Parece irreal imaginar que, em plena era digital, existam pessoas sem acesso à internet. Também é irreal e alienante desconsiderar o fato de que a desigualdade social existe, torna-se cada vez mais expressiva e influencia diretamente nos diferentes perfis de usuários digitais.

Fato é que o número de pessoas que acessam à internet cresce ano a ano – é o que diz a pesquisa realizada pela CETIC (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), ligado ao Comitê Gestor da Internet do Brasil, divulgada em agosto de 2019.


No total, 70% da população acessou a rede pelo menos uma vez nos últimos três meses.
Graças à popularização dos smartphones, as classes C e D/E tiveram aumentos consideráveis no uso da internet: os índices subiram de 60% para 76% (classe C) e de 23% para 40% (D/E).
Entre aqueles que acessam a internet, 97% usam o celular para isso.
O uso do computador varia conforme a classe social. Se na classe A, 88% também se valem do computador, nas classes D e E esse índice cai para 15%.
Entre os usuários totais de internet, 89% acessam a rede todos os dias ou quase todos os dias.
Quem são os desconectados?

O levantamento da CETIC mostra, também, que a desigualdade social reproduz a “desigualdade digital” no Brasil. Um total de 23% dos brasileiros nunca ficou online, aproximadamente 48 milhões de pessoas, mais do que o número de habitantes do Estado de São Paulo.


Nas áreas rurais, os desconectados alcançam 41% da população. Os extremos são a região Nordeste, onde 29% das pessoas jamais estiveram online, e no Sudeste, onde o índice está em 20%.

A interpretação desses dados se torna assustadora se levarmos em consideração que todas as empresas hoje desenvolvem suas estratégias embasadas em desenvolvimento de novas tecnologias, transformação digital e engajamento nas redes. Esse fenômeno de exclusão de parte da população impõe limites, por exemplo, ao acesso de todo o conteúdo online dessas empresas, desde a busca por oportunidades de empregos e a facilidade de novos serviços públicos, até o consumo de cultura, arte e educação. Seria o momento de pensarmos juntos em maneiras de democratizar o ambiente digital?


Arte e ilustrações Jordana Leite / Imagens Hirurg, Thomaz Farkas / Fonte Nexo JornalTexto Gabriel Prates

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