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Entra e sai

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PORNOGRAFIA, EU?

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O PAPEL DO PORNÔ

O tempo passa, o sexo não sai de moda, mas mudam as formas de experimentá-lo. Hoje as pessoas são mais exigentes, buscam mais estímulos e maneiras de saciar as vontades. A ideia da satisfação imediata é essencial e a mentalidade erótica contemporânea incorpora o pornô ao cotidiano e se adapta à variedade de meios em que pode ser consumido. Na privacidade do lar ou no exibicionismo público das telas dos celulares, o interesse por conteúdo adulto assume relevância e se torna um hábito cada vez mais comum e democrático.

ESTE CONTEÚDO É PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS: a advertência padrão para a exibição de pornografia já funciona como gatilho para instigar a imaginação, como um convite para adentrar um mundo diferente do usual. O pornô sempre desafiou as convenções sociais e o puritanismo, sempre competiu com outros tipos de conteúdo pela atenção dos espectadores. A busca é por inspiração, contemplar, realizar fantasias e saciar desejos, descobrir e apimentar o relacionamento, aprender novas posições ou simplesmente eliminar as frustrações do cotidiano.

No menu de possibilidades para o entretenimento adulto, o limite é o que cabe na imaginação, que se expande das cenas dos filmes ao exibicionismo em redes sociais. No ambiente das redes e nos aplicativos de interação instantânea, o pornô sacia motivações diversas e reflete transformações sociais na nossa relação com o sexo e a sexualidade.

Historicamente, em Atenas, há cerca de 2500 anos, as representações de sexo e nudez já eram apreciadas pelo público: as ruas eram decoradas com estátuas de corpos definidos e nas casas as cenas eróticas enfeitavam vasos e outros objetos. A imaginação sexual corria livremente associada, inclusive, ao sagrado – em procissões, famílias erguiam peças fálicas como imagens sacras e cantavam hinos com palavras sugestivas. Após os eventos, muita gente ia para casa celebrar Dionísio, deus do vinho. Pode-se dizer que, em diversos contextos da história, os tipos de expressões ligadas ao sexo sempre representaram uma espécie de fuga do real, uma vontade de acessar fantasias e de descarregar frustrações do cotidiano metódico e repressivo.

De lá para cá, com as mudanças de comportamentos na sociedade e a evolução das mídias, a pornografia passou por diversos formatos de mediação. Os estímulos continuam os mesmos, mas as formas de saciar os desejos acompanham os avanços tecnológicos e as maneiras de dialogar com o mundo – se antes as secretárias eletrônicas permitiam gravar mensagens sugestivas, hoje o WhatsApp viabiliza a interação em tempo real com fotos, vídeos ou videochamadas e a pornografia on demand permite um consumo extremamente segmentado.

O conteúdo adulto está inserido de maneira tangível na vida das pessoas e se consolidou como uma grande indústria nos anos de 1970, quando um contexto de mundo que favorecia a liberdade sexual contribuiu para o mercado reverberar comercialmente até hoje.

MAS COMO ESSA INDÚSTRIA SE ADAPTOU AO PASSAR DAS DÉCADAS?

pornografia através dos tempos

Golden Age - De 1970 até meados dos anos 80

A maioria dos críticos especializados considera o período que abrange mais ou menos o final dos anos 70 até a metade dos anos 80 como o mais significativo da indústria pornográfica americana, epicentro do gênero para o resto do mundo. É um período de auge criativo e de lucratividade pela distribuição dos filmes em grande escala.

Nesse período, as grandes telas do cinema se tornam o principal meio de difusão do pornô em locais públicos.

Quanto ao conteúdo, a indústria pornográfica não economiza e produz filmes com estrutura, sonoplastia e imagens dignas de filmes de artes marciais e musicais. As cenas de sexo eram sempre produzidas para a câmera, com grande uso de efeitos sonoros e um fluxo narrativo secundário. Apesar das histórias serem um pano de fundo para a ação de sexo explícito acontecer, elas possuíam uma estrutura e era comum que tivessem alguma mensagem de caráter transgressor.

Fast Forward Age - De meados de 1980 até final dos 90

A partir de meados dos anos de 1980, uma nova tecnologia muda a forma de assistir à pornografia. Com a chegada do VHS, acontece uma ampliação na distribuição e comercialização dos filmes. É nessa época que a pornografia começa a ser consolidada da maneira como a conhecemos hoje – fragmentada, acelerada, íntima e controlada pelo espectador – e vai para dentro de casa, criando um espaço de proximidade entre o conteúdo e as pessoas.

O fluxo narrativo, por outro lado, cede espaço aos atos sexuais propriamente ditos. O VHS e, mais para o final desse período, o DVD permitiram o direito do público, no seu espaço privado, de interromper a linearidade do fluxo narrativo e desfrutar do número sexual, ou ainda de forma mais específica, de uma determinada parte deste número.

Open Porn Age - De 2000 até 2010

A massificação da internet. Nesse boom, a pornografia modelou e foi remodelada pela world wide web. Com o mundo cada vez mais conectado e digital, a indústria pornográfica cresceu ainda mais. Houve uma proliferação de gêneros, subgêneros e categorias, cada qual explorando fetiches e práticas sexuais específicas. Essa é a época em que a grande indústria da pornografia começa a perder espaço com o aumento da oferta da internet e, mais ainda, da banda larga, protagonistas na sua difusão. A grande vantagem de se consumir conteúdo pornográfico na internet passa a ser a imaterialidade, o não rastro.

Por que esconder revistas e fitas, se é possível simplesmente apagar históricos ou usar abas anônimas em um computador?

Nesse sentido, a internet faz com que o conteúdo pornográfico se torne continuamente presente na vida das pessoas. Quem já assistia encontra mais possibilidades de assistir. Quem não assistia passou a assistir. Com a facilitação da disseminação, novos nichos e gêneros pornôs ganham visibilidade e a possibilidade de fragmentação narrativa aumenta ainda mais.

Aesthetic Age - 2010 - ATÉ HOJE

A era da cultura pornográfica. Se um conteúdo existe, existe também a sua versão pornô que pode ser assistida em todo e qualquer tipo de tela. Da televisão ao mobile, coexistência é a palavra de ordem e cada tela tem a sua função.

Mobile
O celular trouxe mobilidade e a viralização para a pornografia (principalmente através de grupos de WhatsApp). No entanto, assistir no celular é abrir mão da qualidade dos vídeos, da imagem (tamanho) e do conforto.
Tablet
Se nos últimos anos o tablet parecia restrito ao universo infantil, hoje vemos uma sobrevida no contexto da pornografia, principalmente por ser um formato intermediário entre a televisão e o celular: a imagem é maior, mas ainda assim a mobilidade não é perdida.
Computador
É o principal device da pornografia via internet e o meio que mais permite ao espectador estar no controle do que ele realmente quer assistir.

Televisão
De todos os meios, é ela quem traz a sensação de segurança para o consumo de pornografia. Além disso, continua sendo o meio preferido de casais. Dentro do quarto ela tem a função de ser o "terceiro elemento". A percepção geral é de que a TV não acompanhou os avanços tecnológicos do universo pornográfico.

A partir dessa variedade de acesso, a cultura se apropria com liberdade da linguagem e dos códigos do conteúdo adulto: da arte ao humor, o pornô funciona para fins diversos. Hoje, por mais que a pornografia ainda seja vista como produto de um submundo, ela está conectada com os assuntos mais contemporâneos. Muitos produtores de conteúdo pornográfico são guiados por questões prementes no debate contemporâneo:

  • Ethical PornPreocupação com a cadeia de produção pornográfica do início ao fim.
  • Olhar feminino: novos ângulos de filmagem, narrativas mais complexas para a pornografia.
  • CoolnessCelebridades e pessoas comuns desmistificam a nudez com discursos de liberação do corpo. A cultura de massa aprovou a tendência dos nudes.
  • The Real PornUnanimidade na preferência por filmes mais reais (para além dos reality shows), principalmente se bem produzidos. A sensação do “poderia ser eu” nessa história.

Na era atual da indústria pornográfica, a diversidade do público influencia a oferta das produções – a premissa é: tudo para todos. Pode-se dizer que há uma exigência maior feminina em relação a um enredo envolvente, estética e o "pornô higiênico", mas não há divisão do público entre mulheres-erótico e homens-explícito.

Alguns dados devem ser considerados para compreender essa análise sobre oferta e demanda do entretenimento adulto – pode-se afirmar que, mesmo nos tempos atuais, o consumo de pornografia ainda não é equilibrado em termos de gênero, idade e classe. Majoritariamente, o consumidor de sexo explícito tem perfil masculino, diferentemente do consumidor de erótico/sensual que é equilibrado entre os gêneros. O acesso à tecnologia ou estar comprometido também são fatores que podem influenciar o acesso.

Com base em 1.130 entrevistas realizadas com homens e mulheres das classes ABC, com 18 anos ou mais, residentes em cinco regiões metropolitanas brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Curitiba), chegamos à conclusão de que o perfil demográfico é jovem (58% têm menos de 35 anos) e apresenta alta qualificação escolar.

Independentemente do estado civil, a pornografia está presente na rotina de solteiros e de comprometidos. Estar com alguém não impede o consumo de conteúdo adulto – pelo contrário. A maior parte das pessoas está comprometida: com base nas entrevistas realizadas, cerca de 2/3 são casados ou estão namorando.

Sem dúvidas, o acesso à internet e a popularização do uso de aparelhos celulares abriram as portas para o mundo da pornografia digital, fácil, acessível e indiscriminada – ou seja, o público do pornô é altamente conectado: quase 100% dos entrevistados possuem celular e o acesso à internet móvel é alto. E mais: estes mesmos fatores possibilitaram produzir e compartilhar os próprios conteúdos pornográficos – a fase das sex tapes “vazadas” deu lugar aos vídeos amadores filmados com o celular e às nudes trocadas pelo prazer exibicionista.

Para entender o que leva as pessoas a buscar o pornô é preciso entender que esse tipo de expressão nasce da repressão de um desejo e permite a criação de um simulacro da experiência. A pornografia funciona, por essa ótica, como pílulas de estímulo. Para além do status quo e do conforto do sexo conhecido, dá vazão às fantasias, desejos, frustrações e permite viver o prazer livre que hoje se concretiza em imagens.

Nesse universo tão rico em conteúdo, existem diversos motivadores de consumo de pornografia: aprender, sentir prazer livre e individual, proporcionar a criação compartilhada e ser válvula de escape em casos de desilusão, solidão ou carência.

De todos estes, contudo, o APRENDIZADO é um dos principais drivers de busca pela pornografia. As pessoas consomem o pornô para aprenderem, através da observação passiva, como podem agir no sexo do mundo tangível.

QUEM ACESSA PORNOGRAFIA?

Mergulhamos no estudo sobre o comportamento dos consumidores com alto envolvimento com pornografia e identificamos cinco perfis relacionados ao consumo de conteúdo pornô. Identificados os comportamentos, segmentamos os predominantes:

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Para as pessoas entrevistadas, o universo de sensações atribuídas à pornografia revela diversos anseios: desde optar pelos clássicos do pornô, festa e orgia, acompanhar lançamentos e os melhores da internet, até preferir ambientações românticas ou exóticas ou ainda gozar na velocidade dos vídeos de curta duração em lugares comuns e inesperados.

#STATUS PORN
PORNOGRAFIA DIFERENCIADA, ANTENADA E COOL

"Gosto de pornografia porque é legal me imaginar em algum ato que talvez não consiga fazer ou ser, isso permite viajar e estimular desejos maiores do que já tenho."
ROSANA, 41 ANOS

O consumidor deste perfil é vaidoso e deseja o status do saber pornográfico. Busca uma pornografia diferenciada e é afetado por todas as ondas de modismo sobre o assunto.

Valoriza filmes clássicos, com temáticas contemporâneas, ou filmes do circuito de cinema com cenas fortes - e falar com propriedade sobre o assunto faz parte da construção de sua persona libertária que explora os prazeres do corpo.

Assiste sozinho, para se inteirar do universo, e acompanhado, para mostrar seu repertório e conhecimento do assunto, e, claro, para explorar os prazeres do corpo. Por ser vaidoso, quer se ver como parte da história que assiste, ele se projeta na tela da TV ou do computador. Por isso, o conteúdo pornográfico deve ser, acima de tudo, esteticamente agradável.

#PORNOGRAFICAMENTE CORRETO
PORNOGRAFIA SEDUTORA E ERÓTICA, PARA ALÉM DO ATO SEXUAL

"Geralmente assisto acompanhado. Nos comparamos aos atores e buscamos melhorar sempre."
ANTONIO, 63 ANOS

O usuário deste perfil preza pela discrição e quer ser seduzido pelo conteúdo. Ele vê a pornografia como um meio de melhorar o clima das relações sexuais entre quatro paredes.

Vê qualidade nos vídeos que tenham uma boa produção, mas que tragam inspiração e uma pitada a mais para que saiam da rotina e não experimentem apenas sexo pelo sexo.

Para esse público, a pornografia é um complemento importante na vida sexual. Por isso, são pessoas que gostam de assistir acompanhadas para se excitar e apimentar a relação. Poucas vezes assistem sozinhos, normalmente quando precisam relaxar. Não gostam de sexo por sexo, acham vazio e sem sentido. Dessa forma, valorizam muito filmes que são menos “ginecológicos” , que têm um olhar mais “feminino” , mas não são menos explícitos. Querem a beleza que seduz e o mistério que provoca. Querem um conteúdo para além da pornografia.

Costumam utilizar mais a televisão do que a internet. Pornografia com filtro, num ambiente de segurança.

#FAST PORN
PORNOGRAFIA DE FÁCIL ACESSO E INSTANTÂNEA

"Assisto pornô porque gosto de sacanagem e adoro sexo! Sem contar que não posso fazer com minha esposa tudo que vejo e gosto no pornô, ela é mais careta nesse sentido."
ROGERIO, 38 ANOS

Os integrantes deste grupo são práticos, querem a pornografia como companheira para servir ao desejo sempre que ele aparecer. Por isso, qualidade é acesso e quantidade. Às vezes encontram coisas boas, às vezes ruins — o importante é não deixar a fonte secar!

Costumam assistir mais sozinhos do que acompanhados. Além disso, procuram instantaneidade e são mais ativos na busca, principalmente pela questão da conveniência: querem ter acesso em todas as telas, de maneira fácil e rápida.

A pornografia é companheira em qualquer device, mas o celular ganha destaque por estar conectado a todo momento e em qualquer lugar.

São práticos e sociáveis. Assim, usam o conteúdo pornográfico para rir, socializar, sentir tesão e se aliviar. Não são pessoas que pagariam por qualidade e diferenciação de conteúdo. Mesmo assim, valorizam a qualidade técnica e a produção bem-feita dos vídeos.

#NARCISO DAS TELAS
PORNOGRAFIA COMO ESTILO DE VIDA QUE VALORIZA O PRAZER

"Assisto porque gosto, assim como gosto de beber cerveja. Assisto há muito tempo, às vezes até sinto falta. Eu gosto do realismo – aquilo não é mentira, é verdade!"
GABRIEL, 30 ANOS

Esse público é eclético e libertário, vive a pornografia de maneira natural. Ela está incorporada nele e no seu cotidiano - inclusive, muitas vezes, ele assiste só por assistir e não com alguma função específica.

É um heavy user disseminador: tem vocabulário, repertório, diretores, atores e produtores preferidos, conhece nomes de filmes, faz coletâneas dos melhores vídeos que já viu e busca constantemente novidades no mercado. Mesmo assim, acha difícil falar sobre o tema e não usa esse saber pornográfico para ter status ou popularidade em algum meio. Ele fala com as pessoas que sente vontade para falar.

Assiste sozinho, acompanhado, entre amigos, em festas…

Quer explorar ao máximo as possibilidades da experiência pornográfica. Dessa forma, está aberto ao conhecimento e a interatividade. Pornografia de qualidade em qualquer suporte para qualquer tempo disponível, especialmente no computador e no celular. Ele sabe encontrar o que quer, onde quer.

É o perfil que mais está ligado em produções caseiras e amadoras. Está suscetível a diferentes formatos de vídeos como Tumblr e gifs, entre outros, e também a conteúdos que instigam o desejo de continuar assistindo: como teasers e conteúdos seriados.

#OCASIONAL
PORNOGRAFIA É ALGO ESPORÁDICO.

"Só vejo pornô se estiver carente ou entediado."
João, 27 ANOS

O Ocasional cita vários meios pelos quais consome pornografia. Menos do que os demais, mas não tão distanciado como parece ser quando se fala de comportamento. Consumidor da TV, de canais de linha, do que tiver à mão. Não vai buscar e nem se programar.

Independentemente do perfil de cada pessoa, os gostos ativados pelos tipos de conteúdo adulto se diversificam para acompanhar as questões da vida moderna. Na imaginação, tudo é possível! O pornô é popular e democrático porque ajuda a transformar a fantasia em realidade, instiga e alimenta os estímulos de prazer para dar vazão à pulsão sexual de cada um. Hoje, inúmeros são os canais e as mídias para se consumir conteúdo adulto, por onde homens e mulheres buscam abrir suas mentes e redescobrir a vida. Ao consumir pornografia, eles buscam se tornar mais fortes, confiantes e explorar suas personalidades de maneiras mais profundas. Num futuro não muito distante, quem sabe até a autoexpressão ligada ao culto da própria imagem e o exibicionismo erótico serão tipos de habilidades valorizadas de forma unânime pela sociedade... Fato é que hoje vivemos em um contexto onde tudo está disponível e existem muitas oportunidades – O prazer é seu!