1.

CONVERGÊNCIA TECNOLÓGICA E NOVOS HORIZONTES

2.

HIPERCONEXÃO E DISSEMINAÇÃO

3.

DESMATERIALIZAÇÃO E ABUNDÂNCIA MUSICAL

O poder da música é atemporal e ecoa por diferentes épocas e meios de expressão. O impacto da era tecnológica contemporânea, no entanto, está provocando uma mudança sem precedentes nas possibilidades de interação, expressão e consumo de música. A hiperconectividade e o streaming passaram a mediar a relação com nossas canções e artistas favoritos — neste cenário em rede, a produção musical e a indústria se renovam: muito além de trilha sonora que embala nossos dias, a música serve como espelho da ebulição tecnológica que vivemos e isso impacta diretamente nossas vidas.

Mas quais são as notas que dão o tom dessa revolução? A tecnologia transforma a música ou seria a ordem inversa? De que modo as relações pessoais com a música são transformadas pelo consumo de tecnologia?

Pensar sobre o futuro é pensar sobre tecnologia. Continuamente nos deparamos com espaços mais curtos entre o surgimento de uma novidade tecnológica que nos aproxima ou permite reinventar processos de criação e substituição, gerando um fluxo contínuo de inovação, tão intenso a ponto de inverter a lógica do tempo. Nessa lógica, pensar sobre tecnologia, na verdade, é pensar sobre o presente.

Já não precisamos somente da imaginação para visualizar inovações tecnológicas que antes pareciam ser possíveis apenas em sonho ou em projeções futurísticas e longínquas. Tecnologia em constante atualização ocupa um lugar central na sociedade em rede e se torna exponencial.

TECNOLOGIA EXPONENCIAL

É a aceleração potencializada e crescente no ritmo das descobertas tecnológicas, resultado da CONVERGÊNCIA entre inovações de diferentes áreas do conhecimento.

É impossível pensar atualmente a tríade produção—circulação—consumo sem a intermediação das tecnologias, sejam elas digitais ou analógicas. Estudos que enfocam o futuro da humanidade e o desenrolar da revolução tecnológica em curso apontam que o valor exponencial, ou o excesso em quantidade, eventualmente nos levará ao ponto de singularidade, quando a tecnologia exponencial será independente das pessoas.

As pistas que apontam para essa direção não estão muito distantes da vida atual. Já é possível vislumbrar os impactos dessa convergência em diversos campos:

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Economia

2013 - Canadá inaugurou primeiro caixa
automático de bitcoins

2022 - Teremos serviços de blockchain
avaliados em, pelo menos, $10 bilhões

Identidade

2016 - 1º registro de nascimento em blockchain

Entretenimento

2015 - Centro de games em realidade virtual é
inaugurado na Austrália

2040 - As pessoas passarão a maior parte
do tempo na realidade virtual imersiva

Transporte

2019 - Carros autônomos serão comuns

2029 - Motoristas humanos serão proibidos

Alimentação

2016 - Food Ink é o 1º restaurante com
comida feita a partir de impressoras 3D

2049 - Nanotecnologia irá produzir “floglets” -
criação de qualquer estrutura a partir do ar,
inclusive comida.

Medicina

2016 - Prótese Biônica controlada pela mente

2029 - Sensores permitem atendimento médico à distância

Como tudo o que a web já mudou, a música não escapou ilesa. As interações entre real e virtual caminham para um estado em que se torna difusa a demarcação entre uma esfera e a outra. Entramos, agora, na era da HIPERCONEXÃO em todo o mundo – estima-se que em 2020 teremos 6 bilhões de pessoas conectadas, o equivalente a 66% da população mundial, o que significa 2/3 da humanidade instrumentalizada e com poder de ação por meio da rede.

Entramos na era da

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Estes números não podem ser subestimados. Ao contrário: revelam o terreno fértil de alcance de participação e engajamento das pessoas. Esse poder está ao alcance das mãos, principalmente por meio dos smartphones — e isso implica no fortalecimento da sociedade em rede e:

+ CONEXÕES + INTERAÇÕES + FLUXOS + TROCAS + VELOCIDADE + AUTONOMIA = MAIS PESSOAS PRODUZINDO E DISSEMINANDO CONTEÚDO

O eixo da mudança está entre o aumento na quantidade de informação trocada e a aceleração nesse processo de troca. Uma pesquisa da SINTEF, empresa norueguesa de pesquisa científica e industrial, aponta que, entre 2012 e 2013, criou-se mais dados do que em toda a história da humanidade até então. No contexto da tecnologia exponencial, com a proximidade do final da década esse crescente volume de informações tem ganhado proporções ainda maiores.

Essas mudanças são alimentadas, em grande parte, pela velocidade com que as informações atualmente rodam pelo mundo. Há quase duas décadas, seria impensável imaginar que uma música pudesse vazar para todo o mundo antes de seu lançamento oficial. Atualmente, isso é algo recorrente e até esperado pelos fãs e temido pelos artistas e suas gravadoras.

Uma condição fundamental para o aumento na quantidade e velocidade das trocas está na ideia de desmaterialização do conteúdo, uma característica que tem influenciado intensamente a nossa relação com o que escolhemos ouvir.

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A produção e o consumo de música já não dependem de instituições centralizadoras e controladoras. Se antes toda a cadeia criativa em torno dos lançamentos musicais girava em torno do poder das gravadoras e da engrenagem dos rankings de sucesso e da mídia, atualmente a descentralização barateia o acesso e estimula a produção – a principal consequência disso é que nunca se produziu e ouviu tanta música.

Com a indústria descentralizada, novos artistas surgem e interagem com o público de forma dinâmica, rápida e sem intermediários. A aproximação entre público e artistas e o aumento na velocidade do consumo e da reação da audiência impactam diretamente a criação e produção musical.

Criadores de fluxos ininterruptos de canções e estilos, artistas conquistam seu lugar ao sol de forma independente, o que resulta em liberdade criativa para quem produz e para quem consome. O mundo da música via STREAMING é um mundo em plena revolução.

Fã-clubes e comunidades dedicados a artistas nunca foram tão grandes e organizados como os de hoje, graças à internet e às redes sociais. Do outro lado, os músicos têm mais ferramentas para se comunicar com seu público, especialmente fora dos palcos. O interesse pela pessoa por trás do artista acompanha o fenômeno de desmistificação dos ídolos, um comportamento também observado no mundo dos esportes.

Para além das relações humanas, a desmaterialização da música também emancipa a distribuição da produção física e o tempo entre lançamento e surgimento de um hit se torna muito curto. O digital, a partir do streaming, inaugura a era da abundância musical.

A cultura da abundância musical significa:

PARA O PÚBLICO: RECEPTIVIDADE MUSICAL
Com curadoria musical automatizada, o fluxo de busca se tornou mais vasto e heterogêneo. O público tem mais acesso às novidades e está mais aberto ao que é inédito e menos corriqueiro.

PARA A INDÚSTRIA: FIM DO CONTROLE
A indústria perde o controle e as críticas convencionais não conseguem identificar onde nasce cada novidade. Isso potencializa a proatividade dos atores do mercado.

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Do lado dos artistas, isso influencia diretamente o modo como a música é produzida — há mais autonomia e uma apropriação das tecnologias digitais de produção. O lema do “faça você mesmo” resgata o caráter original do trabalho artístico e possibilita que artistas em diferentes estágios da carreira se mostrem ao público. O universo do streaming passa a funcionar como um grande banco de dados de acesso direto às obras, quer seja por meio de áudio ou até mesmo de vídeo, como no caso da exploração de playlists ou canções isoladas no YouTube.

Música e tecnologia se localizam em meio a movimentos experimentais. Por isso, há muito em comum no processo de surgimento de novidades tecnológicas e musicais – uma busca incessante de produzir novos timbres ou novas formas de ordenação de ruídos por meio de técnicas inovadoras. Isso sempre esteve presente ao longo da evolução humana, não só no sentido de criar novos protagonistas, mas também de dar novos significados aos sons e objetos técnicos já existentes. Por isso, novas técnicas também promovem novas estéticas musicais e, quando associadas às formas diversas de conectividade, como o streaming, geram meios que ressignificam e amplificam o consumo.