Foi-se o tempo em que os homens tinham rigidez nas escolhas vestuárias. Como reflexo dos debates sociais a respeito de identidades de gênero, códigos de comportamento engessados e atuações de vida mais sustentáveis, a influência na forma como o consumidor tem se comportado fica mais evidente. Marcas unificam desfiles, tamanhos e arriscam em tendências híbridas. Acompanhando as transformações sociais associadas principalmente ao feminismo e causas LGBTQ+, a moda enquanto reflexo social obrigou-se a ser revista.

As gerações Y e Z tem tido papel protagonista em demandar novas maneiras de relação com o consumo e alavancado nichos de mercado embasados na sustentabilidade e na diversidade de opções disponíveis.

''No Brasil, diversas marcas como Beira, Another Place, LED, Ben, Ocksa, entre outras, destacam-se no segmento apresentando grande diversidade de modelos, cores e tecidos, passíveis de agradar diferentes públicos em termos de estilo e preço.''

Fonte: Estudos em Design: A percepção da moda sem gênero na visão do público.2018.
Reprodução: Desfile Ocksa. Divulgação: Beira

A internet é um dos grandes aliados nessa mudança dos hábitos de consumo, na preocupação com sustentabilidade e formas de produção mais contextualizadas. Um reflexo disso tudo, o número exponencial de brechós e marcas autônomas vendendo roupas de segunda-mão, ampliando a oferta de produtos que muitas vezes são repaginados em processos de customização e upcycling. Esse movimento contribui na disseminação de novos estilos e comportamentos.

O consumidor foi além da passividade da compra, onde agora ele próprio influencia o que as marcas oferecem e a maneira como oferecem. 

Esse efeito tem ligação com o surgimento dos influencers digitais, associado com o acesso global à diferentes culturas e as novas demandas de consumo sustentável e representatividade. Um estudo da Millennial Branding mostrou a relação entre o consumo de informação nas redes e o reflexo desses conteúdos nas decisões de compra.

Geração Y e a influência das redes sociais

62%

dos entrevistados tendem a confiar mais em marcas engajadas

43%

consideram Facebook principal meio de influência, seguido do Instagram com 22% e do Pinterest com 12%

Fonte: Millenial Branding

Segundo um relatório do Sebrae, '' …(essa) nova forma de se vestir parte da necessidade da ''expressão do eu'' e não mais em estar dentro de normas. A velocidade com que as informações são enviadas mundo afora possibilitaram o número gigantesco de lojas virtuais, brechós e marcas autorais que reaproveitam peças. Esse movimento, inclusive, acontece paralelo à uma necessidade incontestável de individualização e destaque da maioria, de novo, alinhada com a interação online desses consumidores." (Fonte: Sebrae

Ao mesmo tempo que procura e inventa novas maneiras de consumir, o homem contemporâneo está aberto para a experimentação. Ainda que devagar, o guarda-roupa dito masculino tende a ficar menos pautado em códigos restritos a um papel social em questionamento e mais construído individualmente. Recentemente o apresentador e youtuber Caio Braz produziu uma série de vídeos em parceria com a C&A, intitulada ''Toda Roupa Pode'', onde junto com seus convidados, buscou mostrar que a roupa - principalmente pros homens - deixou de ser algo submetido à um ideal e passa a complementar o exercício da construção desse novo homem.

  • 50% dos homens preferem caçoar ou não comentar quando algum amigo muda de aparência. 
  • No último ano houve crescimento de 44% no número de views em vídeos relacionados à moda e beleza ditas masculinas.

Fonte: Dossiê Brandlab

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