Quando você salva um jovem você pode estar mudando a história de uma família toda, tanto no presente, quanto em outras gerações. A frase é do professor de Biologia Andrey Freire, que leciona para alunos do Ensino Médio, no Recife-PE. Andrey faz parte de um grupo de educadores que participa ativamente dos processos criativos do Futura e suas redes para oferta de mídia e tecnologia com foco em práticas de ensino e aprendizagem. Integrante de um conselho de educadores no Facebook, junto com outros 10 mil associados, o jovem professor troca ideias com profissionais do chão da escola em busca de respostas para os constantes desafios da agenda da educação brasileira.

A escolaridade maior elevou a renda média do trabalhador em 12% entre 2012 e 2018.

O que parece simples no ambiente virtual, se revela bem mais desafiador na realidade. Hoje, no Brasil, apenas três de cada dez professores têm acesso a cursos de formação para melhora de suas atividades em sala de aula. Andrey é um deles. Teve que correr atrás. O quadro é reflexo de uma conjuntura de desvalorização da profissão docente. A formação de professores é tema prioritário no debate sobre educação, e que demanda atenção de todos, afinal, ser um educador é algo muito difícil no Brasil. Um educador plenamente qualificado para sua função, mais difícil ainda. Quando relacionamos o tempo de estudo dedicado ao longo da vida com a renda per capita é possível perceber uma vantagem competitiva para quem estudou mais.

Segundo o Banco Central, em reportagem do Valor Econômico publicada em fevereiro de 2019, a escolaridade maior elevou a renda média do trabalhador em 12% entre 2012 e 2018. No contexto dos professores que – muitas vezes, dão aula em mais de uma escola, sofrem com a falta de tempo para preparar atividades e ainda vivem a dificuldade de se qualificar bem para atender a uma geração de estudantes com muito mais conhecimento e acesso à tecnologia do que há 20 ou 30 anos – esta tarefa chega a ser desestimulante. Recentes pesquisas organizadas pelo movimento Todos Pela Educação, apontam que quase a metade dos educadores se revelaram insatisfeitos com a profissão, a ponto de não a recomendar para um jovem estudante em fase de escolha de carreira. Um paradoxo e tanto quando percebemos que a mesma pesquisa aponta que a grande maioria dos jovens consideram a figura de um professor como alguém fundamental e inspirador para suas vidas.

Trajetórias inspiradoras
No início de 2019, Andrey foi convidado a contar parte de sua história em uma ação promocional da grade de programação do Futura. Ao lado de outros 5 colegas de profissão, estrelou um conjunto de peças em que buscava traduzir em palavras o conceito de educar. Entre angústias, conquistas, sonhos e desafios, Andrey identifica a responsabilidade de um professor na vida de um jovem, sobretudo daquele que está na escola sem entender direito o que faz ali, sem oportunidades, sem condições de transporte, com lacunas de aprendizado e, possivelmente, com grandes chances de perder o trem da vida e ficar pelo meio do caminho, aumentando estatísticas da defasagem educacional.

Um milhão e trezentos mil jovens estão fora da escola, a grande maioria, entre 15 e 17 anos.

Atualmente, segundo o Censo Escolar 2018 e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, 2017, cerca de um milhão e trezentos mil jovens estão fora da escola, a grande maioria, entre 15 e 17 anos. Estudantes que não tiveram seu direito legítimo e constitucional de aprender garantido por diversas circunstâncias, que vão desde à falta de estímulo no ambiente escolar, aprendizado sem significado, preconceito, bullying e outras formas de violência. Jovens que estão atrasados ou precisando de reforço em sua formação. Jovens que evadiram da escola ou que não concluem o ensino médio até os 19 anos. Jovens de diferentes regiões do país em busca de uma oportunidade. Uma única oportunidade. Foi o que aconteceu com Tabata Amaral Pontes, hoje Deputada Federal eleita pelo PDT-SP.

Tabata estudou em escola pública na periferia de São Paulo e se formou em Ciência Política em Harvard. Em 2005, a jovem estudante teve uma chance que mudaria sua vida. Participou da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, OPMEP. Ganhou a medalha de prata e, no pacote, uma bolsa de estudos numa escola particular. Teve acesso a outra qualidade de ensino e matérias que não estudava. Naquela época, Tabata não sonhava em conhecer outros países, pois sua realidade era bastante diferente dos colegas de turma, que já faziam intercâmbio e falavam outros idiomas. Como muitos brasileiros, ela se sentiu avessa ao contexto escolar em que estava inserida. Não desistiu. Descobriu o verdadeiro sonho, de fazer uma faculdade no exterior. Mirou na Astrofísica e acertou a Ciência Política. Hoje, ela representa o Brasil no Congresso Nacional e debate educação em alto nível com ministros, governantes, especialistas no tema e jornalistas. Muitos destes debates acontecem também nas telas do Futura, no Futura Play e em programas variados numa grade pensada para educadores e estudantes, com títulos como "Conexão", "Destino Educação", "Debate", "Entre Escolas", além do "Expresso Futuro" e da "Hora do Enem".

Em comum, Tabata e Andrey compartilham da luta por direitos, por justiça social e qualidade de ensino. Com este mesmo foco e inspirada no lema “No one left behind”, dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, a Fundação Roberto Marinho, por meio do Canal Futura, criou em 2019 a campanha #Nem1PraTras. A proposta foi realizar uma grande mobilização presencial e virtual, dando destaque à data de 28 de abril, o dia da Educação, e chamando a atenção para a importância da Educação fazer parte da rotina dos brasileiros, seja na escola, na hora do almoço, no grupo de Whatsapp, no trabalho, a ponto de todas as pessoas se sentirem corresponsáveis pela qualidade da educação no país.

Uma causa de todos
E não basta falar sobre o assunto. Não basta criticar o assunto. É muito cômodo tecer teses e teorias a respeito da vida dos outros, da realidade dos outros. Difícil e necessário é se colocar no lugar do outro e conhecer sua realidade. No preparo deste texto, tive a oportunidade de tomar um café com João Alegria, diretor geral do Futura e doutor em Educação. Do bate-papo refletimos sobre a importância de transmitir uma mensagem que lançasse luz sobre a dura realidade dos professores e também de uma parcela da população jovem em situação de vulnerabilidade social e educacional. E é justamente esse o foco da Fundação Roberto Marinho nestes 40 anos de atuação, e que agora ganha reforço com a campanha #Nem1PraTras. “Todos nós podemos fazer a nossa parte para não deixar nenhuma criança, jovem ou adulto sem direito à Educação. Não fale sobre o professor. Conheça um professor. Não decida pelo jovem. Decida com o jovem”, afirma João, que liderou pessoalmente uma grande mobilização com a proposta de fazer alianças, produzir conteúdo, engajamento e fortalecer o debate público sobre as principais agendas da Educação.


#Nem1PraTras

Educar não é fácil e a educação no Brasil enfrenta muitos desafios. Por isso, precisamos falar sobre educação, conhecer melhor os problemas e aprender com o que está dando certo.

 1.300.000  Um milhão e trezentos mil jovens estão fora da escola.

30% Apenas três de cada dez professores têm acesso a cursos de formação para melhorar suas práticas em sala de aula.

40,8%  Quase a metade dos jovens não concluem o ensino médio até os 19 anos.

53,7%  Mais da metade de crianças entre 8 e 9 anos não sabe ler.

24,1%  Evasão escolar. No mínimo, duas de cada dez crianças e adolescentes não concluem o Ensino Fundamental até os 16 anos.

48%  Quase a metade dos professores não indica a profissão, mesmo o jovem considerando a figura do professor como alguém de grande influência para sua vida.

21X  Um estudante de uma família com melhores condições econômicas tem até 21 vezes mais chances de aprender matemática no Ensino Médio do que um de família com condições mais pobres.

Ao todo, mais de 80 instituições aderiram à campanha. Do campo público ao setor privado. Da escola à indústria. Dos comerciantes às universidades. A lista completa está na página diadaeducacao.org. O endereço eletrônico representa o principal ponto de partida para quem deseja entender a campanha e saber mais detalhes sobre como participar e mobilizar suas redes. Lá é possível encontrar um passo a passo com guia de atividades, material de comunicação, vídeos, notícias e ainda uma agenda de eventos. Além disso, é possível acompanhar o que vem sendo discutido no país e o que é prioridade no campo da educação pública.

“A única forma de salvar gerações é olhando para este problema. Educação tem que ser pauta da família, da mesa do bar, do trabalho, da roda de conversa no fim de semana. É um tema prioritário."

Representatividade, engajamento e alegria
Mulher negra, nascida na periferia da Baixada Fluminense com mais de vinte anos de dedicação ao jornalismo. Luciana Barreto assumiu o compromisso de ser protagonista da campanha #Nem1PraTras. Caçula de uma família de três irmãos, Luciana foi bolsista de uma escola particular e herdava o uniforme dos irmãos mais velhos, que já chegava gasto, puído e com o estigma de quem precisou batalhar muito para não desistir do sonho de fazer uma faculdade. Para Luciana, que acordava às 4 da manhã para estudar e chegou a fazer faxina para conseguir o dinheiro da passagem de ônibus, “a única forma de salvar gerações é olhando para este problema. Educação tem que ser pauta da família, da mesa do bar, do trabalho, da roda de conversa no fim de semana. É um tema prioritário”.

Pelos corredores do prédio da Fundação Roberto Marinho, no Rio Comprido, centro do Rio de Janeiro, Luciana iniciou sua jornada de produção de conteúdo e mobilização. Entre reuniões e conversas de elevador, ela mergulhou na fantástica experiência de entender o projeto Futura, uma iniciativa da Fundação Roberto Marinho, que é fruto da aliança estratégica de parceiros unidos pelo compromisso de investir socialmente e capaz de transformar pessoas a partir da educação e da comunicação. Uma fórmula rica para ampliar o repertório de estudantes e professores em suas práticas contemporâneas a partir do uso de vídeos, oficinas criativas e metodologias sociais. Com a responsabilidade de difundir a mensagem, Luciana gravou em estúdio, na redação, na laje, em universidade, levando consigo um sorriso no rosto e a mensagem que não acaba no dia 28 de abril, afinal, todo dia é dia da educação. #DiaDaEducacao #Nem1PraTras.

O Futura é uma experiência pioneira de comunicação para transformação social que, desde 1997, opera a partir de um modelo de produção audiovisual educativa, participativa e inclusiva. Mobilizar pessoas e instituições pela Educação está em seu DNA. Futura é uma das soluções educacionais da Fundação Roberto Marinho.

José Brito Cunha | Gerente de Distribuição do Futura.

leia-mais-roxo
modos-de-fazer-politica

 

MODOS DE FAZER POLÍTICA

Novas vozes e formas de atuação política emergem das periferias visando estancar as desigualdades e aprofundar a democracia.

crianças se ajudando a levar blocos

 

ERA UMA VEZ

As histórias que contamos às crianças influenciam a forma como elas enxergam o mundo, vivenciam e se relacionam com a coletividade.