Em 2007, um artigo do jornal inglês “The Guardian” cravou que “ninguém quer mais pagar por música”. O que mudou mais de dez anos depois? Hoje, gravadoras e artistas se organizaram de maneira a vender música no formato digital. O streaming surgiu como modelo pioneiro de consumo de música digital com a ascensão de serviços como o Spotify, Deezer, Rdio e a Apple Music, que cobram uma taxa mensal dos usuários para disponibilizar um catálogo musical, acessado por meio de uma conexão à internet. 

Globalmente, os jovens são os mais propensos a pagar para usar serviços de streaming, mas o número ainda é baixo: só 10% dos usuários desembolsam para ouvir música, de acordo com uma pesquisa divulgada pela GlobalWebIndex, empresa que fornece dados de perfis de consumidores de música em todo o mundo.

 Mas o streaming é sustentável? 

Em contrapartida, porém, a ascensão da música digital, consumida via streaming em dispositivos que se conectam à internet e usam grande quantidade de energia para armazená-la e processá-la, resultou em um aumento significativo de emissões de carbono, mais altas do que em qualquer outro momento da história da música. Publicada em 8 de abril de 2019, uma pesquisa realizada por acadêmicos que atuam na Europa mostra que a produção global de plástico pela indústria fonográfica diminuiu com a ascensão dos meios digitais, mas as emissões de gases estufa ligadas ao consumo de música atingiu um pico sem precedentes na era do streaming.

O estudo, intitulado “O custo da música” foi realizado por pesquisadores da Universidade de Glasgow, na Escócia, e da Universidade de Oslo, na Noruega. Além do impacto ambiental do streaming, o estudo atesta que o preço que consumidores estão dispostos a pagar para ouvir música gravada nunca foi tão baixo. Dentre outras razões, essa é a prerrogativa que guia muitos amantes de músicas e do meio ambiente a aderir a um movimento contra os algoritmos e a indústria do streaming.

O movimento anti-algoritmo se estende a questionar hábitos de consumo como um todo, principalmente em caminho contrário a vida online das redes sociais.

Em um artigo publicado no site The Conversation, os autores de “O custo da música”, Matt Brennan e Kyle Devine afirmam que o objetivo não é arruinar o mercado nem o prazer por escutar música, mas estimular a curiosidade de consumidores a respeito das escolhas ao consumir cultura, tanto com relação aos artistas, quanto ao modelo de negócio das plataformas de streaming e à sustentabilidade desse consumo, do ponto de vista ambiental. A conscientização a respeito das descobertas deve, segundo Brennan, ser um primeiro passo para criar alternativas de consumo economicamente viáveis e sustentáveis para quem produz e quem escuta música.

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