Nas ciências sociais, a “caixa” na qual os homens são colocados é conhecida como masculinidade hegemônica, um conceito criado pela cientista social australiana Raewyn Connell, em 1982, que é entendido como o “conceito padrão” das práticas que permitem a continuidade do domínio dos homens sobre as mulheres. Essa ideia incorpora a maneira entendida como a mais honrada de ser homem, legitimando ideologicamente esse domínio entre os sexos.

Este antigo conceito de masculinidade hegemônica cria uma barreira de “proteção” entre os homens e seus próprios sentimentos.


A mudança de paradigma ocorre desde o movimento de liberação feminina, que trouxe enormes avanços para as mulheres, mas alterou a forma como homens e mulheres se relacionaram, dentro de casa, nos ambientes de trabalho e no âmbito social. Os papéis se misturaram um pouco. A nova mulher tem o desafio de equilibrar todas as conquistas feministas, sem incorporarem as características masculinas, ou seja, com seu lado mais feminino, sem perder a delicadeza ou o espaço conquistado.

Estereótipos de masculinidade fazem mal à saúde. A ciência já sabe e os homens sentem na pele...
Então por que é tão difícil mudar?

Quem sabe não seja necessário mudar, pois o novo homem já existe e é aquele que notou essa mudança primeiro nas mulheres. Ele desenvolve não só um potencial para relacionamentos, mas também integra o lado emocional com o racional, não descuida da aparência pessoal nem da própria saúde. É o homem que se dá a chance para a sensibilidade e beleza, sem abrir mão da masculinidade, mesmo porque essa sensibilidade que eles estão desenvolvendo não é a mesma das mulheres. Ele tem uma identidade própria – Masculismo, é o termo adotado por pelo Dr. Luiz Cuschnir, professor de mestrado na área de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, para descrever o movimento correspondente ao Feminismo com uma tentativa de se chegar a um homem mais completo e preparado para as mudanças no mundo feminino.

“Se você der cerveja para cinco homens héteros, dentro de alguns minutos todos começam a se abraçar, a se beijar, a dizer que se amam. Eles não podem demonstrar isso naturalmente por medo de acharem que são gays, uma afronta à sua masculinidade frágil."

Claudio Serva, 46, fundador do Prazerele


Historicamente, os homens foram educados a renegar socialmente tudo que é feminino. E, ao passar por essa educação machista, começam a ser castrados de afeto, é o que acredita o professor é Claudio Serva, 46, fundador do Portal Prazerele, músico e terapeuta que ministra em São Paulo cursos dedicados a repensar o sexo e a masculinidade. “Trabalho com o resgate da sensorialidade”, explica ele. “Mas primeiro tento resgatar a criança que cada um traz dentro de si, o que é difícil porque muitos homens nem se lembram de como eram quando crianças.” A ideia é fazer os participantes se reconectarem com o que eram antes de vestirem suas máscaras de ferro.

O tema tem ganhado destaque, mas quando se fala de masculinidade ou de “desconstrução da masculinidade” ainda se tem muitas interpretações distintas. A própria noção de masculinidade acaba se confundindo com as críticas que se tem em relação à masculinidade hegemônica e é importante frisar que masculinidade não é sinônimo de “masculinidade tóxica”.


Arte e ilustrações Jordana Leite / Fontes Prazerele, Papo de Homem, Galileu, Guiame / Imagens Kivilcim Pinar / Texto Gabriel Prates

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