Na Finlândia, e em muitos lugares do mundo, crianças sequer entendem o que significa o termo assédio escolar, nem o que na verdade significa Kiva Koulu ou “escola divertida” em finlandês. Mas nada impõe limites ao programa antibullying praticado em 90% das escolas na Finlândia – o modelo de ensino elaborado por pesquisadores da Universidade de Turku já está em vigor em outros países (Itália, Holanda, Estados Unidos, Reino Unido e Espanha), onde crianças começam a entender um ideal simples capaz de mudar o mundo: ganha-se em equipe.

O MAIS IMPORTANTE É QUE O PROFESSOR ESTEJA REALMENTE ATENTO. QUE OBSERVE SE OS GAROTOS ESTÃO FORA DO GRUPO E NÃO TÊM AMIGOS, APRENDA A CONHECÊ-LOS E PROPICIE GRUPOS SEGUROS, EM QUE TODOS SE SINTAM A SALVO.”

– ANN-CHARLOTTE AHL QUIST, PROFESSORA ESPECIALISTA EM KIVA

A reportagem produzida pelo Jornal El País, descreve as quatro estratégias do programa Kiva Koulu:

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O importante é que o professor realmente conheça e esteja atento aos alunos. Que observe se as crianças estão isoladas e aprenda a conhecê-los para introduzí-los aos grupos onde se sintam seguros e confiantes.

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O terreno da escola não é fechado, não há segurança na entrada, um sistema automático de tranca das portas de entrada, de maneira que só se possa entrar no edifício no horário especificado. Seis recreios por dia garantem plena diversão e lazer monitorados pelos professores.

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É importante que as crianças façam coisas divertidas e que possam trabalhar em grupo. No grupo todo mundo sente que é importante e aprende a valorizar o outro – “Nas minhas aulas, não tolero que ninguém ria do outro por ser diferente ou fazer algo errado”, diz a professora de matemática Minttu Alonen.

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Qualquer coisa que se detecte é comunicada à equipe de professores. Se for considerada grave, os pais serão avisados; se for “muito séria”, essa chamada é imediata. “Não esperamos até o dia seguinte, nem à semana seguinte. O que é importante deve ser resolvido rápido. Não podemos fechar os olhos, é preciso estar alerta o tempo todo”, explica a diretora Maarit Paaso.

TODOS DIFERENTES,
TODOS IGUAIS, TODOS MELHORES

Na Finlândia, praticamente não existem escolas privadas, o ensino é quase inteiramente público e gratuito e, portanto, todos os alunos têm acesso ao mesmo currículo. Os livros e material escolar são gratuitos, assim como o transporte para os que moram longe, além de que a escola proporciona uma refeição quente diária, acesso à assistência médica e de dentista e aconselhamento psicológico, quando necessário. Todas as escolas finlandesas também oferecem lanche gratuito às crianças, permitindo assim que eles tenham energia suficiente para se concentrarem em suas aulas.

Estudos confirmam que alunos de escolas finlandesas são tranquilos, sensatos e felizes, leem muitos livros, jogam no computador, andam de patins, de bicicleta, compõem músicas, produzem obras de arte, cantam e vivem bem. Não sofrem de estresse à noite e nem têm pesadelos. Não querem crescer rápido para se livrarem dos deveres e não querem deixar de frequentar a escola.

Segundo levantamento com 30 mil estudantes entre 7 e 15 anos, o modelo adotado, desenvolvido na Universidade de Turku, no sudoeste do país, chegou a eliminar completamente o bullying em até 80% das escolas e reduziu a prática em outras 20%. A chave do KiVa seria que, diferentemente das metodologias tradicionais, que trabalham com as vítimas e os responsáveis pelo bullying, o programa também incorpora as “testemunhas", como descreve a matéria publicada pelo canal BBC.

Sabemos que a realidade da metodologia do ensino finlandês se distancia bastante da maioria das escolas brasileiras. Muitas instituições de ensino brasileiras ainda possuem longos desafios a contornar, sobretudo na maneira de aprimorar o comportamento dos alunos sobre a visão de respeito às diferenças. Um dos grandes desafios de educadores e diretores das escolas é reduzir casos de bullying entre crianças e adolescentes. Uma metodologia trazida da Europa e compartilhada recentemente pela UNICAMP em um curso de convivência ética propõe que os próprios estudantes atuem no combate ao problema. A metodologia é bastante eficaz, segundo Viviane Gonçaves Passarini, diretora do Colégio Xingu, em Santo André, no ABC Paulista. Viviane implantou no início de 2018 uma rede de ajuda formada por alunos escolhidos por eleição. Eles receberam treinamento para mediar conflitos, dialogar, perceber problemas de convivência e identificar atritos ou bullying pela internet.

Em busca de desvendar o segredo, se é que existe, no sucesso da educação finlandesa, o Brasil, já há algum tempo, tem voltado os olhos para lá. Profissionais brasileiros vão para a Finlândia, o quanto especialistas finlandeses vêm ao Brasil para contar as experiências. Em maio de 2018, a diretora do Ministério da Educação e Cultura da Finlândia, Jaana Palojärvi, esteve em São Paulo no Seminário Internacional sobre o Sistema de Educação na Finlândia, que aconteceu no Colégio Rio Branco.

Fontes:

“Coisas que deveria saber ou não”, This is Finland (2018)

“O bem-sucedido projeto antibullying que a Finlândia está exportando à América Latina”, BBC (2017)

“Assim funciona um colégio antiassédio”, El Pais (2016)

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“O MAIS IMPORTANTE É QUE O PROFESSOR ESTEJA REALMENTE ATENTO. QUE OBSERVE SE OS GAROTOS ESTÃO FORA DO GRUPO E NÃO TÊM AMIGOS, APRENDA A CONHECÊ-LOS E PROPICIE GRUPOS SEGUROS, EM QUE TODOS SE SINTAM A SALVO.”

– ANN-CHARLOTTE AHL QUIST, PROFESSORA ESPECIALISTA EM KIVA

A reportagem produzida pelo Jornal El País, descreve as quatro estratégias do programa Kiva Koulu:

O importante é que o professor realmente conheça e esteja atento aos alunos. Que observe se as crianças estão isoladas e aprenda a conhecê-los para introduzí-los aos grupos onde se sintam seguros e confiantes.

O terreno da escola não é fechado, não há segurança na entrada, um sistema automático de tranca das portas de entrada, de maneira que só se possa entrar no edifício no horário especificado. Seis recreios por dia garantem plena diversão e lazer monitorados pelos professores.

É importante que as crianças façam coisas divertidas e que possam trabalhar em grupo. No grupo todo mundo sente que é importante e aprende a valorizar o outro – “Nas minhas aulas, não tolero que ninguém ria do outro por ser diferente ou fazer algo errado”, diz a professora de matemática Minttu Alonen.

Qualquer coisa que se detecte é comunicada à equipe de professores. Se for considerada grave, os pais serão avisados; se for “muito séria”, essa chamada é imediata. “Não esperamos até o dia seguinte, nem à semana seguinte. O que é importante deve ser resolvido rápido. Não podemos fechar os olhos, é preciso estar alerta o tempo todo”, explica a diretora Maarit Paaso.

TODOS DIFERENTES,
TODOS IGUAIS, TODOS MELHORES

Na Finlândia, praticamente não existem escolas privadas, o ensino é quase inteiramente público e gratuito e, portanto, todos os alunos têm acesso ao mesmo currículo. Os livros e material escolar são gratuitos, assim como o transporte para os que moram longe, além de que a escola proporciona uma refeição quente diária, acesso à assistência médica e de dentista e aconselhamento psicológico, quando necessário. Todas as escolas finlandesas também oferecem lanche gratuito às crianças, permitindo assim que eles tenham energia suficiente para se concentrarem em suas aulas.

Estudos confirmam que alunos de escolas finlandesas são tranquilos, sensatos e felizes, leem muitos livros, jogam no computador, andam de patins, de bicicleta, compõem músicas, produzem obras de arte, cantam e vivem bem. Não sofrem de estresse à noite e nem têm pesadelos. Não querem crescer rápido para se livrarem dos deveres e não querem deixar de frequentar a escola.

Segundo levantamento com 30 mil estudantes entre 7 e 15 anos, o modelo adotado, desenvolvido na Universidade de Turku, no sudoeste do país, chegou a eliminar completamente o bullying em até 80% das escolas e reduziu a prática em outras 20%. A chave do KiVa seria que, diferentemente das metodologias tradicionais, que trabalham com as vítimas e os responsáveis pelo bullying, o programa também incorpora as “testemunhas", como descreve a matéria publicada pelo canal BBC.

Sabemos que a realidade da metodologia do ensino finlandês se distancia bastante da maioria das escolas brasileiras. Muitas instituições de ensino brasileiras ainda possuem longos desafios a contornar, sobretudo na maneira de aprimorar o comportamento dos alunos sobre a visão de respeito às diferenças. Um dos grandes desafios de educadores e diretores das escolas é reduzir casos de bullying entre crianças e adolescentes. Uma metodologia trazida da Europa e compartilhada recentemente pela UNICAMP em um curso de convivência ética propõe que os próprios estudantes atuem no combate ao problema. A metodologia é bastante eficaz, segundo Viviane Gonçaves Passarini, diretora do Colégio Xingu, em Santo André, no ABC Paulista. Viviane implantou no início de 2018 uma rede de ajuda formada por alunos escolhidos por eleição. Eles receberam treinamento para mediar conflitos, dialogar, perceber problemas de convivência e identificar atritos ou bullying pela internet.

Em busca de desvendar o segredo, se é que existe, no sucesso da educação finlandesa, o Brasil, já há algum tempo, tem voltado os olhos para lá. Profissionais brasileiros vão para a Finlândia, o quanto especialistas finlandeses vêm ao Brasil para contar as experiências. Em maio de 2018, a diretora do Ministério da Educação e Cultura da Finlândia, Jaana Palojärvi, esteve em São Paulo no Seminário Internacional sobre o Sistema de Educação na Finlândia, que aconteceu no Colégio Rio Branco.

Fontes:

“Coisas que deveria saber ou não”, This is Finland (2018)

“O bem-sucedido projeto antibullying que a Finlândia está exportando à América Latina”, BBC (2017)

“Assim funciona um colégio antiassédio”, El Pais (2016)

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