Sim e não.

De fato todos vivem ligados aos seus celulares - mas isso não significa necessariamente menos comunicação. Muitas vezes significa mais. O uso universal da tecnologia apenas evidencia que nem sempre a conversa que mais nos interessa está ao nosso lado.

O celular é um objeto concreto em que se pode por a culpa pelo que parece desconexão: de certa forma, ele é mais visível do que um bordado, um livro, um jogo de cartas. É mais invisível também: quando se vê alguém bordando, lendo ou jogando paciência, percebe-se - e aceita-se - o que essa pessoa está fazendo. O celular é mais íntimo e menos evidente, e por isso ainda causa mais desconforto. A internet, porém, ampliou o espaço do diálogo. Não há mais barreiras geográficas. A forma como nos comunicamos mudou.

Uma pergunta pode não ter mais resposta imediata, conversas acontecem ao longo de dias, um pedaço aqui outro ali, mas tudo isso é comunicação. Os netos ficam espantados quando as avós contam que, quando eram crianças, conversavam com os amigos pelo telefone: só som, sem figurinhas ou emojis, saindo de um aparelho fisicamente conectado à parede de casa.

O mundo muda, as gerações mudam, a tecnologia une e afasta.
Entre outras coisas, é sobre isso que a gente conversa.

Cora Rónai é jornalista e colunista no jornal O Globo.

No programa a seguir, do podcast "Aquelas Duas", apresentado por Isabella Saes e Cora Rónai, tem um pouco mais sobre o tema. Tendo como ponto de partida o estudo "Diálogo", disponível aqui na plataforma na íntegra, as jornalistas conversam sobre os diálogos contemporâneos.

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Diálogo - Conexão que atravessa bolhas

 

DIÁLOGO

Um estudo sobre a qualidade da comunicação nos relacionamentos humanos contemporâneos. Afinal, estabelecer diálogo é fundamental para a conexão real.

Narrativas (Des)construídas

 

NARRATIVAS (DES)CONSTRUÍDAS

Descubra as tendências de produção e consumo de narrativas, mostrando a diversidade dessa cena que amplia o alcance de vozes.

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