In meme we trust

A cultura dos memes ultrapassa os limites do humor e passa a pautar as complexidades da nossa comunicação com o mundo

1.
SOMOS TODOS (ALGUM) MEME


2.
É VERDADE ESSE BILETE


3.
POSTO, LOGO EXISTO


4.
PRA QUE SERVE O MEME

Estamos cada vez mais cercados por memes da internet. Impulsionados pelos jovens da Geração Z, os memes ganharam as ruas e ultrapassaram os limites do humor para representarem o que pensamos, sentimos e desejamos expressar. Muito além da junção entre imagem e pouco texto, o meme mostra uma gama de aplicações e usos possíveis que tem sido observada em todo o mundo, e não seria diferente no Brasil, onde somos conhecidos pela inabalável capacidade de rir de nós mesmos. Mas o que são os memes? Qual a importância deles nos dias de hoje? E quais significados eles carregam por trás da sua aparente simplicidade?

1. SOMOS TODOS (ALGUM) MEME

Um meme vale mais do que mil caracteres. Em meio à velocidade frenética da vida atual, condensar pensamentos, emoções e discussões num conteúdo facilmente compartilhável tornou-se uma grande potência criativa na comunicação digital.

O dia amanhece e provavelmente algum meme já surgiu na tela de alguém: qual é o meme do dia? Qual meme representa você agora? Qual meme será útil numa conversa mais tarde? Fato é que estamos cada vez mais cercados por um verdadeiro oceano de memes.

Ao mesmo tempo, trata-se de uma fábrica sem donos: assim como ninguém se preocupa com a origem de uma piada ou de um ditado popular, pouco importa a origem ou autoria dos memes, contato que a mensagem seja imediata e faça sentido para quem está consumindo e compartilhando.

Sob essa lógica, todo mundo quer um meme para chamar de seu. Por ser uma ferramenta de comunicação extremamente popular, o meme já é considerado a linguagem oficial da internet e, principalmente, dos jovens.

De inspiração para fantasias de carnaval até pesquisas acadêmicas dedicadas a compreender essa linguagem mutante e irrastreável, o meme caiu como uma luva na lógica imediatista, fluida e volátil que passou a conduzir a nossa disputada atenção no mundo atual.

85%

Dos brasileiros costumam curtir memes na internet

Base: 1 mil entrevistados em todo o Brasil das classes A, B e C, sendo 53% mulheres e 47% homens.

2. É VERDADE ESSE BILETE

Ao tentar explicar o que é um meme, as respostas possíveis envolvem imagens engraçadas de acontecimentos recentes, uma maneira criativa de criticar ou apoiar algum tema, um registro de alguém famoso fazendo algo estranho ou bizarro ou, ainda, uma explicação metalinguística: o meme fala de coisas com coisas.

De acordo com a definição do #MUSEUdeMEMES, meme é um fenômeno típico da internet, e pode se apresentar como uma coleção de textos, imagens, comportamentos difundidos, desafios ou memórias compartilhadas.

Em geral, as pessoas tendem a associar meme ao humor e a um formato de conteúdo específico. Afinal, boa parte deles utiliza a ironia e o sarcasmo em doses concentradas e veicula essa mensagem pelo efeito casado entre texto e imagem, estática ou animada. Mas o meme não é só uma coisa engraçada ou uma brincadeira; ele carrega muitas mensagens e reflexões sobre temas correntes de relevância para toda a sociedade.

Quando perguntadas sobre definições possíveis para o que são os memes, as pessoas recorrem a diversas palavras diferentes na tentativa de categorizá-los:

  • Assunto
  • Divertida
  • Expressão
  • Brincadeira
  • Frase
  • Real
  • Meme
  • Alguém
  • Frases
  • Redes
  • Bom
  • Piada
  • Sentimento
  • Tipo
  • Dia
  • Graça
  • Engraçadas
  • Sociais
  • Momento
  • Coisa
  • Engraçado
  • Muito
  • Sobre
  • Vídeos
  • Mim
  • Imagem
  • Humor
  • Faz
  • Pessoas
  • Pessoa
  • Foto
  • Gif
  • Vídeo
  • Sei
  • Dizer
  • Expressar
  • Mensagem
  • Fato
  • Figuras
  • Viralizam
  • Internet
  • Alguma
  • Piadas
  • Acontecimento
  • Figura
  • Situações
  • Sátira
  • Geralmente
  • Viral
  • Forma
  • Viraliza fotos
  • Alguém

Em sua essência, o meme é uma expressão criativa e intuitiva ao mesmo tempo, uma criação coletiva com vida própria e transmitida com o convívio.

Meme é um conteúdo que se ressignifica à medida que se espalha

À parte as tentativas de enquadramento, trata-se de um conteúdo que se desloca em rede na internet, mas que, apesar de preservar referências comuns, é frequentemente alterado para novos contextos e significados. Uma mesma imagem é mixada para transmitir uma ideia em situações diferentes, adaptando-se o texto e possivelmente a composição dos “personagens”.

Diferentemente do conteúdo viral, que repercute em seu formato original e ganha sobrevida por um tempo determinado, o meme é altamente reciclável e está em constante alteração, adaptação e reutilização. Ou seja: memes são virais, mas nem tudo que é viral é meme.

E o brasileiro, que sabe como ninguém rir de si mesmo, naturalmente encontrou no meme o veículo perfeito para representar o espírito do seu tempo. Tomando como fonte de inspiração filmagens amadoras, o noticiário ou até mesmo personagens da TV, criamos uma verdadeira produção em cadeia, chegando a exportar nossos memes para o resto do mundo.

O meme é pop

O meme é pop

Sabe o meme da Nazaré Tedesco, a vilã eternizada pela atriz Renata Sorrah? Pois é, ela ultrapassou as barreiras da ficção e, eternizada em uma série de close-ups recortados de uma cena de novela, ganhou o mundo com sua expressão de incredulidade.

Aos poucos, ela foi se deslocando na rede e ganhando novos significados. Foi chamada de Math Lady nos Estados Unidos, compartilhada na Rússia e transformada até em estampa de camiseta.



3. POSTO, LOGO EXISTO

Embora seja difícil achar a origem dos memes, sabe-se que, inicialmente, o termo surgiu na década de 1970 no campo dos estudos genéticos a partir das pesquisas sobre unidades de evolução cultural (ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida como unidade autônoma) capazes de se autopropagar.

Já nos anos 90, o meme passou a ser adotado nos primórdios da internet doméstica nos moldes como passamos a conhecê-la, mas já com uma conotação que se referia a conteúdos atrelados ao alcance de público. Daí em diante, a ideia original de meme como transmissor de conteúdos diversos se estabeleceu e se adaptou ao dinamismo do mundo digital.

Do submundo da internet ao “bom dia, grupo!”

  • . 1976

    O termo meme foi cunhado pelo geneticista Richard Dawkins para batizar uma unidade de informação cultural, assim como o gene é uma unidade de informação genética

  • . 1998

    Um site chamado Memepool resgata esse nome. O portal era um agregador de links que mostrava o alcance de público de certos conteúdos (escolhidos a partir do que os criadores achavam interessante)

  • . 1999

    A psicóloga Susan Blackmore atualiza o termo e publica The Meme Machine, um livro que pensa nos humanos como “máquinas de memes”

  • . 2000

    Surge a Contagious Media, uma plataforma de experimentos para testar o alcance de conteúdos na web. A empresa também adota o termo “meme”

  • . 2009

    O YOUPIX lança a Memepedia, a primeira enciclopédia de memes do Brasil, que mapeava tudo que estava viralizando na internet

  • . 2017

    Surge o #MUSEUdeMEMES, um projeto da Universidade Federal Fluminense dedicado à preservação da memesfera brasileira

O meme, dessa forma, passou a integrar o nosso arsenal diário de ferramentas de conexão com o mundo. Na sociedade da informação, ninguém quer ficar de fora, e o meme representa uma opção de transmissão de conteúdos reduzidos. Nem todo mundo tem tempo ou paciência para ler um textão nas redes sociais, mas consegue encaixar ao longo do dia o consumo efêmero dos memes. É um conteúdo pronto cuja sobrevida só depende de ser passado para frente.

Para isso, o meme sobrevive a um baixo custo. Inicialmente, os primeiros foram resultados de experimentações amadoras, da vontade de pôr uma ideia rapidamente em circulação, e ficaram conhecidos em fóruns da internet. Por isso, eram produzidos em baixa qualidade técnica, rústicos, gerando a impressão de algo intencionalmente mal feito.

Ironicamente, anos mais tarde, essa falta de cuidado estético se legitimaria como a estética própria do mundo on-line e passaria a ser intencionalmente replicada de acordo com interesses diversos – incluindo campanhas políticas e publicitárias voltadas a atingir o público jovem.

Mas, afinal, o que há de tão especial nos memes?

“Há uma forma simples de embalar a informação, que nas circunstâncias certas a torna irresistível. É só descobrir qual é.”

Malcolm Gladwell, jornalista britânico, colunista da revista New Yorker e autor de vários best-sellers

Meme já não é somente uma “estética” – um desenho de uma expressão facial. Conforme as pessoas passaram a se comunicar por telas, cruzando referências, elas precisavam expressar emoções complexas que ultrapassaram o potencial dos emojis. No meio do caos e do excesso, o meme é resultado de uma seleção natural de conteúdo.

“A cada nova alteração ele vai ganhando sobrevida. O potencial que um meme tem, tanto de espalhamento quanto de permanência, vem dessa capacidade de renovação. Quanto mais gente aceitando esse convite pra fazer alterações, mais ele tende a se espalhar.”

Fernando Fontanella, especialista em cultura digital

Assim, o meme não é mais apenas um cara sorrindo – qualquer um pode ser eternizado nessas imagens, colocando em pé de igualdade você, seu vizinho e a Gretchen.

Da mesma forma, o meme funciona como uma piada interna. Assuntos compreendidos e compartilhados por um grupo acabam virando matéria-prima na criação de uma linguagem comum. Se você não acompanha aquele assunto, um meme relacionado a ele não fará sentido e você ficará excluído de alguma maneira. Se o meme mesclar referências diferentes, então, você ficará perdido.

Cruzar referências e sintetizar conteúdos se torna, portanto, um recurso necessário e talvez o mais acessível para acompanharmos o fluxo de acontecimentos e nos posicionarmos diante disso. Você pode usar um meme pra dizer que não é capaz de opinar, e ainda assim vai estar transmitindo uma ideia na voz de outra pessoa.

O meme captura o sentimento do momento.

Eles nos trazem narrativas que dão conta de acompanhar as demandas efervescentes da atualidade. Não apenas por amplificarem a ideia de “piada interna da internet”, mas também por expressarem coisas que as pessoas pensam ou sentem e não sabem como verbalizar.

4. PRA QUE SERVE O MEME

MEME COMO TRADUTOR DE CONTEXTOS

O meme entrega e reflete sentimentos, opiniões e acontecimentos do momento. Em um mundo onde a sensação de falta de tempo e excesso de conteúdo para ler ou tarefas para fazer é cada vez mais frequente, fragmentos de conteúdo com grande capacidade de síntese ganham força. Ou você sabe sobre aquele meme que bombou ou ficará de fora da conversa na mesa do bar.

73%

Das pessoas já souberam de uma notícia política através de um meme

Base: 1 mil entrevistados em todo o Brasil das classes A, B e C, sendo 53% mulheres e 47% homens.

“Tudo que passamos a enxergar como realidade ficou muito parcial, mas seria muito reducionista botar o meme no papel de vilão. Ele em si não é a causa dessas complexidades.”

Viktor Chagas, fundador do Museu dos Memes e doutor em Comunicação e História

Senta lá que vem meme!

O meme surge no espaço entre entender melhor os fatos e emitir uma opinião sobre eles. Um dos fatores que mais impulsiona sua viralização é a sua capacidade de articular o momento e simplificar uma situação que o público vivenciou, mas nem sempre dá conta de explicar em palavras.

VONTADE DE PERTENCER:
estar em um grupo

VONTADE DE SE EXPRESSAR:
falar pro mundo

VONTADE DE ENTENDER:
explicar o mundo

Os ventos que sopram a favor

Nada é por acaso. Esse conflito de vontades é resultado de fatores típicos do nosso tempo, que contribuíram para a popularização dos memes na internet.

FRONTEIRAS FLUIDAS:
Nunca transitamos por territórios tão fluidos. Lugares com fronteiras pouco delimitadas e identidades múltiplas são cada vez mais comuns.

FIM DO RECEPTOR PASSIVO:
O fim da recepção de conteúdo passivo e a possibilidade de se customizar tudo. Não há mais controle sobre o que é produzido ou veiculado em rede

LÓGICA NÃO LINEAR:
Falta linearidade na forma como acompanhamos os acontecimentos ao nosso redor.

MAIS HUMOR, POR FAVOR

Em tempos de crises econômicas, sociais, políticas e até mesmo existenciais, os memes no Brasil funcionam como pílulas de alívio no cotidiano, uma espécie de despressurização que permite rir juntos e rir agora.

“Eu acredito que esse é o ponto central do Brasil: a gente sofre muito. Todo dia é um 7x1 na nossa vida. A gente não se deixa abater por isso, nós procuramos sempre nos divertir e rir de alguma coisa.”

Matheus Laneri, curador da página de memes “O Brasil Que Deu Certo”

57%

dos internautas seguem alguma página só para acompanhar memes

63%

procuram memes na internet quando querem se distrair

75%

acham que o meme ajuda a aliviar o stress do cotidiano

Base: 1 mil entrevistados em todo o Brasil das classes A, B e C, sendo 53% mulheres e 47% homens.

UM DEBOCHE DA PRÓPRIA REALIDADE

No elaborado feed de textões super editados e fotos carregadas de filtros, existe um esforço para todos exponham suas melhores versões. Fica a sensação de que a grama do vizinho é sempre mais verde. Do lado dos memes, por outro lado, a ironia abre espaço para desabafos, fracassos e angústias da realidade. Você pode tirar sarro dos políticos e das celebridades, mas acima de tudo de si mesmo e dos dramas coletivos que quase todo mundo enfrenta. Sinceridade, aliás, agrega valor: páginas como a do Chapolin Sincero têm milhões de seguidores no Instagram.

46%

das pessoas compartilham memes que traduzem seus problemas pessoais

Base: 1 mil entrevistados em todo o Brasil das classes A, B e C, sendo 53% mulheres e 47% homens.

Porém, vai muito além do humor

Aquilo que nos faz rir também revela nossas visões sobre o mundo. Memes ajudam a compreender os comportamentos dos jovens, por exemplo. Quando indagados sobre por que eles interagem com certos memes e o que eles dizem sobre si mesmos, as respostas ajudam a construir um retrato dos temas que estão ocupando a cabeça da juventude e de suas visões de mundo.

Para que você compartilhe um meme em sua rede social é preciso que...

79%

Seja engraçado

51%

Traduza minha opinião sobre algo

25%

Seja polêmico

21%

Atraia repercussão

9%

Seja feito por alguém que eu conheça

Base: 1 mil entrevistados em todo o Brasil das classes A, B e C, sendo 53% mulheres e 47% homens.

O SENSO DE PERTENCIMENTO

Pessoas que interagem com memes reforçam vínculos entre si. Para quem compartilha um meme, o valor não está apenas no conteúdo, mas nas relações e possibilidades de troca e informações sobre o mundo.

64%

Se sentem incluídos quando entendem um meme

66%

Se sentem mais bem informados quando entendem um meme

Base: 1 mil entrevistados em todo o Brasil das classes A, B e C, sendo 53% mulheres e 47% homens.

“Eu acho que o meme alivia porque ele junta as pessoas. Eu vejo muito o meme como: ‘ah, eu não estou sozinho.”

Giovanna Cartapatti, especialista em mídias digitais do banco next

UMA PONTE PARA CONVERSA

Em tempo de polarização e bolhas, o meme consegue circular por diferentes territórios. Justamente por dialogar com o grotesco, o nonsense e um humor quase sempre despreocupado, ele acaba refletindo diversos dilemas do mundo de forma menos agressiva. Seja para discordar ou concordar, o meme possibilita trocas entre pessoas, lugares e ideias improváveis. Na era dos relacionamentos fluidos iniciados no ambiente virtual, o meme serve até mesmo para construir afinidades e estabelecer comunicação entre os crushes. Afinal, rir e refletir juntos dá sempre pano pra manga.

54%

Acham que meme ajuda a dialogar com o diferente

45%

Usam memes para quebrar o gelo numa conversa

43%

Usam memes para mandar indiretas

Fonte: Conversa entre jovens de 17 a 21 anos.

“Quando você está debatendo com a família e manda um meme, todo mundo discorda, mas você acredita que pelo menos todo mundo leu. Aí parece que acabou... Até que eles vejam outro meme que representa o que eles pensam.”

Jovem de 18 anos relatando sua experiência no grupo de família

FEITO POR POUCOS, DESLOCADO POR MUITOS

O mundo dos memes é liberal: ninguém é de ninguém. Operando na lógica dos conteúdos abertos da internet, qualquer pessoa pode se apossar de um determinado meme que melhor represente ela mesma, seus humores e suas opiniões. Da mesma forma, numa reação em cadeia, se alguém da sua lista de contatos se identificar com a sua postagem, essa imagem seguirá sua jornada de compartilhamentos infinitos – a não ser que aquele meme perca o sentido ou caia no limbo dos memes esquecidos.

Assim, os memes são conteúdos populares e amadores que ~em teoria~ podem ser feitos por qualquer usuário da rede. Mas não é isso que acontece na prática. Apesar de vermos memes por toda parte, a produção desse conteúdo está concentrada em apenas 22% dos internautas. Ou seja, a maior parte das pessoas acaba se identificando e refletindo o pensamento de um grupo seleto de criadores de memes.

85%

Interage com memes

75%

Compartilha memes (desloca ele na rede)

22%

Produz memes

Fonte: Conversa entre jovens de 17 a 21 anos.

E dentre os que produzem...

Homens e mulheres estão lado a lado em curtidas e compartilhamentos de memes. Elas só perdem quando o assunto é se juntar em um grupo de produção desses conteúdos. Dos 22% que produzem, 12% participam de grupos (10% são homens e 2% são mulheres).

“Pelo que eu percebi pelos membros, os memes são coisas do cotidiano deles. Tem muitos membros que fazem memes com pessoas da escola, com as namoradas, com as cremosas, é tudo relativo ao cotidiano.”

Fernando Lourenço, gerenciador de conteúdo da página South America Memes

TUDO AO MESMO TEMPO AGORA

Para quem se pergunta se os memes são uma moda passageira, é preciso entender que eles refletem a mentalidade de uma comunicação que a todo tempo desliza de sentido e atravessa fronteiras. Misturar referências e dados faz parte da chamada mashup culture – o jeito de pensar de uma nova geração.

Embora tenha surgido com os millenials, foram os jovens da Geração Z (nascidos entre meados dos anos de 1990 e 2010) que impulsionaram a cultura do meme, transformando-o num dialeto próprio. Quanto mais jovem, maior é a interação com o meme, seja para fazer rir ou mesmo para dar uma cara à indignação diante de questões do nosso tempo.

Você costuma curtir memes?

sim | 95%

16 a 22 anos

sim | 91%

23 a 29 anos

sim | 89%

30 a 35 anos

sim | 84%

36 a 45 anos

sim | 75%

46 a 66 anos

Mashup culture: vai ter meme falando de coisa séria, sim!

Para essa geração digital, comunicar-se com memes é algo muito natural. Não importa a temática: eles são ferramentas que ajudam a expressar sentimentos e opiniões. Todas as referências são cruzadas. É comum que esses jovens tenham galerias de frases e memes nos aparelhos móveis, prontos para serem utilizados numa conversa em aplicativos de comunicação instantânea.

58%

Deles substituem frases ou palavras em uma conversa (digital) por um meme

67%

Usam o recurso do print screen com frequência com essa finalidade

Fonte: Conversa entre jovens de 17 a 21 anos.


No mundo dos memes, tudo pode ser alterado, remixado, descontextualizado e reinterpretado. Essa é a lógica que alimenta a sua presença constante no nosso cotidiano. Até quem cresceu antes do digital passou a consumir memes e a compartilhar referências com os mais jovens, tornando a memeficação um fenômeno sem distinções de público-alvo. E, embora não seja possível prever o futuro, uma coisa já sabemos: com certeza os memes estarão por lá.


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Consumoteca, 2019