Convidamos a diretora da Playboy Brasil para um pingue-pongue que renomeamos para “Entra e sai” com Cinthia Fajardo. Na conversa, Cinthia divide suas experiências e opiniões sobre os processos da indústria do entretenimento pornográfico e seus novos desafios.

Mas antes: quem é Cinthia?

  • IDADE
    44 anos.
  • NATURALIDADE
    Rio de Janeiro.
  • SIGNO
    Touro.
  • ESTADO CIVIL
    Casada. Mãe de dois filhos adultos.
  • PROFISSÃO
    Economista e "marketeira". Economista por formação, mas acabei direcionando minha carreira para marketing, e fiz uma pós-graduação em marketing.

 

O que a Cinthia gosta de fazer?

Eu trafego em vários meios. Tenho um lado mais espiritual, faço vários cursos de energia e já fui para Índia fazer meditação e retiro espiritual. Também gosto de astrologia. Curto ir à praia, viajar, de estar com meus filhos, minha família, e às vezes até me aventuro na cozinha e faço umas comidinhas. Gosto de plantas, adoro fazer arranjos de flores, de mexer com terra, cuidar da horta. Tenho uma conexão com a natureza que eu gosto, mas também curto uma noitada, dançar, ir para um bar tomar um drink. Quando falo que trafego em vários mundos é porque tenho meus momentos introspectivos e tenho os momentos expansivos.

 

Gosta de festa?

Sou festeira no trabalho e na vida pessoal, adoro dar uma festa e reunir pessoas.

 

Como começou sua carreira profissional no universo sexual?

Chegou de forma absolutamente quase natural. Eu passei por várias industrias e por vários segmentos. Comecei estagiar em banco e fui efetivada em banco por ser economista. Trabalhei em Telecom que é uma área mais de produtos, depois fui para a área de marketing em uma editora. Trabalhei muitos anos na editora e depois da editora eu vim para a Globosat. Trabalhei quatro anos e meio no canal Multishow. Passei um ano e meio no grupo RBS tocando um projeto jovem e aí surgiu a oportunidade de vir para a Playboy. Cheguei na Playboy como gerente de marketing e produtos digitais, estou aqui há oito anos. E aí, de forma de desenvolvimento de carreira, de uma forma orgânica, eu acabei sendo promovida em 2020 à direção do canal.

“AS PESSOAS ESTÃO EM BUSCA DE UM CONTEÚDO QUE TRAGA INSPIRAÇÃO, QUE SEJA UMA FANTASIA, MAS QUE SEJA UMA HISTÓRIA CRÍVEL. E PRINCIPALMENTE: QUE NÃO OBJETIFIQUE A MULHER.”

Qual a responsabilidade de dirigir um canal de entretenimento pornográfico?

É novo e é um desafio muito grande pela responsabilidade sobre a equipe, o desenvolvimento de pessoas, a responsabilidade com os acionistas em trazer resultados e metas. É a responsabilidade de dirigir um canal.

 

Você acha que as pessoas te sexualizam por ocupar esse cargo?

Nunca percebi e espero que não tenha acontecido. Desde que iniciei nessa área, as pessoas me recebem com muito respeito. O ambiente de trabalho é feminino, a maioria é mulher, nunca tivemos um caso de falta de respeito. Nem em reuniões, tampouco com fornecedores. Até porque tratamos o assunto de forma muito natural, acho que é isso.

 

Como você enxerga o cenário da indústria pornô?

Eu vejo a indústria mudando aos poucos. A gente vem de uma indústria de muitos anos de machismo, mas nós mesmos do Sexy Hot estamos fazendo esse trabalho para ajudar a mudar um pouco essa visão machista do conteúdo. A própria busca dos consumidores está cada vez mais diversificada, com mais variedade. As pessoas estão buscando cada vez mais histórias que conversem com a realidade, cada vez menos querendo clichês - aquelas historinhas muito obvias de entregador de pizza, do encanador chegando na porta da casa. As pessoas estão em busca de um conteúdo que traga inspiração, que seja uma fantasia, mas que seja uma história crível. E principalmente: que não objetifique a mulher. Vejo a questão da diversidade e da representatividade e a gente percebe que cada vez mais os conteúdos que tem atores e atrizes que não são misteriosos da indústria tradicional pornô. Então, cada vez mais vemos mulheres com outros corpos que não são os corpos clichês, mulheres siliconadas e homens fortões, temos pessoas mais velhas em cena, temos todos os tipos de corpos.

“QUANTO MAIS MULHERES TRABALHANDO NA INDÚSTRIA, MAIS A GENTE VAI CONSEGUIR TRAZER ESSE OLHAR FEMININO.”

Você acredita que os filmes pornôs educaram diversas gerações?

Eu acho que originalmente os filmes pornôs não foram criados para ter uma função educativa, eles são filmes de entretenimento adulto. E foram feitos para que as pessoas possam dar vazão às suas fantasias, trabalhar sua sexualidade. E conectando com a pergunta anterior: o que vejo de mudança, falando pelo Sexy Hot, é que estamos trabalhando nisso, cada vez mais. Ter conteúdos que incluam a mulher, que mostrem o prazer feminino, que não tenha só o olhar do prazer masculino e que o filme não se encerre no prazer masculino.

 

Você acredita que, mesmo sendo entretenimento, o conteúdo pornô possa ter influenciado no comportamento da nossa sociedade, principalmente o masculino?

Pra ser justa, eu teria que ter acesso a estudos e pesquisas que justificassem isso, porque obviamente eu já escutei essa afirmação e eu não sei precisar. O propósito é de entreter, assim como outros segmentos. Pensa bem, vamos fazer uma analogia: filmes de super-heróis, de histórias em quadrinhos, de antes até da indústria audiovisual. E aí? Os meninos se sentiam mais fortes e mais poderosos e eles botavam a capa e queriam sair voando? E os filmes de terror? Então vamos sair fazendo milhares de analogias. Coringa por exemplo: por que o cara que assistir a esse tipo de filme vai ser um psicopata, um sociopata? Estamos fazendo correlações que não sei se estão adequadas.

 

Como é ser a primeira mulher da história a comandar um grupo de canais de conteúdo adulto?

Menina (risos), é um orgulho! Eu me coloco como uma executiva e não queria ter essa diferenciação de gênero. Por que não o homem que também ocupar esse lugar possa ter um olhar para o prazer do feminino? Mas é verdade que, quanto mais mulheres trabalhando na indústria, mais a gente vai conseguir trazer esse olhar feminino. Até chegarmos ao equilíbrio.

“COMPARTILHE UM CONTEÚDO SEGURO, FEITO EM AMBIENTES SEGUROS, COM CURADORIA, ONDE AS PESSOAS ENVOLVIDAS FORAM REMUNERADAS.”

O que você espera do futuro da Playboy Brasil?

Um futuro feliz, promissor, vida longa. Que a gente possa cada vez mais trazer mulheres para serem nossas consumidoras, levar o nosso propósito de produzir um conteúdo responsável e ético para mais pessoas.

 

Considerações finais:

Nós da Playboy estamos atentas aos conteúdos que as pessoas distribuem em grupos de WhatsApp e Telegram. Principalmente em grupos de homens. Aí tem o grupo do futebol, da faculdade, dos amigos do trabalho, e a gente sabe que circula muito conteúdo pornô nesses grupos. E a gente criou um grupo em 2018 pra distribuir conteúdo gratuito. Foram compartilhadas pílulas curtas, trechos dos nossos filmes para que a gente pudesse ser uma fonte segura para as pessoas que gostam de assistir esss tipo de conteúdo ou distribuir entre os amigos. E um alerta! Atenção com os conteúdos amadores que são gravados de forma leviana. Muitas vezes captados pelo celular dos quais não se sabe se foi com ou sem o consentimento das pessoas expostas e envolvidas. Não passe adiante. Não contribua com essa irresponsabilidade. Compartilhe um conteúdo seguro, feito em ambientes seguros, com curadoria, onde as pessoas envolvidas foram remuneradas. E sem fazer julgamento. A sociedade está num momento de muito julgamento. Tem gente que gosta de pornô e queremos contribuir. Deixar a pessoa que gosta assistir, mas num lugar seguro e para maiores de 18 anos.

Imagem: Playboy Brasil /  Transcrição: Renata Novaes

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