A disputa pela atenção do torcedor brasileiro está sendo travada entre telas: a da TV e a dos dispositivos digitais. Enquanto a televisão permanece como espaço privilegiado dos conteúdos ao vivo, recursos como os smartphones e banda larga oferecem canais de comunicação e interatividade que expandem a emoção dos esportes. Ao buscar investir nessa complementaridade, os players do setor buscam alcançar a audiência onde ela estiver – apesar dos entraves técnicos da internet brasileira.

Com a crescente adaptação e migração de hábitos para as telas de celulares, tablets e computadores, paciência virou artigo de luxo.

O imediatismo dos tempos atuais dá o tom das demandas por qualidade e velocidade de transmissão na internet e na TV. Na lógica on-demand, em que cada pessoa escolhe o que deseja assistir quando bem entender, as transmissões esportivas, pelo contrário, destacam-se como eventos de consumo em tempo real, mas também instigando a presença virtual paralela nas redes sociais.

Nesse contexto, os fãs de esporte são alguns dos principais usuários de segunda tela. Para aprofundar ainda mais o interesse, por esportes em geral ou pelo time preferido, aplicativos, blogs e as redes sociais representam canais de interação e troca de informações.

A pluralidade de presenças ocorre por meio de diferentes tipos de interação e uso de multitelas:


Sequencial

Tarefas são executadas em diferentes momentos na transição entre um dispositivo e outro.
Exemplo: ver um anúncio na TV e depois acessar o respectivo site ou baixar um aplicativo.


Simultâneo

Dispositivos diferentes são usados ao mesmo tempo.
Exemplo: comentar nas redes sociais sobre aquilo que está sendo visto na TV.

Em 2013, 63 milhões de brasileiros acessavam dois tipos de telas simultaneamente e cerca de 30 milhões usavam até três telas ao mesmo tempo, sendo a combinação mais comum a de TV e smartphone. Meia década depois, esses números aumentaram consideravelmente: 95% dos internautas brasileiros declararam assistir à TV enquanto usam a internet.

Brasileiros que assistem TV e navegam na internet ao mesmo tempo em 2018


    Nunca
    Às vezes
    Sempre

Fonte: Ibope Conecta (2018)

Enquanto assiste TV, navega na internet?



Fonte: Conecta Express

Redes sociais mais acessadas pelos brasileiros:

Fonte: Conecta Express

YouTube
60%

Facebook
59%

Whatsapp
56%

Instagram
40%

62%
das conversas sobre esportes nas redes sociais acontecem no Twitter

Fonte: Twitter Market Insights & Analytics | Ibope Repucom Sponsorlink BR Dez/17-Jan/18

Esse fenômeno, porém, reflete algo que já acontece em outros contextos de lazer esportivo: nos estádios, faz parte da experiência dos torcedores também permanecerem de olho no lance e no celular.

73%
das pessoas nos estádios usam o celular para registrar momentos do jogo por meio de fotos e mensagens

Fonte: TIM; Boletim Maquina do Esporte (2018)

52%
usam para mandar mensagens a amigos e familiares.
WhatsApp (61%) e Facebook (56%) são os canais favoritos

Fonte: TIM; Boletim Maquina do Esporte (2018)

No entanto, em alto e bom som – e caracteres – o público faz questão de expressar sua insatisfação quando a velocidade dos serviços consumidos não condiz com a expectativa e o investimento. Afinal, se estamos, de fato, na “era do streaming”, o que isso significa exatamente quando a comemoração do gol acontece primeiro na casa do vizinho antes de a informação chegar até você?

17,9 Mb/s
(megabytes por segundo) é a velocidade média da internet fixa no Brasil, sendo
40,7 Mb/s
(megabytes por segundo) a média mundial

Fonte: Comitê Gestor da Internet no Brasil (2018); Hootsuite e We Are Social (2018)

16,4 Mb/s
(megabytes por segundo) é a velocidade média da internet móvel no Brasil, sendo
21,3 Mb/s
(megabytes por segundo) a média mundial

Fonte: Comitê Gestor da Internet no Brasil (2018); Hootsuite e We Are Social (2018)

Por essa razão, com as duas experiências se tornando cada vez mais complementares (consumo de transmissão ao vivo na televisão e na internet), a barreira para muitos torcedores migrarem de vez para a transmissão via streaming acaba sendo a qualidade da conexão. Afinal...

...Ninguém quer ser o último a saber!

As redes sociais se tornaram o espaço espontâneo das reações e dos comentários. Pensando nisso, é natural que as pessoas fiquem frustradas quando os canais e as plataformas não convergem na mesma velocidade. No mundo ideal, o fato acontece ao vivo na TV e logo na sequência surge a repercussão on-line. Quando a transmissão acontece por distribuição digital (OTT), contudo, problemas de conexão atrasam essa lógica e o ímpeto de reação é retardado, irritando o consumidor.

A competição pela audiência entre as janelas tem acelerado o passo para melhorias nesse quesito. O conteúdo ainda detém a maior importância, porém a conveniência, o conforto e a velocidade passaram a ocupar um papel de destaque nessa disputa. O torcedor quer se divertir e se entreter, sem a irritação de algo interrompido ou que demora minutos para carregar.

Complementar, Compartilhar e Confirmar

O desafio agora é tornar a junção do ao vivo com o streaming uma experiência imbatível para o público que deseja consumir esportes na palma das mãos. As reclamações dos torcedores colocam em xeque a própria noção do que significa “ao vivo”, a partir das observações quanto ao atraso das transmissões (delay) mesmo para quem investe em boa qualidade de internet.

Ampliar a participação no mercado de streaming de mídia, especialmente em países altamente engajados com conteúdos esportivos, tem sido o foco de diversas empresas – embora o salto da qualidade ainda precise ser dado. 

Nesse sentido, após ser notificado pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) das reclamações em praticamente todos os países da América do Sul em relação à qualidade técnica da transmissão dos jogos da Copa Libertadores, o Facebook comprometeu-se a investir e monitorar a qualidade.

12,9 milhões
de telespectadores foram atingidos pelo Facebook em toda a América Latina com as transmissões dos jogos da primeira fase da Libertadores

Fonte: Fonte: Facebook (2019)

+10 milhões
de telespectadores, que corresponde a 42 pontos de audiência no Rio e 25 pontos em São Paulo, foi a audiência apenas na partida entre Flamengo e Emelec na oitavas de final da Libertadores.

Fonte: Globo (2019)

Por aqui, algumas equipes de primeira divisão já tiveram seus jogos transmitidos com exclusividade na plataforma. Ainda na simbiose entre TV e internet, os canais entram com a infraestrutura técnica e seu time de profissionais e plataformas de vídeos, como Facebook Watch, retransmitem ao público. Se o futuro da TV é o streaming, a união desses ecossistemas pode ser um caminho para que a transmissão de esporte digitalmente caia, de fato, no gosto popular.

Arte e ilustrações: Jordana Leite / Imagens: iStock for Getty Images / Texto: Renato Barreto

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