Não há dúvida de que muitas das canções marcantes em nossas vidas vieram das trilhas sonoras de filmes, novelas e séries. Mais do que estímulos, essas melodias libertam memórias de pessoas, lugares e épocas. As descobertas musicais do período da juventude podem ter impacto não só sobre o nosso gosto pessoal e preferências, mas também sobre a nossa personalidade. Uma recente pesquisa do serviço de streaming Deezer, com 5 mil entrevistados no Brasil, no Reino Unido, nos Estados Unidos, na Alemanha e na França, conclui: em média, aos 27 anos e 11 meses nós paramos de descobrir novas músicas.

Os resultados da pesquisa no Brasil são ainda mais incisivos:

Os brasileiros definem seu gosto musical, em média, até os

23 anos e 2 meses.

Logo antes, aos 22 anos, momento mais intenso da busca por novidade, 81,5% dos brasileiros conhecem pelo menos

seis novos artistas por mês.

Depois, quase metade declara que

às vezes se sente preso a uma rotina musical,

ouvindo apenas faixas que já conhece ou que realmente gostam.

“Quando jovens, vamos atrás do que todos estão ouvindo. Com o passar do tempo, formamos nosso gosto.”

Bruno Vieira, diretor geral da Deezer no Brasil

No período da adolescência, coletamos referências para entender o mundo. Além disso, a forma como as ideias de juventude e velhice são percebidas também influenciam a maneira de nos relacionarmos com a sociedade e o contexto. A pesquisadora Ananda Vargas Hilgert, que trabalha na tese de doutorado “Do passado que irrompe: ensaios sobre nostalgia, experiência e tempo na Educação”, afirma que o jovem ainda é o alvo principal do mercado, pois todos ainda querem conservar em si sua juventude e sua capacidade de se reinventar em busca de novidade.

“Quem diz algo como ‘no meu tempo’ não se sente fazendo parte do tempo atual, mas de um que já passou. Canções da juventude marcam o último momento em que esse sujeito se sentiu contemporâneo”, conclui Amanda.

queen

“O conceito de jovem foi inventado nos anos 1950. Mas a juventude era uma só; hoje, a definição é diversa. Os algoritmos das plataformas de streaming talvez sejam o melhor caminho para encontrar o seu quadrado.”

Bruno Vieira, diretor geral da Deezer no Brasil

O diretor de teatro Amir Haddad opina: “Você memoriza o que te toca, não há retenção fora de afeto. No desgaste afetivo do mundo atual, está difícil lembrar qualquer coisa com paixão, saudade, nostalgia e amor. E até com ódio, se for o caso”. O poder da música tem explicação: ele aciona amplas redes neurais, que incluem regiões responsáveis por movimento, emoções e criatividade. Quem acumula memória musical, ressignifica e revive momentos preciosos da própria vida.

Arte e ilustrações: Jordana Leite / Imagens: iStock by Getty Images / Texto: Renato Barreto / Fonte: Globo.com

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