O avanço exponencial da tecnologia tem revelado ao mundo uma gama de possibilidades de criação, veiculação e consumo de música. Ouvir uma canção torna-se porta de entrada para diversas experiências e criação de hábitos. Do desenvolvimento de gadgets e do consumo consciente até a versatilidade de uso dos algoritmos, conheça nove transformações que estão reconfigurando funcionalidades e comportamentos na relação entre humano, máquina e música.

1. Videoclipe como bandeira:
Imagem e mensagem

O videoclipe se consolida não só como a exposição audiovisual e extensão do conceito e das referências veiculadas nas músicas, mas também como oportunidade de utilizar a capilaridade da rede para posicionar o artista no mundo, expor suas opiniões e posicionamentos a respeito de assuntos e pautas atuais.

2. Algoritmo consciente:
sugestões filtradas

Os filtros passam a direcionar o consumo de música a conteúdos que se conectam aos valores dos ouvintes, tirando da programação, por exemplo, canções de teor machista, homofóbico ou racista. O projeto Música Machista Popular Brasileira luta pela retirada de músicas machistas dos catálogos digitais, limpando das bibliotecas o que será recomendado ao público.

3. Desligando as recomendações:
a volta das rádios

Com a volta do entretenimento em tempo real, as plataformas digitais estão se tornando incubadoras para um novo tipo de rádio, que usa a funcionalidade do live streaming 24/7. A facilidade de acesso ajuda: nos Estados Unidos, até 42% da população consome músicas on-line via streaming, principalmente usando dispositivos móveis. Ao contrário da rádio tradicional, as estações on-line não decidem quais músicas devem ser escutadas: elas listam todas as músicas disponíveis e permitem que o ouvinte escolha suas faixas favoritas.

4. Funcionalidades na ponta da orelha:
a vez dos hearables

Novidades na tecnologia de speakers e hearables ganham destaque no consumo de música. Amazon, Apple, e Google estão desenvolvendo hearables que podem, entre tantas possibilidades, monitorar passos e consumo de oxigênio, cancelar barulho de background, amplificar a voz de uma pessoa específica em um ambiente e conversar com alguém em outra língua através de tradução simultânea.

5. Meio humano, meio máquina

As festas de live coding (codificação ao vivo) são um fenômeno recente na cultura underground da música eletrônica. Os DJs usam computadores para sintetizar sons individuais em seu computador e, em seguida, instruem um software a amarrar os sons instrumentais juntos com base em um conjunto de regras predefinidas. O que sai tem a impressão digital do artista, mas é moldado inteiramente pelos algoritmos – e o público visualiza os códigos através de projeções em vídeo. Os eventos que surgiram para celebrar esta forma de composição já ganharam até nome: as algoraves.

6. Novas experiências:
imersão 360 e proliferação do ao vivo

Videoclipes filmados em 360 graus e adequados para Realidade Virtual (RA) começaram a ganhar notoriedade a partir de 2015, liderados por marcas como Sony, Samsung e Google. Além dos clipes, as demandas sensoriais passaram a tocar o ambiente da experiência ao vivo com as possibilidades apresentadas pelas tecnologias de RV e Realidade Aumentada (RA).

7. Inteligência Artificial:
composição de música personalizada

As recomendações e sugestões partem para uma nova frente: além de usar toda biblioteca on-line disponível, começam a criar músicas completamente do zero, feitas exclusivamente para cada indivíduo.

8. Social music:
a música dentro das redes sociais

Compartilhar gostos musicais é uma maneira de criar curadoria personalizada de conteúdo e descobrir novas músicas e amigos. Serviços de streaming de música e outros aplicativos têm buscado aliar a lógica da interação social com o consumo de música. Por outro lado, artistas, marcas, festivais de música e plataformas de notícias estão fazendo uso de aplicativos de mensagens no Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp para se envolverem diretamente com o público, gerando novos canais de engajamento.

9. Mais do que música:
popularização dos audiobooks e podcasts

A explosão de audiobooks e podcasts posiciona smartphones e conteúdo em áudio como novos canais primários de conteúdos sonoros. Nos últimos anos, a Audible (Amazon) lançou diversas obras em áudio. Com outras centenas em estágio de produção, a marca também está encomendando monólogos e diálogos encenados, além de desenvolver áudios originais com a atriz Reese Witherspoon. Já os podcasts vêm aumentando sua popularidade a ponto de ganharem adaptações para TV e cinema.

Arte: Gabriela Costa /  Imagens: iStock by Getty Images, Unsplash, MMPB, AdAge e Disquiet / Texto: Renato Barreto

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