Ouvir música no celular, tablet ou computador por meio de serviços de streaming, hoje, significa ter acesso facilitado a uma infinidade de repertórios combinados a diferentes fluxos de humores e eventos. A soma do que as pessoas querem ouvir, quando e onde resulta em uma nova forma de consumo de música baseada na customização inteligente e na praticidade de seleção e descoberta.

Por possuírem os direitos de reprodução das músicas, esses serviços contribuíram para que os usuários aos poucos mudassem seus hábitos: fazer download ilegal de discografias inteiras, comum nos anos 2000, está ficando para trás. Tornou-se mais prático utilizar os serviços de streaming, em suas versões gratuitas ou pagas, do que baixar uma música ou disco e transferi-lo para um dispositivo em que possa ser reproduzido, possivelmente com perda de qualidade sonora. Em contrapartida, os serviços de streaming de música tornaram-se a principal fonte de renda do setor, ultrapassando as vendas físicas. Parece que o jogo virou!

“Eu procuro nos serviços de streaming músicas que sirvam de trilha para encontros com amigos, com a família, e que sejam variáveis de acordo com os diferentes climas que eu quero criar, sem limite de opções. Não quero ter trabalho para escolher!”

(Bruna, 26 anos, estudante).

A partir dos próprios hábitos registrados em rede, as pessoas começam a buscar conteúdos selecionados de acordo não apenas com seu gosto pessoal, mas com emoções e situações específicas (os moods). Informações decodificadas alimentam as engrenagens dos algoritmos por trás dos serviços de streaming de música. Assim, esse consumo demonstra a força dos próprios usuários que criam as listas de músicas (playlists) por trás do robô que seleciona os dados. Essa seleção é aprendida pelo algoritmo, que tenta replicá-la ao organizar as músicas para cada pessoa com base em dados como:

Gostos: os estilos e artistas favoritos das pessoas

Espaço: de onde as pessoas acessam as plataformas

Tempo: em que momento do dia ou em qual dia da semana as músicas são tocadas

Repetições: número de vezes que uma música é tocada

Rejeições: número de vezes que uma música é pulada ou interrompida

Preferências: quais músicas são salvas pelo usuário

Disponibilidade: o tempo despendido ouvindo música

Perfil: a faixa etária e o gênero do usuário

Acesso: a opção de uso pago ou gratuito

A curadoria especializada dos editores dos serviços de streaming é certamente um dos pontos fortes ao apresentar seleções e novas músicas — agrada a um público massivo que está migrando para o streaming, mas que considera exaustivo navegar por acervos de milhões de músicas. Justamente por sua praticidade, a preferência por playlists já é apontada como causa de uma futura substituição da lógica dos álbuns pelas listas customizadas.

Concorrência e inovação

No mercado digital, a concorrência e a busca pela atenção do público consumidor estimulam a inovação e a criação de serviços cada vez mais direcionados às demandas dos usuários. Os serviços de streaming mais populares oferecem desde playlists customizadas até fluxo de combinações de listas de músicas e vídeos:

1. Spotify

O Spotify é um dos serviços de streaming mais populares do mundo. Entre os diferenciais, certamente estão as playlists criadas tanto pelos editores da plataforma, com a ajuda dos algoritmos, quanto dos próprios usuários. Mais de 400 playlists elaboradas pelo time do Spotify, que geram 1 bilhão de streams por semana, tornaram a tarefa de descobrir novas músicas e artistas mais fácil e, de certa forma, passiva. Uma playlist baseada nos hábitos de escuta de música, com 30 músicas escolhidas por um algoritmo, é lançada toda segunda-feira (Descobertas da Semana), um diferencial em relação aos competidores. O sistema é tão inteligente que já é possível antecipar quais canções se tornarão hits com meses de antecedência com base em informações valiosas sobre em quais playlists a música foi incluída, número de vezes em que foi executada, versões diferentes criadas, etc. Até mesmo a página inicial de Browse (Navegar) influencia, de país para país, a repercussão das listas. Criar a playlist de sucesso se torna uma atividade complexa que envolve desde a escolha da arte da capa, o título, a descrição e a escolha do primeiro bloco de músicas.

 

2. Deezer

No Deezer, serviço francês com forte presença no Brasil, a lógica do flow (fluxo) funciona como diferencial diante dos competidores no mercado de streaming. No Deezer, o modo flow oferece playlists e recomendações personalizadas e diárias com base no gosto musical das pessoas, que músicas do catálogo Deezer são mais escutadas, quais músicas o usuário diz que ama ou detesta e as escolhas de gênero e artista feitas pelo usuário ao se registrar na plataforma. Já as playlists incluem categorias como “Inspirado por” – três a cinco playlists, cada uma delas correspondendo a um gênero – ou “Explore” – com novas músicas escolhidas para agradar o ouvinte. As playlists “Inspirado por” são atualizadas todos os dias com 40 recomendações de músicas. A playlist “Explore” é atualizada a cada terça-feira com 40 músicas novas. O Deezer também oferece um recurso competitivo, o Song Catcher, para detectar músicas no ambiente e adicioná-las nas playlists do usuário. O recurso deve reconhecer cerca de 53 milhões de músicas; basta que estejam tocando ao redor do usuário, permitindo que as faixas reconhecidas sejam adicionadas às favoritas ou às playlists e, em seguida, reproduzidas.

 

3. YouTube

O YouTube, com suas playlists gratuitas, ainda funciona como uma plataforma elementar de curadoria musical. Entre os pontos fortes, as sugestões são similares à música que está tocando no momento, permitindo um serviço de streaming cheio de possibilidades. Os vídeos oficiais das playlists da plataforma Vevo, que disponibiliza conteúdo exclusivo de três grandes gravadoras (Universal, Sony Music e Warner), podem ser organizados tanto em listas dos próprios usuários como por meio de reprodução automática de clipes e apresentações em alta qualidade. Da mesma forma, como qualquer pessoa pode fazer upload no YouTube, o conteúdo ultrapassa os vídeos oficiais e inclui também conteúdos gerados pelos usuários, como remixes, versões ao vivo, covers e muito mais. Muito desse conteúdo não é encontrado nos outros serviços de streaming, um diferencial do YouTube.O YouTube também lançou sua própria plataforma de streaming de música, com o app YouTube Music, que ainda não está disponível no Brasil. O aplicativo permite a reprodução tanto dos vídeos quanto dos áudios das versões de estúdio, mas ainda sem a complexidade dos algoritmos do Spotify, embora recomende canções não somente de acordo com os hábitos, mas também com os horários do dia e a localidade, com ajuda do Google Assistant.

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MÚSICA É O VERBO DO FUTURO
Experimentações de artistas e do público indicam o futuro da música e fazem da tecnologia a trilha sonora dos nossos dias

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Por possuírem os direitos de reprodução das músicas, esses serviços contribuíram para que os usuários aos poucos mudassem seus hábitos: fazer download ilegal de discografias inteiras, comum nos anos 2000, está ficando para trás. Tornou-se mais prático utilizar os serviços de streaming, em suas versões gratuitas ou pagas, do que baixar uma música ou disco e transferi-lo para um dispositivo em que possa ser reproduzido, possivelmente com perda de qualidade sonora. Em contrapartida, os serviços de streaming de música tornaram-se a principal fonte de renda do setor, ultrapassando as vendas físicas. Parece que o jogo virou!

“Eu procuro nos serviços de streaming músicas que sirvam de trilha para encontros com amigos, com a família, e que sejam variáveis de acordo com os diferentes climas que eu quero criar, sem limite de opções. Não quero ter trabalho para escolher!”

(Bruna, 26 anos, estudante).

A partir dos próprios hábitos registrados em rede, as pessoas começam a buscar conteúdos selecionados de acordo não apenas com seu gosto pessoal, mas com emoções e situações específicas (os moods). Informações decodificadas alimentam as engrenagens dos algoritmos por trás dos serviços de streaming de música. Assim, esse consumo demonstra a força dos próprios usuários que criam as listas de músicas (playlists) por trás do robô que seleciona os dados. Essa seleção é aprendida pelo algoritmo, que tenta replicá-la ao organizar as músicas para cada pessoa com base em dados como:

Gostos: os estilos e artistas favoritos das pessoas

Espaço: de onde as pessoas acessam as plataformas

Tempo: em que momento do dia ou em qual dia da semana as músicas são tocadas

Repetições: número de vezes que uma música é tocada

Rejeições: número de vezes que uma música é pulada ou interrompida

Preferências: quais músicas são salvas pelo usuário

Disponibilidade: o tempo despendido ouvindo música

Perfil: a faixa etária e o gênero do usuário

Acesso: a opção de uso pago ou gratuito

A curadoria especializada dos editores dos serviços de streaming é certamente um dos pontos fortes ao apresentar seleções e novas músicas — agrada a um público massivo que está migrando para o streaming, mas que considera exaustivo navegar por acervos de milhões de músicas. Justamente por sua praticidade, a preferência por playlists já é apontada como causa de uma futura substituição da lógica dos álbuns pelas listas customizadas.

Concorrência e inovação

No mercado digital, a concorrência e a busca pela atenção do público consumidor estimulam a inovação e a criação de serviços cada vez mais direcionados às demandas dos usuários. Os serviços de streaming mais populares oferecem desde playlists customizadas até fluxo de combinações de listas de músicas e vídeos:

1. Spotify

O Spotify é um dos serviços de streaming mais populares do mundo. Entre os diferenciais, certamente estão as playlists criadas tanto pelos editores da plataforma, com a ajuda dos algoritmos, quanto dos próprios usuários. Mais de 400 playlists elaboradas pelo time do Spotify, que geram 1 bilhão de streams por semana, tornaram a tarefa de descobrir novas músicas e artistas mais fácil e, de certa forma, passiva. Uma playlist baseada nos hábitos de escuta de música, com 30 músicas escolhidas por um algoritmo, é lançada toda segunda-feira (Descobertas da Semana), um diferencial em relação aos competidores. O sistema é tão inteligente que já é possível antecipar quais canções se tornarão hits com meses de antecedência com base em informações valiosas sobre em quais playlists a música foi incluída, número de vezes em que foi executada, versões diferentes criadas, etc. Até mesmo a página inicial de Browse (Navegar) influencia, de país para país, a repercussão das listas. Criar a playlist de sucesso se torna uma atividade complexa que envolve desde a escolha da arte da capa, o título, a descrição e a escolha do primeiro bloco de músicas.

 

2. Deezer

No Deezer, serviço francês com forte presença no Brasil, a lógica do flow (fluxo) funciona como diferencial diante dos competidores no mercado de streaming. No Deezer, o modo flow oferece playlists e recomendações personalizadas e diárias com base no gosto musical das pessoas, que músicas do catálogo Deezer são mais escutadas, quais músicas o usuário diz que ama ou detesta e as escolhas de gênero e artista feitas pelo usuário ao se registrar na plataforma. Já as playlists incluem categorias como “Inspirado por” – três a cinco playlists, cada uma delas correspondendo a um gênero – ou “Explore” – com novas músicas escolhidas para agradar o ouvinte. As playlists “Inspirado por” são atualizadas todos os dias com 40 recomendações de músicas. A playlist “Explore” é atualizada a cada terça-feira com 40 músicas novas. O Deezer também oferece um recurso competitivo, o Song Catcher, para detectar músicas no ambiente e adicioná-las nas playlists do usuário. O recurso deve reconhecer cerca de 53 milhões de músicas; basta que estejam tocando ao redor do usuário, permitindo que as faixas reconhecidas sejam adicionadas às favoritas ou às playlists e, em seguida, reproduzidas.

 

3. YouTube

O YouTube, com suas playlists gratuitas, ainda funciona como uma plataforma elementar de curadoria musical. Entre os pontos fortes, as sugestões são similares à música que está tocando no momento, permitindo um serviço de streaming cheio de possibilidades. Os vídeos oficiais das playlists da plataforma Vevo, que disponibiliza conteúdo exclusivo de três grandes gravadoras (Universal, Sony Music e Warner), podem ser organizados tanto em listas dos próprios usuários como por meio de reprodução automática de clipes e apresentações em alta qualidade. Da mesma forma, como qualquer pessoa pode fazer upload no YouTube, o conteúdo ultrapassa os vídeos oficiais e inclui também conteúdos gerados pelos usuários, como remixes, versões ao vivo, covers e muito mais. Muito desse conteúdo não é encontrado nos outros serviços de streaming, um diferencial do YouTube.O YouTube também lançou sua própria plataforma de streaming de música, com o app YouTube Music, que ainda não está disponível no Brasil. O aplicativo permite a reprodução tanto dos vídeos quanto dos áudios das versões de estúdio, mas ainda sem a complexidade dos algoritmos do Spotify, embora recomende canções não somente de acordo com os hábitos, mas também com os horários do dia e a localidade, com ajuda do Google Assistant.

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