Desde 2012, a o transtorno de identidade do gênero foi removido da lista de doenças de saúde mental em muitos países no mundo. Pais de crianças que não se encaixam no padrão polarizado de meninos e meninas recebem o apoio de médicos e especialistas que não enxergam mais esse fenômeno como algo a ser consertado.

As leis e as comunidades atuais agora interpretam a identidade de gênero de uma maneira diferente: hoje trata-se de um fato real e humano. Na série de quatro episódios Quem Sou Eu, a repórter Renata Ceribelli conta histórias de transgêneros em diferentes fases da vida e ressalta a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual – o que a ciência já consegue explicar? “Ser transgênero é independente da orientação sexual: as pessoas transgênero podem se identificar como heterossexuais, homossexuais, bissexuais, pansexuais, assexuais etc, ou podem considerar os rótulos convencionais de orientação sexual inadequados ou inaplicáveis. Mas, a desinformação e o desconhecimento sobre o assunto geram muitos preconceitos e sofrimento para quem passa por essa situação”, responde a repórter.

“Pra mim, eu estava fantasiado de menino até 9 anos!"

afirma Melissa de 11 anos, que nasceu Miguel

Transgênero, no português brasileiro, são pessoas que têm uma identidade de gênero diferente de seu sexo atribuído. Ser uma criança transgênero traduz a ideia de não identificação com o gênero de nascença. O termo “trans” significa “além de”, ou seja, além do gênero. Mas, se hoje as discussões sobre as identidades de gênero estão mais difundidas na sociedade, isso não significa que alcançamos uma solução aos possíveis problemas que enfrentam as pessoas transgênero, principalmente para as crianças.

"Eles estão mais felizes do que nunca", diz pai americano em entrevista à Revista Crescer sobre seus dois filhos transgênero James, 11, e sua irmã mais nova, Olivia, 7, que moram na Califórnia e fizeram a transição quando tinham 8 e 5 anos. “A razão pela qual escolhemos levar à público nossa história é porque ter dois filhos transgêneros não é tão único, mas é muito difícil defender o segundo filho sem que pareça haver um problema em casa", disse Sara, mãe de James e Olívia. "Isso tende a cair na mãe, e recebo feedback que sou apenas cúmplice e apenas sentado aqui assistindo, o que não é verdade — eu sou um pai fiel e amo meus filhos", completou Ben. A família diz que compartilha a história com orgulho e esperança de combater o preconceito em torno de crianças trans. 

O problema, porém, é que as práticas de aceitação e tolerância à diversidade ainda não estão completamente difundidas, nem no Brasil nem no mundo. Entre as perguntas mais comuns, no contexto das crianças sem gênero, estão a definição de qual banheiro a criança vai usar, onde vai se trocar para a aula de educação física e que pronome os professores e colegas devem usar para chamar. Uma pesquisa americana realizada em 2010, pelo Centro Nacional pela Igualdade Transgênero, mostrou que 41% das pessoas transgêneros entrevistadas no país admitiram que já tentaram cometer suicídio. Mais da metade (51%) delas afirmou que sofreu bullying, assédio, agressão ou expulsão da escola por serem transgêneros.

Arte e ilustrações Jordana Leite / Imagens Ranta Images / Texto Gabriel Prates

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