Os museus são instituições que não estão nas primeiras opções de lazer da maioria dos brasileiros. Detentores de artefatos que materializam culturas e que têm o poder de ensinar, sensibilizar e emocionar quem os visita, os museus são lugares que possuem inúmeras possibilidades de reinvenção. 

A trajetória do que os museus representavam mudou muito com o tempo: No século XIX, eram ligados à nobreza, depois passaram a ser instituições com papel histórico e científico e, nos dias de hoje, são encarados como lugares que tentam se conectar com e falar sobre nossos cotidianos sociais.

A Oi Futuro e a Consumoteca desenvolveram uma pesquisa acerca da percepção dos museus brasileiros a partir do olhar de frequentadores e não frequentadores. Essa pesquisa revelou a seguinte realidade sobre nossos museus:

O CENÁRIO ATUAL

De acordo com o IBRAM, no Brasil há hoje 3.793 museus


O que os museus representam para os brasileiros?

65%
acredita que a função do museu é de aprendizagem, tendo posse de um acervo que apresente uma história própria e/ou de uma cidade ou país
46%
afirmam que museus são para preservar e comunicar a história de seu acervo
9%
dizem que museus servem para discutir e debater questões sociais
4%
acreditam que esses espaços devem debater temas da atualidade importantes para a cidade

55% dos entrevistados
tiveram seu primeiro contato
com museus através de excursões escolares.

O FUTURO

A pesquisa aponta quatro tendências para o futuro dos museu


1. OBJETO VIVO

Como oferecer experiências novas e surpreendentes entre os objetos e o público?

64% dos entrevistados dizem que a importância das peças dos acervos se mede pela história em que elas estão inseridas, não pelo seu tempo de existência ou nível de conhecimento da sua história.

36% dos entrevistados consideram o tour virtual uma possibilidade de ter algum contato com culturas e países que talvez não cheguem a conhecer.

“Falta uma política de longa duração dessa relação entre museu e escola. Temos que aumentar o trabalho dos museus com professores. Ouvir as expectativas dos alunos, fazer do museu uma provocação para o conhecimento.”

Marília Bonas, historiadora

Tour Virtual do British Museum

A diversificação e reinvenção de como pensar o público dentro desses espaços deverá se tornar constante. A experiência é o que motiva as pessoas a saírem de casa, principalmente aquelas difíceis de descrever. Eventos como a Virada Cultural, em São Paulo, e o festival Burning Man, nos Estados Unidos, unem arte à uma experiência de vivência compartilhada entre os indivíduos.

Burning Man. Fonte: Aaron Huey para National Geographic.

Para pensar:

  • Se o museu é o preservador da memória do objeto, e não só do objeto, que novas formas de contar as possíveis histórias dessa memória podemos ter?
  • O que incluir no museu para que estar nele seja uma experiência insubstituível?
  • Ambientes que estão fora de salas de exposição, as lojas de museus têm sido espaços interessantes para possibilitar novos tipos de experiência com a arte.

2. EU PARTICIPANTE

Como estimular o público a participar do processo de aprendizado do conteúdo dos museus?

Os museus possuem um tipo de linguagem própria, muitas vezes pouco acessível e desestimulante para o público não especializado em artes. Isso faz com que museus tenham uma imagem de serem acessíveis somente à “especialistas”.

“O museu não é um espaço sagrado por excelência, é um espaço de oportunidade de relação e de construção de conhecimento.”

Janaína Melo, historiadora e curadora/p>

Um exemplo de ação foi feito pelo Museu Guimet, em Paris, que convidou DJs para criarem músicas que interpretam suas obras e fizeram sessões noturnas de música e dança para apresentá-las ao público.

Museu Guimet. Fonte: The Art Newspaper

Para pensar:

  • Como o museu pode posicionar seu lugar de conhecimento como “mais um” entre tantos e, assim convidar o frequentador para que ele possa contribuir com “mais uma” interpretação, mais um olhar sobre o que está vendo?
  • O museu pode atuar na sua rua, na dinâmica do bairro, dos vizinhos, na vida dos trabalhadores do museu, com a escola que fica perto, contribuindo com os professores, com mais comprometimento com essa escola.

3. EFEITO SURPRESA

Como dar caráter de experiência inédita ao que hoje representa pouca surpresa na visão do público?

A percepção de que no museu predomina um acervo fixo, ou exposições que são “sempre parecidas”, dá a ideia de que são “engessados”, “sempre os mesmos”. Esse fato é contrastante com galerias e centros culturais, por exemplo, que são percebidos como mais dinâmicos por contarem com cafés, cinemas, sofás e espaços para shows.

50% dos entrevistados
afirmam que museus são
lugares para se visitar uma vez só.

Ron Mueck. Fonte: EuropaPress

Exposições temporárias são uma maneira de quebrar a monotonia e atrair mais visitantes aos museus. Um exemplo foi o grande sucesso da exposição de Ron Mueck no MAR.

Para pensar:

  • Hoje em dia, pessoas frequentam espaços artísticos não somente pelas exibições de arte, mas também para aproveitar serviços como cafés, wifi, lojas ou apenas para relaxarem em um espaço confortável;
  • Fazer uma curadoria entre diferentes tipos de arte, com eventos que se relacionem entre si, pode ser uma alternativa para diversificar experiências e atrair mais público;
  • A busca por novidade nos museus é um reflexo dessa busca em diversos outros campos, principalmente no varejo de bens e serviços, onde não basta somente marcas lançarem novos produtos, elas precisam também reinventar seus próprios espaços de venda para atrair o consumidor.

4. MUSEU CLUBE

Como tornar o museu parte do dia a dia das pessoas?

Na idade escolar, a ida ao museu é uma ruptura na rotina. Já na idade adulta, museus aparecem como programação em outro momento de ruptura: durante as viagens de férias.

Programações específicas, voltadas à população local, é uma tentativa para a criação de laços mais fortes com a comunidade onde o museu se localiza.

Um exemplo é o MUQUIFU – Museu de Quilombos e Favelas Urbanas, em Minas Gerais. Criado a partir da lógica da relação com a comunidade, ele reúne fotografias, objetos, imagens de festas, danças, entre outros objetos que representam a tradição e a vida cultural dos moradores de favelas e quilombos do estado.

MUQUIFU. Fonte: Cultura MG

Para pensar:

  • Para atrair locais, muitos museus estão redefinindo suas ofertas com programações que abordem questões que sejam cultural, social e politicamente relevantes para a comunidade local;
  • Os museus comunitários/de território têm se mostrado respostas interessantes e inovadoras à nova demanda por participação dos museus nos debates públicos.

Arte: Gabriela Costa / Imagens: iStock by Getty Images e Flat Icon / Texto: Gustavo Kievel / Fonte: Oi Futuro e Consumoteca

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