Se você não vai até o show, o show vai até você. A partir dessa premissa, a experiência dos shows ao vivo transmitidos on-line (live streaming) com o auxílio da tecnologia de realidade virtual (RV) ultrapassa as pistas e arquibancadas e alcança o espectador onde quer que ele esteja.   

As estatísticas de streaming ao vivo explodiram em 2017, graças em parte a todas as plataformas sociais e outras empresas que investiram nesse recurso. Toda essa atenção não é à toa: esse formato de transmissão de conteúdo está em alta:

80%
dos consumidores preferem assistir a um vídeo ao vivo de uma marca do que ler um blog

82%
preferem vídeos ao vivo a atualizações escritas nas redes sociais

Fonte: Live Video Streaming Statistics: Audience Behavior (2018)

No Brasil, as transmissões de eventos ao vivo por streaming começam a atrair o público – e a tendência de crescimento é vista com otimismo pelos players do setor. Segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), mais de 98% da população brasileira possui um celular, o que representaria uma porta aberta para a imersão nesse novo tipo de transmissão de conteúdo on-line. No contexto esportivo, em que o live streaming já vem disputando espaço com a TV tradicional, os números revelam um mercado em crescimento.

Durante a Libertadores, a maior audiência de jogos do Flamengo foi de

24,7 milhões
em transmissão televisiva

versus

8,7 milhões
de visualizações pelo Facebook

Fonte: EXAME

Já a edição de 2019 da Virada Cultural, realizada em maio na capital paulista, contou com uma novidade: o evento foi transmitido ao vivo gratuitamente pela SPCine Play, plataforma pública de streaming, via Looke, concorrente brasileiro da Netflix. 

A transmissão de vídeos em tempo real na internet, porém, não é novidade. A popularidade recente pode ser atribuída às melhorias na tecnologia e à proliferação dos smartphones. Aplicativos de streaming ao vivo, como o Periscope e o Snapchat, iniciaram a onda, especialmente entre o público mais jovem, e o Facebook Live, recurso de live streaming da maior rede social do mundo, aprofundou ainda mais o interesse do público – desde sua estreia em 2016, o recurso teve 3,5 bilhões de transmissões. E esses números tendem a crescer: dados da pesquisa Greenlight Insights 2017 mostraram que 65% dos consumidores entrevistados estavam interessados em eventos ao vivo.

O futuro é virtual

No contexto do entretenimento musical, a experiência da transmissão de shows ao vivo on-line está alcançando um novo patamar com a incorporação das tecnologias de realidade virtual (RV). Na intersecção entre a refinada tecnologia de RV e a experiência orgânica e visceral de um show ao vivo, as pessoas podem experimentar a energia de uma apresentação mesmo sem estarem fisicamente presentes no local do show.

Desde o ressurgimento de hardwares de RV há alguns anos, os provedores de conteúdo têm buscado criar maneiras de encantar e engajar esse público em ascensão. Os shows ao vivo em escala maior do que a vida ocuparam esse nicho justamente por proporcionarem a imersão em um tipo de evento marcado pela multissensorialidade em 360o.

Assistir ao show, ouvir a música, sentir a presença do público.

Além disso, o ponto de vista também é privilegiado: como as câmeras geralmente são posicionadas no palco, os espectadores não apenas assistem ao show, como o vivenciam do ponto de vista dos artistas, além de terem acesso exclusivo aos bastidores antes e depois do início das apresentações.

De olho nesse mercado, recentemente o Facebook adquiriu a Oculus VR, responsável por criar o Oculus Rift, dispositivo de imersão em RV. Com isso, os planos da rede social, entre outras coisas, é proporcionar experiências de imersão de alta definição, como assistir a um show ao vivo genuinamente – embora, na realidade, o evento esteja ocorrendo em algum lugar diferente de onde o usuário está naquele momento (em pé ou sentado, na rua ou no conforto do lar). E essa demanda tem surgido do próprio público: pesquisa recente da Consumer Technology Association, nos Estados Unidos, apontou que as sugestões mais populares dos consumidores para conteúdo de RV eram justamente shows, esportes e exercícios. 

A Live Nation, produtora de eventos em escala global, e a NextVR, empresa de transmissão de eventos ao vivo em RV, já vem transmitindo uma série de shows utilizando essa nova tecnologia. Os investimentos nessa área e a oferta de serviços e opções só tendem a crescer.

Uma transmissão ao vivo é uma oportunidade de interação humana nas duas pontas e uma conexão real por meio dos dispositivos tecnológicos. Com a incorporação da realidade virtual, o compartilhamento da experiência genuína ao vivo expande ainda mais essa noção. A gente não quer só ao vivo; a gente quer ao vivo e ser transportado no conforto de qualquer lugar.

Arte e ilustrações: Jordana Leite / Imagens: ProStock Studio / Texto: Renato Barreto

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