15 de outubro é celebrado o Dia do Professor. Neste mês comemorativo, a plataforma Gente participa da mobilização especial que celebra os educadores brasileiros. 

#Nem1PraTrás.

É de conhecimento geral que a educação brasileira possui grandes desafios para atingir patamares satisfatórios. Nossa sociedade é fortemente impactada por políticas educacionais, ou pela falta delas. O ator que pavimenta as vias para o conhecimento e, consequentemente, para o desenvolvimento social e profissional, também sustenta o peso de um sistema educacional que carece de reformas, reconhecimento e investimento. No mês de outubro, que comemora a profissão do professor, reunimos dados que ajudam a compreender a atual situação da educação e o seu futuro no país.

Uma pesquisa realizada pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) demonstrou que é consenso que a educação é importante para o futuro do Brasil. Porém, ao mesmo tempo, a educação é vista como o principal problema do país para 31 milhões de brasileiros. Em resumo, nosso passaporte para um futuro melhor é a área onde mais temos dificuldade.

Uma das dificuldades mais expressivas é a falta da valorização de professores e professoras. Salomão Ximenes, coordenador do programa Ação na Justiça, da ONG Ação Educativa, afirmou em entrevista ao portal Nova Escola que “a desvalorização da carreira [do professor] esvazia o processo de formação inicial e diminui cada vez mais sua atratividade”, enfatizando que sem condições de estruturarem suas vidas, os docentes acabam por desistir das salas de aula.

Fonte: Pesquisa Profissão Professor 2018

Outro dado que exalta a desvalorização da profissão no país é de que, segundo o Global Teacher Status Index de 2018, a maioria da população – 88% – percebe os professores possuindo baixo status na sociedade. Além disso, segundo a mesma pesquisa, apenas 9% dos pais acham que os seus filhos respeitam os professores – a taxa mais baixa em todos os 35 países pesquisados – e somente 20% dos brasileiros encorajariam seus filhos a virarem professores. Esses indicadores manifestam um paradoxo estrutural de não reconhecimento da importância dos educadores na sociedade e na formação de cidadãos, o que acaba por impactar negativamente na própria performance do professor.

Fonte: Pesquisa Profissão Professor 2018

Fonte: Relatório Políticas Eficientes para Professores, da OCDE

A remuneração do professor

Os salários pagos aos professores é uma das características que expressam a desvalorização da categoria. Vigente desde 2009, a Lei do Piso estabelece um valor mínimo de de remuneração para a carreira docente. Porém, de acordo com dados da Nova Escola, apenas 12 estados do país cumprem a lei na sua totalidade. Mesmo quando o piso é pago, ele ainda pode não ser suficiente. Ao compararmos a remuneração de professores com outras atividades que também exigem diploma universitário, o valor recebido pelos docentes pode chegar a equivaler até a metade do salário inicial, como na comparação com engenheiros.

Fonte: Profissão Professor 2018

A sociedade, porém, apoia uma melhor remuneração para os professores. Segundo pesquisa da CNTE, 8 em cada 10 brasileiros acham que os professores deveriam ganhar mais, corroborando com a visão de 98% dos brasileiros que consideram que um bom salário para os professores torna o ambiente escolar melhor. Ainda segundo a pesquisa, professores qualificados e bem remunerados são fatores que fazem com que a educação seja de qualidade, atrelando o desenvolvimento educacional à valorização do professor.

O tempo do professor

Outro fator interligado à remuneração é o tempo desse profissional. Por não possuir um salário digno, professores necessitam lecionar em duas ou mais escolas, dificultando a continuação da sua capacitação e a estruturação de um plano de carreira.

“Se o professor ganhasse um bom salário, não precisaria trabalhar em duas ou três escolas. Isso interfere fortemente na qualidade das aulas, pois ele acaba não tendo tempo de prepará-las.”

Marcos Leandro de Abreu, professor de Matemática em São Paulo, em depoimento para a pesquisa da Nova Escola

Fonte: Profissão Professor 2018

Ampliando essa visão, a população brasileira não possui a percepção correta sobre a quantidade de horas que um professor trabalha. É isso o que demonstra o Global Teacher Status Index, noticiando que o público geral estima que os professores trabalham 39,2 horas por semana, quando, na verdade, os professores trabalham 47,7 horas. 

Além disso, novas definições de tempo também estão atingindo questões contratuais e impactando na estabilidade profissional e financeira dos professores. De acordo com o Censo Escolar 2018, um pouco mais de 500 mil professores no Brasil estão empregados em caráter temporário. Ou seja, são professores que não possuem a garantia que lecionarão depois de expirado o contrato, contribuindo para a fragmentação do projeto político-pedagógico e de maior insegurança entre a classe.

A contínua formação do professor

Em busca de um salário melhor e na tentativa de otimizar o seu tempo o melhor possível, o professor ainda deve estar sempre em formação, em caráter acadêmico e também no sentido amplo da palavra.

Fonte: Profissão Professor 2018

Um dado otimista é que, se tratando do ensino superior, o Brasil já cumpriu a meta do Plano Nacional da Educação (PNE) 2014-2024 que estabelece que 75% dos professores sejam mestres e 35% doutores. Porém, a realidade no ensino fundamental e médio não é tão animadora no que tange, especificamente, os professores: as metas que tratam da qualificação, plano de carreira e salário seguem distantes do ideal. 

Censo da Educação Superior

É preciso que haja uma formação contínua efetiva que se traduza na qualidade do ensino nas salas de aula. Nesse sentido, redes de educadores podem surgir a fim de promover maior apoio à pesquisa e aprimoramento da profissão entre colegas. De acordo com Ivan Gontijo, coordenador de projetos do Todos Pela Educação, são três os pontos a serem considerados na criação de programas de formação continuada em redes:

  1. Possuir referenciais específicos e um cronograma anual de encontros;
  2. Promover formação de coordenadores pedagógicos para observação de sala de aula e feedback aos professores;
  3. Possibilitar encontros de formação na escola, com ênfase no diálogo entre desafios cotidianos e teoria em busca de soluções práticas.

E o futuro?

É longo ainda o percurso da educação brasileira rumo a uma educação de qualidade, inclusiva e que valorize os professores. A situação econômica do país certamente contribui para que essa evolução seja ainda mais lenta, pelo menos no curto prazo. Porém, não haverá saída para a recessão econômica que não leve em conta investimentos pesados na educação.

Mônica Franco, diretora-executiva do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), manifesta que a neurociência e a economia já demonstraram resultados significativos em pesquisas sobre o investimento realizado em Educação por indivíduo vs. redução do custo social. Os desenvolvimentos pessoal, econômico e social estão relacionados às oportunidades educativas, ainda mais se tratando da população mais pobre, sendo a educação a única maneira de romper o ciclo de exclusão social.

Fonte: Profissão Professor 2018

É preciso que a educação seja encarada como uma política perene, inserindo professores e alunos nas tomadas de decisões para aprimorar a situação educacional do país. Os professores são, por mais que existam tamanhos desafios na profissão, peças chaves para o crescimento civilizatório e econômico do Brasil.

O Jornal Nacional, em comemoração aos seus 50 anos, produziu uma matéria especial sobre a evolução da educação no Brasil na última metade de século.

Arte: Gabriela Costa /  Imagens: iStock by Getty Images, Flat Icon e Jornal Nacional / Texto: Gustavo Kievel

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