Nada mudou e tudo mudou, está mudando.
Ficamos um pouco desnorteadas com as notícias do Coronavírus, com as mudanças em nossas vidas, rotinas, trabalhos, afetividades.
Encontros e desencontros.
Nada de beijos, abraços.
Cumprimentos palma com palma.

E vamos ficar em casa.
A casa que será o escritório, a gravação de programas, o local de estar em contato com outras pessoas virtualmente.

Alguns vão ficar em seus quartos, trancados, ligados nos celulares, digitando, digitando, recebendo e mandando mensagens até cansar dedos, olhos, mentes. Então poderão silenciar e apreciar o momento de ser, intersendo.

Havia quem reclamasse de pessoas grudadas nos celulares, pessoas não mais se olhavam e conversavam – mensagens, mensagens.

Eis o momento de perceber o que estávamos fazendo – e talvez, para alguns, surgir uma vontade de ver alguém de perto, olhar e sentir o cheiro, tocar.

Vamos lá. Sem reclamar. Aprecie sua vida.
Faça de cada instante um momento sagrado e único. Irrepetível.
Para mim é como voltar ao mosteiro.
Falar menos – inclusive para não brigar com quem estiver convivendo.
Pensar e meditar com tranquilidade.
Criar uma rotina saudável.
Nunca comer da panela.
Nunca passar o dia com as roupas de dormir.
Tomar banho.
Vestir-se e revestir-se com estilo e leveza.
Escolher quando ligar e desligar a TV, o celular, o computador.
Comer bem e pouco.
Fazer Yoga e ou exercícios físicos – professoras e professores de Yoga estão disponibilizando aulas on-line gratuitamente.
Meditar e filosofar.
Há cursos on-line de grandes filósofos, de meditadores e de monges e monjas. Há missas do Papa Francisco – humilde e forte.
Há pastores e pastoras em inúmeros programas na TV.
Há rádios com ensinamentos sagrados e raros.

Fique em casa.
Abra as janelas, sorria para o céu.
Ouça os pássaros e os poucos carros.
Ouça mais. Fale menos. Interna e externamente.

Sente-se todos os dias, por alguns minutos, em silêncio, alongando a coluna vertebral e a cervical, sem levantar o queixo. Esteja presente em sua respiração. Quando inala toda a caixa torácica se expande. Quando exala ela se contrai – em todas as direções. Não force. Observe.

Evite sair às ruas. Não saia às ruas.
Fique em casa.
Abra as janelas, sorria para o céu.
Ouça os pássaros e os poucos carros.
Ouça mais. Fale menos. Interna e externamente.
Onde é dentro, onde é fora?
Escolha músicas diferentes, de épocas diferentes, estilos diversos.
Aprecie sua vida.
Um poeta paulistano, Cassiano Ricardo, escreveu:
“Cada minuto de vida nunca é mais, é sempre menos.”
Apreciemos cada dia, cada semana e talvez cada mês de reclusão, de isolamento social, para ficar um pouco mais íntima com a vida e perceber quantos universos existem na mente humana.

Faça escolhas que beneficiem o maior número de seres.
Não se deixe levar pela raiva, pela ganância, pela ignorância.
Pratique a compreensão, a compaixão, a doação, a sabedoria. Não odeie ninguém.
Aprecie sua vida. Cada instante é único e jamais se repetirá. Transforme-se.
Nunca fique muito tempo na mesma cadeira, na mesma posição.
Crie pausas para fazer nada.
Isso mesmo, nadismo – fazer nada.
Sem intenção nenhuma.
Presença pura.
Olhos veem, ouvidos escutam, narinas cheiram, língua sente o salgado e o azedo, pele sente o quente e o macio... Todos os sentidos alertas. Vida. Presença pura.

SEJA SUAVE COM VOCÊ E COM TODOS.

Observe o gerenciamento das consciências dos órgãos dos sentidos por uma consciência gerenciadora que transmite informação a uma grande memória. Quem leva e trás as informações e respostas da grande memória é uma outra consciência. Perceba quantas consciências temos.

Seja suave com você e com todos.

Leia mais.
Estude.
Faça cursos EAD.
Cante, dance, sorria, chore, silencie.

Nada fixo, nada permanente...
Você com você é você com todo o pluriverso.

Procure não se contagiar e não contagiar ninguém.
Se acaso estiver doente, vá aos centros de saúde e hospitais.
Cure-se.
Cientistas já estão sabendo como lidar com esse Corona, por ser coroado, coberto, mutante, vírus viralizando o planeta.

Sem medo, sem ansiedades, aprecie o momento presente.
Faça planos para o segundo semestre.
Prepare-se para conferências e encontros on-line.
Não use seu tempo para bobagens, abusos, insultos.
A vida está passando e você passa com ela. Sorria.

O vírus veio nos demonstrar que estamos todos juntos.
Sem fronteiras, sem gêneros, sem posicionamentos políticos, sem idade.
Somos pessoas humanas.

Escolha entre virtudes e vícios e adentro o plano dos anjos ou dos demônios – afinal, humanos não somos nem um nem outro.

Prática é realização.

Silencie.

Pausa. Estão nos dando uma pausa. Vamos usá-la para reflexões profundas sobre os sentidos que podemos dar às nossas vidas?

Mãos em prece.

Monja Coen é jornalista e monja zen budista.

 

“Caminho Zen” reflete sobre temas universais e conflitos da sociedade atual.

Apreciar a existência, redescobrir o valor do agora, cultivar o desapego e entregar-se ao fluir da vida; essas são algumas das propostas de uma viagem de autodescobrimento pelo Japão. Este é também o “Caminho Zen” por onde a Monja Coen e Fernanda Lima irão nos levar no novo programa do GNT, que estreou dia 11 de março. Em cinco episódios, o programa medita - em um processo de aprender, desaprender, perguntar, compreender e trocar - sobre as dores da vida moderna e nossa relação com o tempo, o agora, desapegos e afetos.

Texto: Monja Coen | Imagem: Divulgação GNT

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