Os predicados do velho chavão “homem que é homem...” começam a ser questionados e reinventados de formas mais inclusivas e plurais. O crescente interesse pelo tema da Nova Masculinidade reverbera graduais transformações na forma como os homens lidam com pressões e estereótipos de gênero, colocando em xeque hábitos e padrões de comportamento.

De acordo com o Dossiê Brandlab: A Nova Masculinidade e os Homens Brasileiros, baseado em pesquisa do Google BrandLab São Paulo com homens de 25 a 44 anos, as ideias em torno desse tema começam a lentamente permear o debate nos lares brasileiros, em consonância com o avanço dessa discussão em outros países.

Entre os temas problematizados por essa tomada de consciência está a chamada masculinidade tóxica, ainda desconhecida da maior parte dos homens brasileiros. A masculinidade tóxica se alimenta de preceitos que desde muito cedo contaminam a educação dos meninos e que se estendem à vida adulta. Ideias como “homem não chora”, “homem não precisa se cuidar”, “homem tem que ser valente”, entre outras, têm sido questionadas por seu caráter opressor sobre homens e mulheres.

porcentagem
Dos homens brasileiros
entre 25-44 anos

nunca ouviram falar
em “masculinidade tóxica”

Font: Google Consumer Surveys Abril 2018

Sob a lógica da masculinidade tóxica, o machismo, por exemplo, como substrato da conjugação de todos esses ditames, passa a ser encarado com naturalidade e como um falso outro lado da moeda em relação ao feminismo, numa distorção de pautas e demandas. Dessa forma, a igualdade de gênero e a diversidade vêm na esteira desses questionamentos.

Debaixo do tapete

A pressão dos ideais de masculinidade socialmente difundidos alimenta o segundo mundo dos homens, no qual medos e insegurança são mantidos em segredo. Como resultado, cuidados com saúde física e mental e até a própria integridade física, diante da obrigação de manter a figura de macho imbatível, são negligenciados, aumentando os efeitos colaterais da masculinidade tóxica pela pressão da virilidade inquestionável. Os dados são alarmantes: os homens se suicidam mais do que as mulheres, de acordo com o Mapa da Violência Flasco Brasil, e são os que mais morrem em decorrência da violência (IPEA).

Os que mais

se suicidam

Os homens se suicidam
quase 4x mais
do que
as mulheres no Brasil

Font: Mapa da Violência Flasco Brasil

OS QUE MAIS

MORREM

Eles ainda são os que
mais morrem pela violência

10x mais homens morrem
vítimas da violência
do que as mulheres

Font: IPEA, Atlas da Violência 2017

Nesse sentido, a internet abre espaço para que essas pautas sejam discutidas e difundidas. O termômetro de popularidade dos blogs e canais do YouTube que tratam dessas questões aponta para o interesse do público pelo tema.

Uma iniciativa disponibilizada online para elevar a conscientização a respeito da igualdade de gênero e questionar velhos padrões de masculinidade prejudiciais a homens e mulheres, é o documentário "Precisamos falar com os homens?", uma iniciativa da ONU Mulheres, que aprofunda a discussão e estabelece um caminho possível para o diálogo e o reposicionamento social.

Em apoio à ONU Mulheres, o canal GNT abraçou a campanha #ElesPorElas para contribuir com a conscientização pública da importância do empoderamento feminino e a igualdade de direitos entre homens e mulheres. A campanha é uma versão brasileira do #HeForShe - movimento já conhecido mundialmente.

Para ajudar a disseminar a causa, o canal promoveu diversas ações, como chamadas nos intervalos da programação do GNT e dos canais Globosat; um site dedicado ao movimento para a produção de informações sobre o tema; e divulgação da campanha nas redes sociais do canal com compartilhamento de informações sobre o engajamento de personalidades e apresentadores do GNT, além de publicações de incentivo à adesão e apoio do público.

Campanhas como a #ElesPorElas, dessa forma, demonstram que a aceitação e o reconhecimento dos benefícios de uma sociedade igualitária, por parte da população masculina, são fundamentais.

Nesse sentido, ao tencionar os limites impostos por estereótipos opressores, a Nova Masculinidade naturaliza outras formas possíveis de expressão da masculinidade, mais diversas e livres de preconceitos e, acima de qualquer coisa, humanas. Essa ressignificação, contudo, está apenas começando.

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