A vida útil de um meme é imprevisível: ele pode nascer e morrer em 24 horas ou circular por dias a fio. Tudo depende da universalidade da mensagem, do nível de compartilhamento nas redes sociais e, claro, da relevância para uma pessoa ou um grupo de pessoas.

Mas de onde surgem os memes? Quem está por trás da criação e veiculação desses conteúdos capazes de unir imagem e texto de forma tão eficaz?

Uma das respostas são as comunidades e grupos on-line. Alguns dos memes mais populares da internet têm sua origem nos espaços de interação em grupos fechados e abertos do Facebook. Um dos mais populares é o LDRV, abreviação de “Lana Del Rey Vevo”, que já chegou a ter quase um milhão de fãs e se expandir para subgrupos paralelos alimentados por milhares de participantes.

inbonha

Tour da Inbonha, um dos memes-fenômeno clássicos do LDRV

Fundado pelo farmacêutico Ananias Neto, o Kaerr, em 2013, com a intenção de ter um grupo para postar tirinhas e memes próprios, o LDRV começou a ganhar uma dimensão gigantesca e a pautar a produção de memes no Brasil – criados pelos membros, mas com o crivo de qualidade dos moderadores do grupo.  O reconhecimento à importância do grupo se reflete nos espaços ocupados fora do ambiente virtual: o LDRV foi tema de palestra na última edição do Wired Festival Brasil, um dos principais eventos do país sobre inovação e tecnologia.

twitter-meme

Algumas publicações populares, chamadas de “tours”, chegaram a alcançar o topo dos trending topics do Twitter mundial e a envolver empresas como Nubank e Netflix em histórias populares nos grupos.

meme-nubank

Além de celeiro de memes, esses grupos também funcionam como espaço seguro de interação para a comunidade LGBTQIA+, que, além de compartilhar histórias pessoais e discutir cultura pop em geral, alavanca a popularidade de memes e cria um vocabulário próprio que aos poucos vai se infiltrando no léxico mainstream. Poc é um dos exemplos mais recentes.

poc

Outros páginas, como a South America Memes (SAM), criada em 2015, chegou a ter mais de 3 milhões de curtidas no Facebook e grupos coligados postando milhares de imagens e vídeos diariamente. A depender da popularidade da postagem, ela migra para a página principal.

SAM

Da mesma forma que no LDRV, os moderadores também têm papel ativo na triagem dos memes – dos milhares de memes recebidos diariamente, uma parcela pequena chega a ser aprovada. Diante da popularidade do grupo, a zuêra dos memes virou um negócio rentável

Já o Pandlr, centralizado num fórum on-line de mesmo nome, também se popularizou pela criação nonstop dos GIFs da Gretchen, além de exportar expressões e gírias criadas pelos usuários, a maior parte LGBTQIA+, para fora do grupo. Mas meme também é coisa séria. No fórum, existe até uma lista de memes vetados por terem se banalizado em outras comunidades digitais. Além disso, o filtro de qualidade busca barrar publicações racistas, sexistas e homofóbicas que venham a causar possíveis situações vexatórias.

gretchen

Se nos últimos anos os memes passaram a ser reconhecidos como o gênero textual da era digital por excelência, utilizados inclusive para chamar atenção a assuntos do cotidiano, muito disso se deve ao fluxo ininterrupto de criação memética promovido pelos grupos nas redes sociais. Do extinto Orkut ao Facebook, dos fóruns aos comunicadores instantâneos, esses espaços virtuais são o celeiro perfeito (e organizado) para a liberdade de criação e contribuição espontânea que alcança as massas. 

nazare

Arte: Jordana Leite / Imagens: iStock by Getty Images / Texto: Renato Barreto

leia-mais-vermelho
meme

in meme we trust
A cultura dos memes ultrapassa os limites do humor e passa a pautar as complexidades da nossa comunicação com o mundo

compartilhe