QUANTAS TRAVESTIS E PESSOAS TRANS VOCÊ CONHECE E ADMIRA?

 

A segunda temporada do programa TransMissão, apresentado por Linn da Quebrada e Jup do Bairro, estreia em junho no Canal Brasil. O talkshow propõe a criação conjunta de pensamento entre as apresentadoras – travestis, pretas, que usam principalmente a palavra como ferramenta de transformação – e convidades.

Jup do Bairro reforça que pessoas trans sendo entrevistadoras de programa são exceções: “Não se trata de uma evolução na mídia tradicional. Acho complicado falar de ‘evolução’. Quando as pessoas trans receberem os mesmos valores de pessoas cis, tiverem a mesma demanda de contratações, aí sim poderemos considerar que estamos evoluindo. Se por um lado é intrigante ver o pioneirismo de pessoas trans, como aquelas que conseguem um doutorado com nome social; se é uma primeira pessoa trans na câmara dos deputados ou na literatura, isso é um momento de orgulho, mas também de preocupação. Se a gente for parar pra pensar, os avanços são contraditórios.”

E Linn da Quebrada complementa: Essas são só algumas de muitas outras pessoas inspiradoras espalhadas por aí nesse mundo a fora. Aproximem-se de nós, nos contratem, criem vínculos reais e de proximidade não só com pessoas trans artistas ou com algum tipo de legitimidade, mas com aquelas que também estão próximas e que você finge que não vê, e assim, permitam que a dádiva da vida e da dúvida te atravesse. Se chaves são capazes de abrir portas e portões, travas abertas são capazes de abrir portais.

Confira abaixo uma lista de 10 mulheres indicadas por seus trabalhos, compromissos e força transformadora.

Sempre estivemos aqui – mas talvez agora, só agora, que você parou para nos escutar. E curiosamente percebeu que temos muito a oferecer.

Neon Cunha

Publicitária, diretora de arte e mulher transgênero.

Perfil

A terceira filha mais velha de uma família de dez filhos, Neon relata o apoio e afeto recebidos de sua mãe, faxineira, a quem revelou aos dois anos e meio de idade que era uma menina. Sofrendo bullying desde os três anos de idade, Neon encontrou num grupo de mulheres negras a força para seu processo de identificação. Neon Cunha se tornou uma das maiores vozes do Brasil na luta sobre despatologização das identidades de pessoas trans.

Fala, Neon!

“Foi nesse núcleo de mulheres negras que lapidei a minha existência.”

 

Siga a Neon: @neoncunha
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Alice Guel

Cantora, compositora e modelo.

Perfil

Musicista, multi-artista, livre e plural. Sua obra aborda de assuntos cotidianos a temas complexos, funcionando como veículo de questionamento social e diálogo e criando uma cultura onde todos possam viver em comunhão. Sua carreira como cantora começou em 2017 com o álbum “Alice no País que Mais Mata Travesti”.

O que te move?

“O anseio de dizer e expor as verdades não ditas sobre os corpos transvestigeneres negras.”

 

Vem seguir a @aliceguel_

Erica Malunguinho

Educadora, artista plástica e política brasileira.

Perfil

Em 2018, Erica Malunguinho elegeu-se deputada estadual por São Paulo, sendo a primeira mulher transexual da Assembléia Legislativa de São Paulo. Erica é mestra em estética e história da arte pela Universidade de São Paulo e criadora da Aparelha Luzia, um espaço para fomentar produções artísticas e intelectuais na capital paulista.

Com a fala, Erica:

“Se queremos mudar o rumo da história, temos que mudar a própria história. Porque a história já é ela mesma acontecendo, no agora. Revoluções são coisas pequenas que crescem a medida que transformam.”

 

Acompanhe a @ericamalunguinho

Glamour Garcia

Atriz, formada em artes cênicas na Universidade Estadual de Londrina e em artes do corpo na PUC de São Paulo.

Perfil

Glamour nasceu em Marília com o nome de batismo Daniel, mas segundo ela, desde pequeno se sentia uma mulher dentro de um corpo masculino. É filha do empresário de eventos José Aparecido Machado e da psiquiatra Valéria Garcia Caputo. Em 2017, revelou ao programa “Liberdade de Gênero”, exibido no GNT, que começou a se depilar aos 10 anos e fez o tratamento com hormônios a partir dos 20. Em 2019, viveu a transexual Britney na novela das nove A Dona do Pedaço, no qual lhe rendeu o troféu de Atriz Revelação no Melhores do Ano de 2019, sendo ela a primeira trans a vencer a premiação.

Abre aspas da Glamour

“Por muito tempo fomos silenciadas e nossos corpos e pensamentos nem eram levados em questão. Na verdade, acredito que essa ainda seja a regra, infelizmente. Mas a nossa presença dentro de um programa de televisão tem sido muito importante para que possamos tensionar esses espaços e criar diálogo.”

 

 

Quer seguir, @? Vem! @glamourgarcia

Amara Moira

Escritora, professora e doutora em crítica literária pela Unicamp.

Perfil

Experiências na escrita, na arte de transcrever-se em versos inversos que fazem todo sentido, nos fazendo sentir. E você, já leu alguma obra escrita por uma pessoa trans? Podemos te dar uma dica? A Amara Moira construiu um relato autobiográfico sobre sua transição e as experiências como profissional do sexo no livro "E se eu fosse puta?". E não para por aí, além de escritora Amara também é professora de literatura. Já pensou que privilégio ter aula com uma puta professora dessa?

Diga, Amara:

“Expostas em revistas e vídeos pornográficos sempre de forma a ressaltar tanto o genital com que nascemos quanto o paradoxo que é a presença do mesmo num corpo percebido como de mulher, esse mesmo genital sendo também o atributo que mais requisitam de nós na prostituição e, ao mesmo tempo, aquilo que impede o reconhecimento efetivo de nossas identidades nessa sociedade.”

 

Siga a @amoiramara

Maria Clara Araújo

Pedagoga e afrotransfeminista.

Perfil

Educadora decolonial em formação, faz parte da Mandata Quilombo ao lado da nossa deputada Erica Malunguinho, disseminando suas pedagogias da travestilidade com textos e pensamentos muito pertinentes.

Abre aspas da Maria:

“Pensar em quilombo, pensar pessoas negras vivendo em coletividade e enxergar a transfobia inserida em nossos espaços e vidas, é refletir sobre como os processos coloniais nos afetaram e incutiram em nossas práticas diárias atos de violência – coloniais – que desumanizam, inclusive, nossos iguais.”

 

Vem seguir: @mariaclaraaraujodospassos

Ventura Profana

Missionária e pastora das travestis.

Perfil

Nós não poderíamos deixar de lembrar aqui da nossa pastora, missionária, cantora, escritora, decompositora, performer e artista visual, cuja doutrina nos inspira à desobediência sagrada. Filha da Bahia e profetiza das multiplicações. Tudo posso naquela que me fortalece. Que nossas canções ecoem por aí e se tornem profecias.

Fala, Ventura!

“As que confiam na travesti
São como os montes de Sião, que não se abalam
Mas permanecem para sempre”

 

Vem seguir, @! @venturaprofana

MC Dellacroix

Multiartista e rapper.

Características da líder:

Perfil

MC Dellacroix é preta, periférica, travesti, multiartista e voz emergente do queer rap nacional. Vinda da periferia de Campinas, lançou seu primeiro single, ”QUEBRada”, em 2017. Seu trabalho propõe discussões importantes sobre racismo, transfobia, homofobia e exclusão social.

Com a voz, MC Dellacroix:

O “Nós não só queremos dominar a música, como todos os espaços. A luta é pra que humanizem as identidades trans para que as pessoas nos vejam também como seres humanos e que todos os espaços também são nossos. Acho que a gente vai chegar lá quando uma travesti não ficar famosa porque faz arte, mas sim porque é talentosa.”

 

Acompanhe a @mcdellacroix

Danna Lisboa

Cantora, compositora, dançarina, atriz e mulher trans arteira.

Perfil

Danna Lisboa, com suas melodias e batidas vibrantes que fluem entre o rap, hiphop e pop. Importante porta-voz no combate à transfobia, a artista tem em seu currículo, além da produção musical que começou com o single “Trinks”, dois filmes, sendo um deles “Cidade Neon”, que rendeu o prêmio de melhor atuação no Festival Film Works.

O que diz Danna:

“Ideias conservadoras segregadoras não cabem nesse diverso de corpos de experiências de vidas em movimentos. Acredito que a arte num todo traz a nossa reflexão à tona e nos faz melhor como pessoas, transforma, reforma e informa.”

 

Vem seguir: @dannalisboa

Castiel Vitorino Brasileiro

Mestranda em psicologia clínica na PUC-SP.

Perfil

Artista visual, macumbeira e psicóloga mestranda em formação, que vem pesquisando e inventando relações em que corpos não-humanos se desprendem das amarras da colonialidade. Compreende a macumbaria como uma forma para que a fuga aconteça e nossos corpos se encontrem.

Diga, Castiel:

“Olho pra minha pele e sorrio ao perceber que, mesmo sendo atravessada por racismos, ainda sou apaixonada por ela; minha pele negra que, como um manto sagrado, de proteção e combate, cobre todo meu corpo.”

 

Que tal seguir, @? Clique: @castielvitorino

Texto Linn da Quebrada e Jup do Bairro / Imagens Matilda.my, Divulgações, Caroline Lima, Gabriel Renné e V. Monteiro

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