrar o processo educativo: é pelo desenvolvimento do estudante.”

 

Historiadora formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com mestrado em Educação, Cristina vivencia com seus estudantes um processo de permanente contribuição das inteligências, sustentado pela Metodologia Incluir Para Transformar – conjunto de métodos, procedimentos e ferramentas pedagógicas que proporcionam uma aprendizagem de qualidade.

Entrevista com a professora e historiadora Cristina Tepedino

Futura: Quando a turma é formada e as aulas começam, quais são os principais desafios?

Cristina Tepedino: No início das aulas, nossa principal missão é integrar os estudantes, normalmente muito diversos em faixa etária e nível de estudo. Esse é o momento que chamamos de Período de Integração. O objetivo é favorecer a integração estudante-estudante e estudante-professor, ressaltando o valor do grupo, no intuito de criar um clima favorável ao processo de ensino-aprendizagem e ao debate; e diagnosticar o nível de desenvolvimento da turma em relação a habilidades, atitudes e conhecimentos, individuais e coletivos, necessários às situações de aprendizagem.

Todos se olham quando a educação é dialógica e democrática. (Foto: guanabaratejo)
Crédito: guanabaratejo

Futura: Em que nível o trabalho com diferentes saberes contribui para um melhor aprendizado?

Cristina Tepedino: Nossa proposta é que a construção do conhecimento aconteça coletivamente, valorizando os conhecimentos e saberes prévios dos estudantes. Nesse sentido, o círculo contribui para que tudo aconteça enquanto experiência coletiva, baseada no diálogo e na horizontalidade. Sentados em círculo, todos se olham e se veem – é uma educação dialógica e democrática. Não há um professor e, sim, um mediador/facilitador das discussões.

 

“O círculo permite debate e diálogo entre equipes na sala de aula.”

 

Futura: Como são organizadas as atividades dos estudantes em sala de aula?

Cristina Tepedino: Trabalhamos a turma em equipes: Socialização, Coordenação, Síntese e Avaliação. Cada equipe fica responsável por ações no dia a dia da sala, desenvolvendo diversas habilidades e competências importantes para o aprendizado e para a vida, contribuindo para a construção do senso de coletividade. Na equipe de Socialização, desenvolvemos o relacionamento interpessoal, a solidariedade e o compromisso com o bem coletivo. Na de Coordenação, a organização, a gestão e atitudes proativas. Síntese exercita a sistematização e o estabelecimento de prioridades na busca por melhores resultados. Aos estudantes da equipe de Avaliação, cabem a observação, a análise, a argumentação e a autocrítica.

Futura: Você acha que essas escolhas dão resultado?

Cristina Tepedino: Sim. Os alunos, além de desenvolverem habilidades e competências, também assumem responsabilidades e protagonismos na dinâmica da sala de aula, participando de forma ativa de todo o processo de ensino-aprendizagem.

 

“A Metodologia representa tudo que acredito que a educação e a escola devem ser: progressistas, democráticas, voltadas para a vida e para a cidadania.”

 

Futura: O papel da avaliação educacional é essencial para a análise da prática pedagógica. Estudos e reflexões de pessoas que são referência no assunto, como Michael Quinn Patton e Thereza Penna Firme, contribuem enormemente nesse sentido. De que forma você trabalha esse tema?

Cristina Tepedino: Na nossa escola, a avaliação não é vista como punição ou parte final do processo educativo. Trabalhamos com a ideia de que é processual, acompanhando o desenvolvimento de cada estudante, desde quando ele chega à sala de aula, até finalizar a etapa de ensino.
Para atingirmos isso, utilizamos diversos métodos avaliativos, observando bem de perto o processo de cada aluno.

Educação de Jovens e Adultos (EJA)

O sistema educacional brasileiro é seriado: existe uma adequação desejada entre a série e a idade do estudante. Por exemplo: para ingressar no 1º ano do ensino fundamental, 6 anos é a idade desejável. Para o 1º ano do ensino médio, 15 anos.

Quando o estudante tem idade superior à desejada em mais de 2 anos, encontra-se em distorção idade-série. Para continuar seus estudos, a pessoa nessa realidade se enquadra na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

No Brasil, em 2017, a taxa de distorção idade-série foi de 28,2%, no Ensino Médio, e de 18,1%, no Ensino Fundamental, de acordo com o Indicador Educacional “Taxa de Distorção Idade-Série”, extraído do Censo Escolar 2017 – Inep.

Com início em 2011, a Escola Fundação Roberto Marinho proporcionou que 648 jovens e adultos brasileiros em distorção idade-série concluíssem a educação básica até aqui. Até o final deste ano, serão mais 400.

O trabalho realizado na escola é fruto de um cuidadoso planejamento pedagógico. Em encontros semanais, os professores vivenciam as mesmas competências e habilidades que precisam desenvolver nos estudantes. Esses momentos são muito especiais e importantes: permitem a troca de experiências que os educadores tiveram com suas turmas durante a semana para, considerando suas particularidades, enriquecerem os planejamentos das aulas que serão ministradas na semana seguinte. É como Cristina falou: “Todos se olham quando a educação é dialógica e democrática”.

No site da Fundação Roberto Marinho, você pode conhecer melhor a Escola, além de conhecer outros projetos de educação da FRM em parceria com instituições pelo país.

Saiba mais sobre a Metodologia Incluir Para Transformar no site do Telecurso clicando aqui.

Futura é uma experiência pioneira de comunicação para transformação social que, desde 1997, opera a partir de um modelo de produção audiovisual educativa, participativa e inclusiva. Mobilizar pessoas e instituições pela Educação está em seu DNA. Futura é uma das soluções educacionais da Fundação Roberto Marinho.

Texto publicado originalmente no site do Futura por Hugo Rosas.

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