7 de abril celebra-se o Dia do Jornalismo. E neste mês comemorativo, Gente convida cinco jornalistas para entrevistas especiais, apresentando insights e lições que o jornalismo proporcionou ao longo da sua vida profissional. 

Uma transformação: foi isso que o digital fez com o jornalismo. Há quem diga que essa mudança foi benéfica, outros que a comunicação se perdeu em um ambiente de disputa pela atenção do leitor.

Para Pyr Marcondes, Diretor Geral do ProXXIma, o digital revolucionou a forma de se contar histórias.

 

"O fenômeno da revolução digital nos colocou diante de uma inimaginável capacidade de geração, produção e distribuição de todo tipo de conteúdo e de informação. O desafio de todos nós é sermos verdadeiros, transparentes e criarmos valor."

 

Pyr Marcondes é um especialista em tecnologia e em jornalismo. Começou na profissão aos 16 anos e hoje já acumula 47 anos de boas histórias para contar. Ele já passou por revistas como IstoÉ, Jornal da Tarde e Playboy. Já foi sócio de agência de publicidade, de consultoria digital e de mobile marketing. Hoje é Diretor Geral do Núcleo ProXXIma e da M&M Ventures, do Grupo M&M.

É de se esperar que o profissional que já acumulou tanto conhecimento sobre o digital e que até já entrevistou Vint Cerf, um dos pais da internet, atribua muito de seu aprendizado no jornalismo às máquinas e aos números. Mas quase meio século depois de começar na profissão, Pyr Marcondes é categórico: onde mais aprende é com a vida. E o bom jornalismo se faz sendo verdadeiro, investigativo e corajoso.

Na entrevista a seguir, ele fala sobre os maiores aprendizados que teve e relembra momentos marcantes de sua carreira. Pyr Marcondes é uma das cinco pessoas convidadas para esse especial em comemoração pelo mês do jornalista. Confira a entrevista completa:

Entrevista com Pyr Marcondes, Diretor Geral do ProXXIma.

GENTE: Qual é o maior aprendizado que o jornalismo te trouxe nesses anos?

Pyr Marcondes: Eu faço pouca ou quase nenhuma diferença entre o jornalismo e a vida real do dia a dia. Eu penso e enxergo o mundo pela ótica recorrente e permanente da interpretação. E para mim, jornalismo sempre foi isso. É o aprendizado da vida através da capacidade que a gente tem de interpretar a vida. Então, é always on, não tem diferença. Eu diria que o aprendizado que eu tenho é a própria vida. É o jeito que eu aprendi a olhar a vida e vivê-la.

Qual é o desafio de produzir conteúdo jornalístico em um cenário cada vez mais competitivo pela atenção do público?

O fenômeno da revolução digital nos colocou diante de uma inimaginável capacidade de geração, produção e distribuição de todo tipo de conteúdo e de informação. É algo que nunca vivemos antes e eu diria que hoje é impossível você conseguir o feito de manter a atenção de qualquer tipo de público o tempo todo. E também imaginar que a sua proposta de valor, mesmo sendo bastante diferenciada, tem um poder avassalador e inescapável de sedução. Não tem como. Tem muita sedução lá fora, a concorrência é infinita. O desafio de todos nós, que queremos sair do caos e nos diferenciar nesse quase abismo de enxurradas de informação, é sermos verdadeiros, transparentes e criarmos valor. De fato, para pessoas que a gente quer conversar.

Em um ambiente tóxico e polarizado, como o jornalismo pode ajudar a construir uma sociedade melhor?

O maior valor do jornalismo sério, comprometido e profissional é ser verdadeiro. A verdade no mundo fake é o diferencial. Então, num ambiente tóxico e polarizado, o jornalismo se diferencia sendo verdadeiro, sendo investigativo como sempre foi. Sendo corajoso, sendo independente como sempre foi. E estou falando do jornalismo que segue as premissas mais clássicas da ética e de uma profissão consequente como é a nossa. O jornalismo, empresas e profissionais contribuirão sempre para uma sociedade melhor, sempre que forem investigativos, corajosos e verdadeiros.

Qual foi a melhor entrevista da sua carreira?

É difícil, acho que não sei responder. Não fiz a conta. Eu sou jornalista desde os 16 anos. Vou completar 63, é muito tempo. E eu sempre estou entrevistando. Não tenho uma boa resposta. Vou citar uma, não porque eu ache que seja a melhor, mas porque me marcou muito. Não pela entrevista em si, mas pela pessoa. Eu entrevistei o Vint Cerf, um dos caras que criou a internet. Eu o entrevistei por volta de meia hora, e foi uma entrevista fantástica. Pela relevância dele, e não propriamente a entrevista em si. Porque ele disse coisas que todo mundo já conhecia. Mas vê-lo falando e estar do lado dele foi muito marcante.

Qual conselho você daria para o Pyr no começo da carreira?

Sem falsa modéstia, eu diria para o Pyr do começo da carreira pra ser exatamente como ele foi. O Pyr lá de trás é idêntico ao Pyr de hoje. Só estou mais velho e mais experiente. Mas a inexperiência original lá do Pyr do início da carreira não prejudicou algo que eu sempre tive e sempre terei que é essa vontade de investigar, de conhecer o novo, de não se conformar com as coisas dadas. A vontade de tentar enxergar o futuro antes que ele se manifeste. Isso desde 16 anos de idade já estava lá, segue estando aqui seguirá estando comigo o tempo todo.

Pyr Marcondes é Diretor Geral do Núcleo ProXXIma e da M&M Ventures, do Grupo M&M.

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Crédito: iStock 668207866 Rawpixel

 

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