A presença feminina no futebol, da ilegalidade até a participação na Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019, é celebrada pela emoção em campo e por seu papel no processo de empoderamento das mulheres durante o século XX. Nesse percurso, a constante superação de obstáculos foi a marca da busca por inclusão no esporte e na cultura futebolística em geral. 

Mesmo diante de baixos salários, desinteresse de marcas em investir na modalidade, falta de estrutura das equipes de base e de profissionalização da categoria, entre outros desafios, as atletas assumem um protagonismo histórico que agora é partilhado com milhões de espectadoras e espectadores em todo o mundo. 

Mas se o futebol domina o imaginário esportivo dos brasileiros, especialmente durante a Copa, será que também é referência para as mulheres?

“QUANDO VOCÊ PENSA EM ESPORTE,
QUAL A PRIMEIRA IMAGEM QUE LHE VEM À MENTE?”

53% dos brasileiros pensam em futebol.

Para as mulheres, 36,4% têm o futebol como primeira referência de esporte.*

*Elas apresentam, porém, maior diversidade no imaginário esportivo de que os homens. Fonte: Diagnóstico Nacional do Esporte (2015).

É natural e esperado, portanto, que a pressão por mudanças e representatividade dentro do esporte ocupe cada vez mais os campos e as arquibancadas, assim como as rodas de conversa e as profissões desportivas. As partidas transmitidas hoje em dia ultrapassam a lógica do evento e entram para o registro de uma história que merece ser contada.

CONTRA-ATAQUE

Fim do século XIX

Primeiros amistosos entre combinados e a formação do primeiro time exclusivo para mulheres, o British Ladies Football Club.

Século XX

Emocionadas com as partidas e impossibilitadas de se manifestarem nas arquibancadas, as mulheres “torcem” lenços para extravasar a tensão e dão origem ao uso da palavra “torcedora”.

Década de 1930

Jogos de mulheres são considerados atração de circo. “Palhaças ou jogadoras”, questiona manchete do jornal O Imparcial (1941).

1932

A presença oficial das mulheres nos grandes eventos esportivos começa por outras modalidades, como a participação da nadadora Maria Lenk nos jogos olímpicos.

Década de 1940

10 times femininos de atletas amadoras ganham espaço no subúrbio do Rio de Janeiro. A reação é rápida: Getúlio Vargas recebe uma carta clamando pelo fim do futebol feminino. A zagueira Adyragram assume o papel de porta-voz protestando publicamente contra as proibições.

Abril de 1941

Decreto-Lei nº. 3199 proíbe as mulheres de praticarem esportes considerados violentos à natureza feminina, com embasamentos médicos, morais e biológicos, sem menção direta ao futebol – o que duraria até 1983.

1959

O recém-inaugurado Pacaembu é palco de um amistoso entre atrizes paulistas e cariocas, superando proibição da Federação Paulista com a alegação de ser um evento beneficente.

1965

O Conselho Nacional de Desportos cria regulamentação, que duraria até 1979, reafirmando a proibição anteriormente imposta e, aí sim, citando nominalmente o futebol.

1970

Acontece o primeiro Mundial da categoria, na Itália, tendo a seleção dinamarquesa como campeã.

1971

Léa Campos resiste à ditadura e às diversas detenções por subversão para se tornar a primeira árbitra credenciada pela Federação Internacional de Futebol (FIFA) a apitar uma partida de futebol.

1986

A Seleção Brasileira feminina entra em campo pela primeira vez num confronto amistoso com os Estados Unidos.

1991

A FIFA organiza a primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino.
A seleção feminina brasileira é Vencedora da Copa América (repetindo o feito em 1995, 1998, 2003, 2010, 2014 e 2018).

1996

Primeira Olimpíada (Atlanta, EUA) com participação do futebol feminino. A seleção feminina ganharia em edições seguintes duas vezes medalha de prata (Atenas em 2004 e Pequim em 2008).

1997

Luciana Mariano faz história e estreia, aos 21 anos, como primeira narradora de futebol da televisão brasileira no Torneio Primavera.

2013

O Brasileirão feminino tem sua primeira edição.

2015

A jogadora Marta é considerada a Maior Artilheira da História da Seleção Brasileira (contando a masculina e a feminina) ultrapassando a marca de 100 gols, superando Pelé. No mesmo ano, ela conquista outro recorde, o de maior artilheira da história da Copa do Mundo de futebol feminino, com 15 gols.

2016

A técnica e ex-jogadora Emily Lima passa a comandar a seleção brasileira, sendo a primeira mulher no cargo desde o primeiro amistoso de 1986.

2017

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) define que, a partir de 2019, todos os 20 participantes da Série A do Brasileiro precisarão se enquadrar no Licenciamento de Clubes da Confederação Brasileira de Futebol e, por obrigação, manter um time de futebol feminino - adulto e de base.

2018

A Copa da Rússia é um marco na participação inédita de mulheres nas transmissões, nos bastidores, na torcida e em campo.

2019

Todos os jogos da seleção feminina brasileira na Copa do Mundo de Futebol Feminino da França são exibidos na TV aberta pela Rede Globo pela primeira vez na história.

compartilhe

continue com gente

Vozes femininas contam história do futebol

Os desafios e as glórias enfrentados pela jornalista e cineasta Marcela Coelho na direção do documentário sobre um dos maiores times brasileiros

14 nov 2019

por SporTV

Esporte Para Sentir

Olé! Conheça os números vitoriosos e históricos do futebol feminino

A Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019 dribla preconceitos e disputa conquistas históricas dentro e fora dos gramados.

28 jun 2019

por SporTV

Esporte Para Sentir

Mulheres no Futebol

Minidocumentário debate sobre a história da mulher no Brasil, com foco no universo do futebol, e aborda a evolução feminina ao longo dos anos no esporte.

22 maio 2019

por Vox We Study People

Além do Gênero

20 mulheres brasileiras além do seu tempo

Conheça as pioneiras que impulsionaram os avanços conquistados por todas as mulheres na atualidade. Uma lista para entender a força feminina e se inspirar.

6 mar 2019

por Globosat

Além do Gênero

Torcedores em rede

Copa do Mundo 2018 bateu recordes de engajamento virtual: conheça os números.

26 jul 2018

por SporTV

Esporte Para Sentir

As cores do futebol

A lacuna na diversidade étnica entre os treinadores de futebol destoa da crescente demanda por representatividade nos esportes.

19 jul 2019

por SporTV

Esporte Para Sentir

Portas abertas para os esportes

Equipes LGBTQI+ desafiam preconceitos e ressignificam as relações com os esportes. Gays, lésbicas e bissexuais superam o medo e mostram pioneirismo.

20 nov 2018

por Globosat

Esporte Para Sentir

A Copa e a torcida brasileira

Neste vídeo, você vai descobrir o que mais motivou a torcida brasileira nas Copas, os seus rituais e os tipos de torcedores.

17 jul 2018

por SporTV

Esporte Para Sentir

No futebol, o pior cego é o que só vê a bola

Futebol é muito mais do que um esporte. Mergulhe nessa mística e entenda como a imagem dos ídolos transcendeu as 4 linhas e se modificou ao longo do tempo.

3 jul 2018

por SporTV

Esporte Para Sentir

Muito mais do que futebol

O período da copa mexe com cotidiano das pessoas. Paramos as preocupações por noventa minutos e damos um jeito de acompanhar os grandes jogos de futebol.

29 jun 2018

por Samsung

Esporte Para Sentir

Torcedores do Brasil

Uma análise da relação do brasileiro com a Copa do Mundo desvenda como o maior evento do esporte global é capaz de despertar paixões e parar o país

18 maio 2018

por SporTV

Esporte Para Sentir

A nova cara dos esportes

A identidade esportiva brasileira se desconstrói para revelar novas interatividades e protagonismos

9 maio 2018

por SporTV

Esporte Para Sentir