As ações colaborativas têm uma essência comum, independentemente do contexto: elas são caracterizadas por objetivos compartilhados, simetria de estrutura, alto grau de negociação, interatividade e interdependência. É possível dizer, portanto, que esses cinco valores são a base de todos os processos colaborativos e que a promoção deles tem o potencial de contribuir para uma sociedade mais empática e colaborativa. Mas será que estamos realmente atentos ao que esses valores representam em nosso dia a dia?

Era uma Vez convida você a entender as raízes da colaboração por meio da reflexão sobre algumas das histórias infantis que crescemos ouvindo.

1.
POR TRÁS DAS HISTÓRIAS

2.
A HISTÓRIA DA INFÂNCIA

3.
COMO PODEMOS MELHORAR NOSSA RELAÇÃO COM AS CRIANÇAS?


4.
A COLABORAÇÃO É UM PONTO DE PARTIDA

5.
OS VALORES DA COLABORAÇÃO NOS CONTOS INFANTIS

As histórias são um meio importante para nos relacionarmos socialmente, pois desde os tempos mais remotos é, através delas, que circulam valores, comportamentos, formas de agir e de pensar. Por isso, repensar nossas narrativas é repensar também a forma como nos relacionamos uns com os outros.

 

Histórias falam de valores, comportamentos, formas de agir e pensar.

 

O papel delas é ainda mais importante para os pequenos, pois quando contamos uma história para uma criança estamos falando de bem e mal, certo e errado, quem ganha e quem perde, qual o papel das pessoas na sociedade, quem se dá bem no final. As histórias que as crianças ouvem e o tipo de estímulo social a que estão expostas influenciam diretamente a formação da sua identidade, de seus valores e julgamentos.

 

Repensar as narrativas é repensar como os adultos se relacionam com as crianças.

arabesco

ilustração de garota lendo livro

Quando pensamos sobre a infância, a tendência é atrelarmos a essa fase da vida ideias relacionadas ao futuro, a um potencial que se concretizará mais adiante. Quem nunca ouviu que as crianças são o “futuro da nação” ou a “nossa esperança”? E mais: qual criança nunca ouviu de algum adulto a clássica indagação “o que você vai ser quando crescer”?

Isso acontece porque a infância moderna surge como o outro cultural da idade adulta e, ao nascer como o outro, as “qualidades” atribuídas a essa fase da vida são opostas àquelas conferidas aos adultos. Se o adulto é visto como responsável, autônomo e capaz, a criança, por sua vez, é vista como irresponsável, dependente e incapaz. Essas distinções constroem uma relação de hierarquia em que o adulto é sempre encarado como um ser superior.

adultos responsável, autônomo e capaz. Criança irresponsável, dependente e incapaz

Diversos estudos que se debruçam sobre a infância falam da oposição em termos de cultura do adulto e cultura da criança.

A cultura das crianças é construída a partir da apropriação e reinterpretação da cultura dos adultos. Apesar de a cultura estabelecida por adultos estar presente na vida das crianças o tempo todo e ser muito influente no seu dia a dia, as crianças possuem modos próprios de interpretá-la, reproduzindo alguns aspectos e também imprimindo nela suas próprias marcas. A cultura infantil representa as intervenções das crianças no mundo. E assim como o adulto é visto como superior na sociedade, a soberania da cultura adulta se sobrepõe à cultura das crianças.

Cultura dos adultos: conjunto de valores e normas de relacionamento que os adultos estabelecem entre si. Cultura das crianças: Tem como ponto de partida a cultura dos adultos, mas interpreta o mundo à sua maneira.

Os conceitos que originaram essa forma de enxergar a infância são muito antigos e, mesmo assim, é possível notar que ainda influenciam bastante a forma como nos relacionamos com as crianças.

A idealização da infância é um dos exemplos de como isso pode ocorrer. Para uma parcela considerável dos pais, a infância é uma fase da vida em que não existem conflitos ou atritos e tudo é mais fácil e simples. Sob essa perspectiva, a criança não tem problemas, obrigações ou frustrações e a sua vida se resume a brincadeiras e momentos felizes. Essa maneira romântica de olhar o que já fomos é comum e pode até ser carinhosa, mas ao mesmo tempo simplista, pois sabemos que, para muitas crianças, a infância pode ser uma fase de inseguranças, medos e inquietações.

No entanto, será inevitável agir assim, sem diminuir e minimizar as situações do cotidiano infantil? Será que a única forma de lidar com as crianças é através de uma visão hierárquica? Será que podemos passar a enxergar as crianças como cidadãos do presente e não apenas do futuro?

Segundo a psicanalista Ilana Katz, existe outra forma dos adultos se relacionarem com as crianças, sendo possível mudar o olhar para essas relações a partir de três ações relacionadas ao passado, ao presente e ao futuro.

despossuir o passado, reinventar o presente e indeterminar o futuro

DESPOSSUIR as certezas do PASSADO é o primeiro passo para reconstruir as relações com as crianças. Será que devemos continuar olhando para a infância e criando nossos filhos exatamente do jeito que os nossos pais fizeram, que foi muito parecido com a maneira com que os nossos avós os criaram?

É rompendo com antigos ciclos e questionando a reprodução de comportamentos automáticos que conseguimos REINVENTAR a forma como nos relacionamos com as crianças no PRESENTE, e, então, INDETERMINAR nossas expectativas em relação ao FUTURO delas, sem projetar aquilo que nós, adultos, gostaríamos que fossem. Em vez disso, deixar ali um terreno aberto e fértil para que elas mesmas possam pensar o que elas gostariam de fazer das suas vidas quando mais velhas.

 

É a criança como autora e protagonista da sua história.

 

Dar protagonismo à criança não significa deixá-la “fazer o que quiser”, mas sim respeitá-la como sujeito da sua própria história, dando-lhe voz e envolvendo-a nas decisões do dia a dia. Nesse contexto, a criança deixa de ser uma espectadora e receptora de regras prontas e passa a ser vista como um ator social, com direitos, responsabilidades e competências.

Nosso papel como adultos é apresentar diferentes referências para que elas criem seu próprio repertório, respeitando as individualidades e contribuindo para o desenvolvimento. Dar protagonismo é dar a chance de se relacionarem e compreenderem seu espaço dentro de um contexto coletivo; é fazer da criação uma via de mão dupla.

menos autoridade sobre a criança, mais ajuda para a criança agir no mundo

A colaboração pode ser um ponto de partida para uma relação mais saudável entre crianças e adultos e uma melhor vida em sociedade, mas será que a gente entende esse conceito e sabe mesmo como colaborar?

COLABORAÇÃO: “O engajamento mútuo de participantes em um esforço coordenado para solucionarem juntos um problema”.

Fonte: Pearson – Collaboration Review

OU SEJA, AGIR JUNTOS!

O termo colaboração é tão amplo que, se pedíssemos uma explicação do conceito para dez pessoas, provavelmente receberíamos dez respostas diferentes. Mesmo estudiosos do tema dividem opiniões quanto à sua definição, mas vimos que existem valores essenciais para que a colaboração possa acontecer:

Cinco valores da colaboração: simetria, interação, negociação, motivação e interdependência

Podemos dizer, portanto, que esses cinco valores são a base de todos os processos colaborativos, e que a promoção deles tem o potencial de contribuir para uma sociedade mais empática e colaborativa. Mas será que estamos realmente atentos ao que esses valores representam em nosso dia a dia?

Nos próximos capítulos, vamos trazer reflexões sobre a presença desses valores (ou a falta deles) em algumas histórias que contamos às crianças. 

o conto da cinderela e a simetria nas relações

A história da Cinderela é muito mais antiga do que a versão que conhecemos hoje em dia. Sua origem tem diversas versões e aparece em várias civilizações diferentes. Uma das primeiras ocorrências data de 860 a.C. na China antiga, mas a história ganhou fama com o escritor francês Charles Perrault, que imortalizou o conto popular italiano da Gata Borralheira em uma publicação, que mais tarde, daria origem à popular animação dos estúdios Disney conhecida mundialmente.

O arco dramático presente em Cinderela – uma moça que vive em condições precárias e tem sua vida transformada e salva pelo encontro com um “príncipe encantado” – tornou-se uma história atemporal. Essa mesma narrativa se repete em inúmeras obras da literatura e do cinema e pode incitar reflexões importantes sobre a simetria, um dos cinco valores da colaboração.

A história da Cinderela transmite que existem os fortes e fracos, as madrastas más e as cinderelas oprimidas. Ou seja, de certa forma, ela transmite RELAÇÕES ASSIMÉTRICAS e de HIERARQUIA.

relações assimétricas e de hierarquia onde há alguém superior que salva uma pessoa inferior, a dualidade entre fortes e fracos e as madrastas más que oprimem as cinderelas

É possível, contudo, um adulto se relacionar de igual para igual com uma criança?

A expressão “agir de igual para igual” não significa tratar a criança como um adulto, mas sim exercitar a fala e a escuta. É deixar a postura “eu sei de tudo” e se abrir para igualmente aprender com a criança; é trazer autonomia para que elas possam exercitar sua criatividade e colocar suas ideias em prática.

 

Agir de igual para igual
=
exercitar a fala e a escuta

 

A simetria nos ajuda a entender também a importância da cultura das crianças, ou cultura de pares, como também é chamada. Quando estão entre iguais (com outras crianças), os pequenos podem ter uma conversa autêntica, ou seja, podem descobrir e criar sua própria realidade, o que estimula criatividade e coragem.

Eles treinam habilidades da cultura adulta, como saber negociar, interiorizam limites e regras, entendendo que estas não são absolutas e podem ser negociadas. Por isso é tão importante a interação face a face com outras crianças. É no contato com outro igual que elas têm a oportunidade de exercitar e desenvolver suas potências.

a interação entre os três porquinhos

Outra história que pode nos ajudar a entender melhor a colaboração é a dos Três Porquinhos. Na versão original, os Três Porquinhos viviam felizes numa floresta até que um dia surgiu um lobo mau que começou a persegui-los.

Será que existiriam outras versões possíveis para essa história?

Nesse exemplo, o jornal The Guardian repaginou a história original dos Três Porquinhos por uma outra perspectiva, cruzando-a com temas da atualidade. Muitas outras versões poderiam aparecer, mas a interação é o fator definitivo para mudar o final da história.

Como vimos anteriormente, a interação é chave para a colaboração, pois ela abre a porta para a troca de perspectivas. Interação é sobre troca e empatia, é sobre compreender a totalidade do problema. Participantes que não interagem não conseguem desempenhar a colaboração.

 

FAZER JUNTO
=
dar espaços e ferramentas para crianças interagirem!

 

Falar de interação envolve falar de ESPAÇOS.

Os espaços são muito importantes, pois a qualidade das interações entre as crianças depende, especialmente, da organização do ambiente oferecido a elas. Por isso, eles podem estimular ou atrapalhar a colaboração e, na verdade, são muito mais que lugares físicos: espaços são lugares emocionais, e é por isso que nos sentimos à vontade em determinados locais e em outros, não.

Para que a colaboração aconteça, precisamos promover espaços em que todos se sintam bem.

Assim, no dia a dia com as crianças, é possível preparar e oferecer espaços que promovam a interação?

Um bom ambiente para as crianças deve considerar áreas internas e externas, o que é perene e o que é volátil, atividades em grupo e solitárias... Deve levar em consideração todas as dimensões humanas potencializadas nas crianças: o imaginário, o lúdico, o artístico, o afetivo, o cognitivo, entre outras.

Nas cidades, onde há mais violência urbana e poucos espaços de convivência, as crianças têm passado cada vez mais tempo dentro de casa, um fenômeno que chama a atenção. Repensar a forma como se configuraram os centros urbanos e as oportunidades que oferecem para interação é essencial para a promoção de uma cultura mais colaborativa.

As cidades deveriam ser urbanizadas, projetadas e equipadas tendo em vista a participação dos interesses das crianças. Como isso não ocorre, ficar refém dessa forma de medo e trancar a infância em condomínios e escolas torna-se muito preocupante.

A presença da infância e da brincadeira no espaço público é por si só um ato de resistência e devemos estar atentos a isso. A falta da experiência de cidade, de rua, de convívio e trocas culturais com gente desconhecida faz com que a criança demore mais para amadurecer, e, muitas vezes, isso gera adolescentes inseguros e profissionais adultos desfocados da realidade.

A partir do compartilhamento de espaços, as crianças podem aprender a lidar umas com as outras, levando, em última instância, a uma sociedade cujos membros conversem mais entre si, o que reduz suas diferenças. A interação leva às descobertas intersubjetivas e compartilhadas no processo de entendimento do mundo.

Contudo, não são somente os espaços físicos que permeiam o cotidiano das crianças. Muitas vezes, elas estão presentes em espaços virtuais também, os quais representam uma potência para a interação, por serem cada vez mais estimulados e queridos pelas crianças.

71% das crianças citam tablet ou celular como brinquedo preferido, mas 98% citam alguma brincadeira analógica

Contudo, é preciso ter cuidado quanto à virtualização excessiva das crianças: se, por um lado, o espaço virtual traz pertencimento e permite que elas estabeleçam novos relacionamentos, por outro, existem problemas que não podem ser ignorados.

Entre eles, o excesso de uso de dispositivos eletrônicos pode indicar a fuga de um não lugar, ou seja, muitas vezes a preferência por uma interação virtual pode ser indício de que a criança não se sente à vontade para interagir de outras formas, o que demanda atenção dos seus cuidadores e, em muitos casos, cuidado profissional.

Além disso, os avanços tecnológicos estão mudando a forma como nos relacionamos uns com os outros, mas os impactos disso ainda não são totalmente conhecidos. Uma nova dinâmica que tem se apresentado na interação com as crianças e que chama a atenção de especialistas é a do corpo presente e da mente ausente.

O uso excessivo do celular por adultos no ambiente familiar causa mau humor, hiperatividade e frustração nas crianças.

Crianças querem mais atenção!

Outro problema da tecnologia é como ela prejudica nossa capacidade de estarmos sós. A única maneira de entender quem somos e tomar decisões críticas na vida é por meio do autoexame e da autorreflexão, que acontecem principalmente em momentos de solidão. Se não temos esse momento de estarmos sozinhos, não conseguimos nos desenvolver integralmente como seres humanos.

a negociação entre a cigarra e a formiga

Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelo bosque sem se preocupar com o futuro. Lá também morava uma formiga que, enquanto sua amiga cantava, estava sempre trabalhando. Por mais que a formiga aconselhasse a cigarra, dizendo-lhe que deveria preparar-se para o inverno, ela não dava a menor bola. No final, o inverno chegou, a cigarra ficou sem comida e sem abrigo e a formiga, precavida, precisou salvar a sua amiga.

 

E o que é possível aprender dessa história?

O valor do trabalho duro e também da previdência.

O que poderia ser diferente?

Reforçar que música da cigarra também é um trabalho e tem seu valor!

 

E se fosse adicionada uma pitada de negociação? Se a cigarra e a formiga tivessem negociado entre si e se escutado um pouco, será que as coisas poderiam ser diferentes?

Se elas tivessem olhado uma para o ponto de vista da outra, elas poderiam chegar à conclusão de que as duas poderiam trabalhar, fazer música e ficar felizes juntas. Ou, ainda, elas poderiam entender que música também é uma forma de trabalho e que o entretenimento é necessário na sociedade. Elas teriam, então, negociado a partir do entendimento mútuo e, no final, todo mundo trabalharia e se divertiria.

A partir do exemplo dessa história, entendemos que, para a colaboração acontecer, é preciso abraçar o diferente, sair dos próprios sapatos e enxergar os pontos de vista pelos olhos do outro.

Quando se observa o contexto das vidas dos pais e dos seus filhos no Brasil, será que as crianças estão sabendo negociar, colocar-se no lugar umas das outras?

Quando surgem conflitos durante a brincadeira, 50% das crianças pedem ajuda dos pais, 25% param de brincar e 25% resolvem sozinhas

Fonte: Pesquisa Quantas e Gloob; base de respondentes: 646 Crianças

Percebe-se, então, que a maior parte das crianças ainda não está totalmente preparada para lidar com a ideia de negociação e se colocar no lugar do outro de forma um pouco mais efetiva.

Para isso, são necessárias experiências que valorizem diferentes visões de mundo. É preciso colocar as crianças em contato com uma palavra muito importante – a empatia – e entender o seu significado desde cedo.

ABRAÇAR O DIFERENTE
é dar acesso a espaços que promovem encontro de diferentes visões de mundo.

a motivação do pequeno polegar

O conto do Pequeno Polegar pode nos ajudar a entender melhor os conceitos de motivação e de desacontecimentos. Na história, o menino, que era muito pequeno e esperto, faz o pai aceitar uma proposta de dois forasteiros que se interessam em comprá-lo por sua estatura, digamos, peculiar. Era  muito dinheiro, e como a sua família passava por necessidades – e ele não achava que fosse possível ajudar de outra forma – o Pequeno Polegar considerou que seria uma boa ideia ser vendido aos viajantes. Por que será que ele tomou essa decisão? Essa história fala, portanto, sobre motivação.

Motivação é o atributo que nos move a fazer ou não fazer algo, e ela pode vir de dentro ou de fora. Quando é intrínseca, tem a ver com nossas vontades, como se divertir, estar com quem a gente gosta ou se sentir bem com algo, e quando é extrínseca tem mais a ver com recompensas ou penalidades. Quando só existe a motivação extrínseca, a colaboração pode ficar mais frágil, o que pode levar a brigas, desentendimentos e até a desistências.

motivação intrínseca: força que vem de dentro, sentimentos. Motivação extrínseca, força que vem de fora, recompensa material

Na história do Pequeno Polegar, ele acabou se vendendo para conseguir dinheiro para o pai. Apesar de existir uma motivação interna em ajudar a família, o que inspirou a decisão dele foi a recompensa em dinheiro, então podemos dizer que foi um caso de motivação extrínseca.

E essa história não termina por aí: após algumas aventuras na companhia dos forasteiros, e de sentir muita falta da família que tanto amava, nosso pequeno protagonista resolve fugir e voltar para casa. O que o levou a tomar a decisão dessa vez foi o amor que sentia e o desejo de recuperar a vida familiar. Podemos dizer, assim, que foi uma motivação intrínseca.

Entender a diferença entre esses dois tipos de motivação é fundamental para promover a colaboração entre os pequenos. Se o intuito é juntar todo mundo, é importante pensar sempre em termos de motivação intrínseca, em que todos vão se divertir e se satisfazer com a experiência pela própria experiência.

Estamos falando de algo que vai ser mais marcante para aquela criança e será para sempre lembrado. Trata-se de valorizar a diversão e, não somente as recompensas que a criança pode ter.

A história do Pequeno Polegar também nos ajuda a entender o conceito de desacontecimentos. Desacontecimentos são as histórias que não são contadas e por isso não chegam ao nosso conhecimento.

O desconhecimento limita a visão do que podemos ser. No caso do Pequeno Polegar, foi exatamente isso o que aconteceu, pois como ele não conhecia nenhuma outra criança igualmente tão pequena, ele viu a oportunidade de ser vendido como a única forma de ajudar sua família.

A visão simplificada criada por várias histórias iguais limita as possibilidades do que podemos ver como alcançável e daquilo que podemos almejar. Com elas, toda a nossa complexidade desaparece, tornando possível somente as histórias que conhecemos.

 

“Desacontecimentos são as histórias que não são contadas.”

Eliane Brum

 

Desacontecimentos são muitas histórias que estão acontecendo todos os dias na vida de diversas pessoas, mas que não aparecem na grande mídia, não se transformam em narrativas compartilhadas por muitas pessoas.

Nesse contexto, perguntamos às crianças: quem pode exercer as seguintes profissões?

Gráfico ilustrado sobre interesse em histórias de acordo com o gênero: sobre o tema polícia e ladrão, 50% dos meninos gostam. Ciência e espaço, também apresenta 50%. Médicos e saúde, 60% dos dois gêneros. E culinária, 59%. Já histórias sobre cuidar do lar apresenta 58% de interesse feminino.

Fonte: Pesquisa Quantas e Gloob; base de respondentes: 646 Crianças

 

Essa é a realidade que está sendo contada a elas, por isso é preciso mostrar que existem outras histórias e incentivá-las a ser o que quiserem e a realizar seus sonhos.

a interdependência dos saltimbancos

A história dos Saltimbancos, musical baseado no conto dos irmãos Grimm "Os Músicos de Bremen", pode nos ajudar a entender o conceito de INTERDEPENDÊNCIA, o quinto pilar da colaboração. O conto alemão se passa em um vilarejo, onde vivem um burro, um cão, um gato e um galo, que, maltratados pelos seus donos, fogem e decidem seguir para Bremen, a cidade onde pretendem ser músicos profissionais e conquistar a liberdade.

Só que, no meio do caminho, eles se deparam com assaltantes que estavam roubando uma casa e, então, unem forças para derrotá-los, virando heróis na cidade.

A mensagem que a história passa é de que, na verdade, não existe uma única pessoa que detém o poder, ou um único bicho que é o mais forte, ou ainda, o predestinado a se tornar o rei da floresta.

Somente com a participação e contribuição de cada bicho, sem a necessidade de hierarquia, o final feliz foi possível. O final bem-sucedido só foi possível porque os animais trabalharam juntos, cada um com sua habilidade específica. E é exatamente isso que significa interdependência, é sobre chegar a uma conclusão ou entendimento de forma conjunta.

“Todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco, todos nós no mesmo barco, não há nada para temer.”

“Todos Juntos”, Os Saltimbancos

menos hierarquia, mais interdependencia
Todas as partes são importantes na colaboração! Adultos e crianças podem criar juntos.

Crianças colaborando, fazendo o que gostam, podem contar histórias bem diferentes!

A partir da colaboração e da atenção às narrativas que estão chegando às crianças, é possível que elas criem uma realidade diferente, tanto para no presente quanto nas projeções para o futuro. Tudo a partir da liberdade ilimitada de suas próprias imaginações.

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