Compartilhar fotos dos filhos nas redes sociais já é um hábito comum em famílias de todo o mundo. Da gravidez ao parto, passando pelas diversas estreias da criança, nada escapa às lentes fotográficas e às postagens bem-intencionadas dos pais – públicas ou privadas. Como resultado, emerge o debate sobre os riscos presentes e futuros dessa superexposição.

Em meio à rotina diária, as redes sociais surgiram como uma opção prática e rápida de tirar uma foto, adicionar uma legenda e alcançar dezenas (ou mesmo centenas) de amigos, familiares e seguidores ao mesmo tempo. No contexto dos pais que estão lidando com bebês recém-nascidos, trata-se de uma economia de tempo ideal para quem está ocupado reorganizando a vida em torno de um novo ser humano que demanda atenção quase integral.

No entanto, diversos estudos sugerem que os pais, em diversos estágios da vida dos filhos, são especialmente vulneráveis ao excesso de compartilhamento - e de maneiras perigosas para as crianças.

Com o surgimento das redes sociais e a popularização dos devices digitais, a herança deixada para os filhos dessa precoce presença on-line, assim como dos possíveis riscos de invasão de privacidade, são algumas das problematizações por trás do conceito de sharenting.

Sharenting
o termo foi cunhado em 2012 por um jornalista do “The Wall Street Journal” e se refere à junção das palavras da língua inglesa
share (compartilhar) e parenting (relativo à parentalidade).

Pesquisa realizada na Bélgica com 46 adolescentes entre 12 e 14 anos apontou que, embora aprovem em termos gerais o sharenting e confiem em seus pais, os jovens consideram que a prática pode levar a frustrações com relação à autoimagem e situações embaraçosas.

Até 2030,
o sharenting pode estar relacionado a até
7 milhões
de casos de falsificação de identidade e cerca de
U$ 800 milhões 
em fraudes on-line

Fonte: Barclays

96%
dos brasileiros compartilham informações ou fotos em redes sociais como o Facebook e Instagram e
66%
compartilham fotos e vídeos de seus filhos

Fonte: Meus dados preciosos: Perigo desconhecido, Kaspersky Lab

O Brasil é o país que mais sofre crimes virtuais no mundo (entre 157 nações)

Fonte: Internet Security Threat Report (ISTR), Symantec

Nunca houve uma geração cuja infância foi tão exposta e documentada em publicações virtuais como a atual.

No livro “Sharenthood: Why We Should Think Before We Talk About Our Kids Online” ("Sharenthood: Por que devemos pensar antes de falar sobre nossos filhos on-line, em tradução livre), a autora Leah Plunkett argumenta que o sharenting acontece sempre que um adulto responsável pelo bem-estar de uma criança, seja um pai ou professor, transmite detalhes particulares sobre ela por meio de canais digitais – sendo os mais populares o Facebook e o Instagram.

Embora essas plataformas e esses dispositivos não explorem as imagens infanto-juvenis intencionalmente, Plunkett argumenta que eles envolvem decisões de adultos que aceleram a entrada de uma criança na “vida digital”. Entre os riscos mais comuns, postar sobre os filhos pode causar ou provocar desde crimes de falsidade ideológica, bullying e situações vexatórias até discriminação futura em processos seletivos que venham a utilizar o histórico de postagens de um candidato e uso indevido de imagens em redes de pornografia infantil.

Segurança

A questão do sharenting ainda está sendo debatida e não encontra respaldo explícito no ordenamento jurídico brasileiro atual. No entanto, o artigo 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura o direito à privacidade, à imagem e à autonomia, e o artigo 227 da Constituição Federal concede prioridade absoluta à garantia de direitos básicos de crianças, adolescentes e jovens, o que, em tese, também se aplicaria à garantia de direitos na internet.

No dia a dia, vale o bom senso. Ponderar se o filho ou a filha iria querer ter aquele conteúdo da postagem exposto publicamente pode ser um termômetro da necessidade real de compartilhar algo nas redes sociais. Apesar dos filtros de privacidade e da opção de criar perfis fechados, sempre existe a possibilidade de alguém copiar ou dar print nos conteúdos e torná-los públicos.

Precauções

  • Não fotografar e publicar partes íntimas das crianças
  • Evitar publicar imagens das crianças em contextos de lazer como piscina, praia ou em trajes de banho
  • Configurar os perfis para que as postagens não sejam completamente públicas
  • Utilizar canais mais privados e seguros, como o e-mail, para o envio de imagens para pessoas conhecidas
  • Não publicar informações ou imagens que revelem localização, rotina ou até mesmo o uniforme escolar das crianças
  • Desabilitar ferramentas de geolocalização nas imagens compartilhadas

A comunicação instantânea das novas tecnologias digitais possibilitou que o compartilhamento de informações gerasse aproximação rápida e frequente, assim como uma espécie de álbum de fotografias de momentos e etapas do crescimento das crianças e dos jovens que, antes, ficavam apenas na memória. Porém, a cautela pode fazer a diferença entre o ímpeto de documentar a intimidade de alguém e a necessidade de remediar os riscos e problemas da superexposição e dos usos indevidos e imprevistos de quem sequer sabia que estava sendo exposto.

Compartilhar fotos dos filhos nas redes sociais já é um hábito comum em famílias de todo o mundo. Da gravidez ao parto, passando pelas diversas estreias da criança, nada escapa às lentes fotográficas e às postagens bem-intencionadas dos pais – públicas ou privadas. Como resultado, emerge o debate sobre os riscos presentes e futuros dessa superexposição.

Em meio à rotina diária, as redes sociais surgiram como uma opção prática e rápida de tirar uma foto, adicionar uma legenda e alcançar dezenas (ou mesmo centenas) de amigos, familiares e seguidores ao mesmo tempo. No contexto dos pais que estão lidando com bebês recém-nascidos, trata-se de uma economia de tempo ideal para quem está ocupado reorganizando a vida em torno de um novo ser humano que demanda atenção quase integral.

No entanto, diversos estudos sugerem que os pais, em diversos estágios da vida dos filhos, são especialmente vulneráveis ao excesso de compartilhamento - e de maneiras perigosas para as crianças.

Com o surgimento das redes sociais e a popularização dos devices digitais, a herança deixada para os filhos dessa precoce presença on-line, assim como dos possíveis riscos de invasão de privacidade, são algumas das problematizações por trás do conceito de sharenting.

Sharenting
o termo foi cunhado em 2012 por um jornalista do “The Wall Street Journal” e se refere à junção das palavras da língua inglesa
share (compartilhar) e parenting (relativo à parentalidade).

Pesquisa realizada na Bélgica com 46 adolescentes entre 12 e 14 anos apontou que, embora aprovem em termos gerais o sharenting e confiem em seus pais, os jovens consideram que a prática pode levar a frustrações com relação à autoimagem e situações embaraçosas.

Até 2030,
o sharenting pode estar relacionado a até
7 milhões
de casos de falsificação de identidade e cerca de
U$ 800 milhões 
em fraudes on-line

Fonte: Barclays

96%
dos brasileiros compartilham informações ou fotos em redes sociais como o Facebook e Instagram e
66%
compartilham fotos e vídeos de seus filhos

Fonte: Meus dados preciosos: Perigo desconhecido, Kaspersky Lab

O Brasil é o país que mais sofre crimes virtuais no mundo (entre 157 nações)

Fonte: Internet Security Threat Report (ISTR), Symantec

Nunca houve uma geração cuja infância foi tão exposta e documentada em publicações virtuais como a atual.

No livro “Sharenthood: Why We Should Think Before We Talk About Our Kids Online” ("Sharenthood: Por que devemos pensar antes de falar sobre nossos filhos on-line, em tradução livre), a autora Leah Plunkett argumenta que o sharenting acontece sempre que um adulto responsável pelo bem-estar de uma criança, seja um pai ou professor, transmite detalhes particulares sobre ela por meio de canais digitais – sendo os mais populares o Facebook e o Instagram.

Embora essas plataformas e esses dispositivos não explorem as imagens infanto-juvenis intencionalmente, Plunkett argumenta que eles envolvem decisões de adultos que aceleram a entrada de uma criança na “vida digital”. Entre os riscos mais comuns, postar sobre os filhos pode causar ou provocar desde crimes de falsidade ideológica, bullying e situações vexatórias até discriminação futura em processos seletivos que venham a utilizar o histórico de postagens de um candidato e uso indevido de imagens em redes de pornografia infantil.

Segurança

A questão do sharenting ainda está sendo debatida e não encontra respaldo explícito no ordenamento jurídico brasileiro atual. No entanto, o artigo 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura o direito à privacidade, à imagem e à autonomia, e o artigo 227 da Constituição Federal concede prioridade absoluta à garantia de direitos básicos de crianças, adolescentes e jovens, o que, em tese, também se aplicaria à garantia de direitos na internet.

No dia a dia, vale o bom senso. Ponderar se o filho ou a filha iria querer ter aquele conteúdo da postagem exposto publicamente pode ser um termômetro da necessidade real de compartilhar algo nas redes sociais. Apesar dos filtros de privacidade e da opção de criar perfis fechados, sempre existe a possibilidade de alguém copiar ou dar print nos conteúdos e torná-los públicos.

Precauções

  • Não fotografar e publicar partes íntimas das crianças
  • Evitar publicar imagens das crianças em contextos de lazer como piscina, praia ou em trajes de banho
  • Configurar os perfis para que as postagens não sejam completamente públicas
  • Utilizar canais mais privados e seguros, como o e-mail, para o envio de imagens para pessoas conhecidas
  • Não publicar informações ou imagens que revelem localização, rotina ou até mesmo o uniforme escolar das crianças
  • Desabilitar ferramentas de geolocalização nas imagens compartilhadas

A comunicação instantânea das novas tecnologias digitais possibilitou que o compartilhamento de informações gerasse aproximação rápida e frequente, assim como uma espécie de álbum de fotografias de momentos e etapas do crescimento das crianças e dos jovens que, antes, ficavam apenas na memória. Porém, a cautela pode fazer a diferença entre o ímpeto de documentar a intimidade de alguém e a necessidade de remediar os riscos e problemas da superexposição e dos usos indevidos e imprevistos de quem sequer sabia que estava sendo exposto.

Arte: Gabriela Costa /  Imagens: iStock by Getty Images e Flat Icon / Texto: Renato Barreto

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