Onde a grama está mais verde e as árvores vão dar frutos

Você está cansado. Exausto, na verdade.
Já não tem graça a piada do ‘todo dia um 7X1’ porque você nem quer mais contabilizar as derrotas.
Muito trabalho, muito boleto.
Amigos, família, são sempre um respiro.
Mas até entre eles...
Brigas, afastamento, lados opostos da polarização.

Quer dar uma respirada aliviado?
Ver uma luz no final do túnel engarrafado?
Pergunte-nos como ☺

Tudo começa com o grande desafio do Gloob de apurar o olhar, abrir a cabeça e deixar entrar histórias e casos de crianças de todo o mundo (crianças de 6 a 11 anos). Abrir a cabeça mesmo, se jogar no mundo, ler pesquisas, estudos, grandes notícias e acontecimentos. A ideia era chegar em um tema relevante pra gente estudar profundamente aqui no Brasil, com as nossas crianças.
Nesse campo aberto duas coisas nos chamaram a atenção:

as tendências nos levavam para caminhos opostos:

mais tecnologia
x
menos tecnologia

A tecnologia está cada vez mais rápida e intrínseca às nossas atividades, devemos deixar a tecnologia entrar com toda sua força no nosso dia a dia ou devemos ensiná-los a desligar um pouco para não criar tanta ansiedade?

proteger mais os filhos
x
deixá-los mais livres

Os pais sempre comparam a infância de seus filhos com a que tiveram e acham que as crianças só querem saber de tecnologia, não seria melhor incentivá-los a brincar mais ao ar livre com outras crianças com brinquedos/brincadeiras, mas espera, será que esses ambientes estão seguros? Será que eles podem se machucar? Será que alguém vai fazer bullying com eles?

resguardar a infância
x
mostrar as coisas como são

Será que devemos proteger mais nossos filhos diante de tantos acontecimentos de violência, stress, intolerâncias e catástrofes naturais ou mostrar como as coisas são desde cedo?
Isso acontece frente a complexidade dos eventos e avanços atuais nas mais diversas áreas, e também refletia a polarização das opiniões para muito além da política.
Vimos os pais millennials transitando entre esses pólos na tentativa de encontrar suas próprias equações para lidar com suas crianças.

as crianças criam um
meio-incluído no mundo polarizado

Sim, as polarizações existem para além da política, das tendências e do bem X mal. Mas as crianças têm olhado para esse mundo estressado e polarizado sem se ater às dicotomias. Olham de um jeito complexo, descompromissado, sabendo da existência dos polos, mas sem dialogar com sua rigidez.

*É isso que o filósofo italiano Norberto Bobbio chama de meio-incluído, ou seja, encontrar um espaço entre dois opostos, e, que muito embora se inclua entre eles, não os elimina.

Foi aí que o coração bateu mais forte: como será que as crianças conseguem fazer isso? Puxando essa linha pra ver na prática o que elas têm feito, mapeamos 2 comportamentos que tangibilizam o meio incluído e nos ajudam a entender melhor esse novo olhar para as crianças.

Chegamos aos:

KIDSACTIVISTS e KIDSPRENEUR

Crianças ativistas que desde cedo já lutam pelo que acreditam e/ou sonham e crianças empreendedoras que botam em prática suas ideias em possibilidades de negócios que transformam o nosso presente enquanto estamos endurecidos, polarizados, estanques e nostálgicos. Não se trata de mini-adultos, crianças prodígios ou geninhos. São crianças que com a leveza de uma brincadeira criavam soluções ou apontavam caminhos que o mundo adulto se espantava e se perguntava: como eu não pensei nisso antes?
Crianças que aprendem com tudo que está a sua volta. Tudo mesmo! Elas são como agentes de uma grande rede distribuída onde estão os pais, os amigos, a escola, os animais, os conteúdos que assistem, os gadgets, a natureza... E com toda essa riqueza criam e devolvem para o mundo o que nós, adultos, não estamos conseguindo fazer.

Como, por exemplo:

Mikaela é uma garota que queria salvar as abelhas, então criou uma marca de limonadas adoçadas com mel e uma porcentagem das vendas é destinada para organizações locais que ajudam a conservar as abelhas.

Especial da edição semanal do The Guardian, em fevereiro desse ano, deu espaço a ilustrações de crianças - personagens essenciais - para contar a história de como elas estão lutando para impedir uma catástrofe climática.

Mas é agora que vem o “quentinho no coração”:

89%

das nossas crianças acham que podem fazer algo para mudar alguma coisa importante no mundo.

Na etapa quantitativa encontramos um tripé, um modelo estatístico que correlaciona essa certeza de que podem fazer a diferença a 3 comportamentos. Os três eixos deste tripé têm forças muito semelhantes e, em conjunto aumentam a probabilidade da criança se enxergar como um agente de mudança. São eles:

1. Confiança e responsabilidade (que vem de casa)

A confiança dos pais que atribuem responsabilidades às crianças, fortalece a confiança em si para dizer o que pensa e sente na escola. Essa autonomia está relacionada a coisas simples como arrumar o quarto ou os brinquedos. A mensagem de confiança e responsabilidade está por trás dela. Investigando esse pilar do tripé entre as crianças participantes do estudo, descobrimos que as responsabilidades estão colocadas, mas algumas são mais comuns que outras.

Autonomia em casa

responsabilidades domésticas

% de crianças que realizam essas atividades no dia-a-dia

99%

arrumar quarto/brinquedos

78%

ajudar nas responsabilidades da casa (lavar louça, tirar a mesa, arrumar a cama, etc

25%

ir a um lugar sozinho perto de casa

2. Voz na escola (ser ouvida e respeitada pelos colegas e professoras)

Se a opinião importa na escola, logo, se sente que é respeitado além do ambiente protegido que é a casa. Então a criança sente que é uma pessoa capaz. Ser ouvido na escola quer dizer que podem escolher do que vão brincar no recreio, o esporte que a turma vai participar, os livros que vão ler, com quem vão formar grupo de trabalho, temas que vão estudar, passeios que a escola promove. Trata-se de ter voz e escolha.
Na fase quanti descobrimos que, em geral, as crianças do estudo sentem que sua opinião importa. Mas para elas isso acontece mais dentro de casa do que na escola.

A sua opinião importa?

  • sim
  • às vezes
  • não

NA ESCOLA

42%

51%

7%

64%

34%

2%

3. Sensibilidade e empatia (com o entorno, com o que mostramos pra elas)

Ter contato com a realidade, com o que acontece, é fundamental para sensibilizar. Se há sensibilidade, empatia, a criança sente que é capaz de fazer algo importante para os outros.

As crianças participantes do estudo demonstraram nível de consciência alto com as questões mais tradicionais. Já as pautas recentes parecem mais distantes, mostrando que temas de menor contato, sensibilizam menos.

Ativismo
Nível de sensibilização

0%
100%
moradores de rua
maltratar animais
discriminação cor / raça
discriminação aparência
efeito do lixo jogado na rua
discriminação na rede social
extinção de animais
refugiados
corrupção
acidente em Brumadinho
poluição de automóveis
direitos iguais entre meninos e meninas
veganismo
  • abaixo do nível médio de sensibilização das crianças

Essa sensibilidade das crianças é percebida nas causas levantadas por elas. Essas bandeiras são os temas que sensibilizam essas crianças a ponto de acharem muito importante falar, alertar e chamar a atenção de quem está a sua volta. Elas demonstram sensibilidade a discriminações raciais, sociais, pela aparência e a direitos iguais para meninas e meninos.

O que acham importante dizer para um adulto?

Em média 10 assuntos (de 12)

1

Não tratar mal alguma pessoa

94%
2

Não dirigir depois de beber

93%
3

Respeitar a velocidade do trânsito

92%
4

Não falar no celular dirigindo

92%
5

Parar de fumar

91%
6

Não deixar a torneira aberta ao escovar os dentes

90%
7

Apagar as luzes quando sair de algum lugar

88%
8

Não furar fila

87%
9

Separar o lixo reciclável

85%
10

Não falar ao celular quando estão na mesa

78%

A gente se enche de esperança porque está tudo aí. A potência suportada pelo tripé da confiança e responsabilidade, voz na escola, sensibilidade e empatia. Claro que estamos falando de um estrato da população, mas o intuito do estudo é justamente entender como podemos cuidar dessas crianças para que elas possam exercer sua potência de mudança.

Pois como diz Pedro Hartung do Instituto Alana: “Em verdade, cuidar de uma e de todas as crianças é cuidar da humanidade que teima, resiliente, em nos habitar.”

Vamos também lembrar que elas criam e impactam seus amigos, famílias, comunidades e até o mundo a partir dos elementos que estão a sua volta e também dos que nós, adultos, apresentamos a elas.

Então, veja o que está acessível às nossas crianças: Assistir vídeos está tão presente na rotina quanto fazer lição de casa. Fora de casa, as atividades são semanais como prática de esportes, atividades artísticas ou visitas aos amigos. Os vídeos são consumidos com diferentes propósitos pelas crianças. Desde tutoriais, alguém jogando game, mas também gostam de ver crianças ajudando quem precisa.

A rotina
Atividades semanais

Em casa
Fazem a atividade

Assistir vídeos

100%

Lição de casa

99%

Jogar games

83%

Fora de casa
Rotina mais de uma vez por semana

Esportes

36%

Atividades artísticas

25%

Casa de amigos

19%

Consumo de vídeos
Conteúdos que gosta muito

Tutorial

72%

Unboxing

59%

Jogando games

67%

Música ou dança

56%

Crianças que ajudam quem precisa

52%

A tela preferida

Celular

74%

TV

69%

Tablet

36%

Computador

44%

Investigamos também o contexto de pais e mães. Sua visão sobre tecnologia e como participam da rotina de seus filhos e decidem o que pode ou não estar acessível a eles:
Os pais são millennials e, em sua maioria, acreditam que são bons pais e boas mães no comparativo com os seus pais. No entanto, também acham que é muito mais difícil criar um filho hoje em dia. Se cobram, se culpam, se esforçam para participar de forma adequada da rotina dos filhos e dizem consumir vídeos junto com eles.

...acreditam que o acesso das crianças a tecnologia tem mais aspectos positivos do que negativos.



Uso da tecnologia pelo filho

Veem mais aspectos positivos

61%

Acessar a informações e conhecimentos

27%

Desenvolve raciocínio lógico

19%

Dá agilidade mental

19%

Diminui a sociabilidade

13%

Risco de pessoas más / influências negativas

19%

Veem mais aspectos negativos

21%

Acesso à conteúdos ruins / negativos / impróprios

26%

E são superprotetores, 87% dos pais apresentam algum comportamento superprotetor e 69% deles estimulam que seus filhos sejam os melhores no que fazem, estimulando a competitividade:

Nível de protecionismo

Concorda que deve escolher as companhias do filho até ter idade para escolher sozinho
67%
Concorda que se pudesse protegeria de todas as dificuldades
62%
Concorda que o filho ainda é muito novo para enfrentar os obstáculos da vida
61%

Protegem das dificuldades e se dividem quanto ao papel da escola em abordar temas sensíveis.

Superprotegem em casa e opinam sobre as pautas da escola

Acham que a escola deve ter educação sexual
39%
Acham que a escola deve ter ensino religioso
52%

Só que as crianças estão superprotegidas, mas superconectadas.

Elas captam sons, imagens, palavras, gestos, intenções e ações. E muito importante: elas se inspiram MUITO em outras crianças e jovens ativistas!
Para muito além do tutorial de slime.

33%

já ouviram da Malala

19%

já ouviram da Greta Thunberg

61%

nunca ouviram falar de nenhuma das duas

Vale dizer que o campo da etapa quantitativa foi feita entre agosto e setembro de 2019, antes do fenômeno Greta Thunberg: #climatestribe #fridaysfortune

Saber que existem outras crianças ou jovens que, como ela, acreditam que podem fazer a diferença no mundo, aumenta a sua potência transformadora. As crianças que conheciam a Malala ou a Greta eram as que mais acreditavam que podiam fazer a diferença no mundo.

91%

Crianças que acham que sua opinião importa em casa

94%

Crianças que acham que sua opinião importa na escola

95%

Conhecem Malala / Greta

E mesmo com 61% delas nunca terem ouvido falar nem de Greta ou Malala (até o momento que o estudo foi realizado), muitas vezes, as pessoas que as inspiram a criar um mundo diferente, estão no seu entorno:

Artistas brasileiros
9%
Familiar / amigo / escola / pessoa próxima
7%
Ativistas
6%
Personagens religiosos
5%
Youtuber / Influencer
4%
Artista internacional
4%

Cabe a nós, adultos, abrirmos o mundo para as crianças porque elas, as crianças deste estudo como exemplo, já estão abertas para transformar. Elas já têm o tripé que sustenta sua potência, fortalecido.

As crianças se sentem cada vez mais protagonistas de suas histórias, mas isso não é mero acaso. Elas estão respondendo aos estímulos do contexto, do agora. Nós, enquanto sociedade, temos que estar atentos para fortalecer cada vez mais o tripé e ajuda-las a exercer sua potência no mundo.

Vamos cuidar dos seus passos, mas deixá-las nos mostrar a direção.

Olhar o mundo pelos olhos de uma criança não é um convite novo, mas esse convite nunca foi tão relevante.

Vamos nos juntar, ajudar a fomentar e colaborar com a potência das crianças brasileiras?

Conheça o movimento do Gloob e Gloobinho pela coletividade
Juntaê Gloob

Este estudo é resultado de uma parceria do Gloob com Coletivo Tsuru e Quantas.