De tanto ouvir falar do Web Summit, estava ansioso para conhecer “a maior conferência de tecnologia da Europa”. Como muitos, viemos em um grupo de colegas dispostos a acompanhar as últimas discussões e tendências de conteúdo, comunicação, mídia e tecnologia.

O tamanho do evento de fato impressiona. Sediado em uma grande arena e cinco galpões repletos de estandes, palcos e palestras, a primeira e inevitável (será?) impressão é a famigerada FOMO.

Os mais de 20 espaços temáticos, separados em verticais igualmente interessantes como Content Makerks, Future Societies, Auto/tech & Robot, Health, Growth, Creatiff, Planet Tech, Sports e Startups, todos com palestras e painéis ininterruptos e simultâneos, te deixam com uma amarga sensação da inevitável incapacidade de conseguir assistir a tudo o que gostaria.

E assim, começa a aflita navegação no ótimo aplicativo do evento pela busca, escolha e renúncias dentro do infindável mar de conteúdo acontecendo ao seu redor.

Já com um distanciamento da correria por tantas palestras e painéis, a percepção mais forte que me vem à cabeça é a do título do artigo, emprestada do livro de Thomas Friedman.

Nele, no longínquo ano de 2005, Friedman abordou o conceito de que o fenômeno da globalização, associado às facilidades de comunicação, transporte e união de mercados, fez as então barreiras político-geográficas caírem e assim, as instituições e pessoas passavam a ter acesso às mesmas informações, independentemente de onde estivessem. O mundo havia ficado “plano”.

Quatorze anos depois, saio do Web Summit com essa certeza mais forte do que nunca. Pois, em meio a tantos painéis, palestras, exposições, apresentações e discussões, ministradas e conduzidas por profissionais globais, nada me pareceu distante, inédito ou não discutido no nosso noticiário, cotidiano e mercados de mídia, comunicação e tecnologia no Brasil.

Todos os painéis terem duração de 20 minutos, na minha opinião, se revela uma armadilha. Talvez numa tentativa de pegar emprestado o charme do TED, o formato deixa pouco espaço para discussões profundas ou ricas. Profissionais mundialmente reconhecidos tinham tempo apenas para se apresentar e responder a duas ou três perguntas de forma rasa.

A depender do profissional em questão, o modelo das palestras individuais se salva por permitir que este tenha tempo e recursos para passar sua mensagem, conteúdo ou cases de forma mais profunda. Porém, mesmo nas palestras, o desafio de curadoria para encontrar insights originais era essencial.

Não sei se a resposta estaria em eventos menores, mais focados e menos “one stop shop”. Com menos temas, verticais e conteúdo e discussões mais ricas e, talvez, não tão mainstream.

Sei que, ao final do evento, saí me perguntando se, às vésperas do ano 2020, com nosso tempo cada vez mais escasso e com tantos recursos tecnológicos disponíveis para o consumo de conteúdo do mundo inteiro, em tempo real ainda vale a pena se “despencar” de outros países e abandonar nossas corridas rotinas para esse tipo de evento.

A minha conclusão é de que, para atender a eventos com esse formato e proposta, talvez o mundo já esteja plano o suficiente.

Texto: Antonio Rocha / Imagens: iStock by Getty Images

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