No contexto da sociedade moderna e com a chegada das novas gerações, sobra cada vez menos espaço para ainda existirem os estereótipos do macho alfa, protagonista, infalível, provedor e retentor do sucesso profissional, também os estigmas da mulher frágil, indefesa, que nasceu para casar e ter filhos, que precisa do sexo oposto para conquistar independência e tomar decisões complexas.

Assim, tornam-se menos influentes os clássicos contos de fadas que retratam as histórias de príncipes indomáveis e princesas indefesas que ajudavam a educar e construir reportório moral para as crianças.

Hoje, contar essas histórias sob uma perspectiva diferente significa dar às princesas e aos príncipes a chance de corresponderem a novos valores e necessidades.

Fundada em 1937, a Plan International, ONG que defende os direitos das crianças, adolescentes e jovens, com foco na promoção da igualdade de gênero, é responsável pelo projeto “A Revolução das Princesas” – movimento que reúne escritoras e ilustradoras para revolucionar o papel das princesas nos clássicos infantis, atualizar clássicas histórias dos contos de fadas que, segundo as autoras, precisam ser contextualizados com o mundo atual. O objetivo da coleção de livros é contribuir no desenvolvimento de uma geração que acredita que a igualdade de gênero é um direito e para expor às meninas hoje, desde cedo, o seu poder na sociedade.

“Quando se trabalha a questão da igualdade de gênero na infância você trabalha também trazendo uma nova sociedade, novos homens que têm um olhar de igualdade. É um desafio. Se atuarmos desde a infância, prevenimos a violência contra a mulher e a violências em relação ao gênero”

De acordo com uma pesquisa realizada pela ONG, a grande maioria das crianças acredita que príncipes sempre são heróis, enquanto princesas são frágeis e fracas, por isso os meninos também fazem parte dessas histórias e precisam desconstruir esses modelos. No mundo dos livros, histórias sobre monstros, guerras e carros são associados à figura masculina. Enquanto livros sobre princesas e contos de fadas são costumeiramente indicados para meninas. 

Para Mell Brites, editora de conteúdo infantil da Companhia das Letras, livros que colocam mulheres como protagonistas não devem ser de interesse exclusivamente das meninas. Por isso, abordar a questão de gênero desde a infância possibilita trabalhar os estereótipos que são colocados e combater o machismo.

Nas versões das histórias modernas, as princesas não são nada indefesas. São heroínas fortes e corajosas que montam em seus cavalos, lutam contra bruxas e dragões e salvam príncipes que precisam de ajuda.

Arte: Gabriela Costa /  Imagens: iStock by Getty Images / Fontes: Exame, Nexo, Estadão / Texto: Gabriel Prates

compartilhe

continue com gente

Documentário “Eu, Criança: Presente do Futuro”

89% das crianças acreditam que podem fazer algo para mudar o mundo. Mas como?

28 nov 2019

por Gloob

Gerações Sem Idade

Uma realidade maior que a realidade

A criação de narrativas para as crianças alcança novas possibilidades com a utilização da realidade aumentada em casa e na escola.

4 nov 2019

por Globosat

Gerações Sem Idade

20 mulheres brasileiras além do seu tempo

Conheça as pioneiras que impulsionaram os avanços conquistados por todas as mulheres na atualidade. Uma lista para entender a força feminina e se inspirar.

6 mar 2019

por Globosat

Além do Gênero

As histórias que contamos às crianças

Quais histórias estamos contando? Será que, ao invés de repetirmos o que crescemos ouvindo, podemos colaborar para que as crianças escrevam as suas próprias?

15 abr 2019

por Gloob

Gerações Sem Idade

Era uma vez

As histórias que contamos às crianças influenciam a forma como elas enxergam o mundo, vivenciam e se relacionam com a coletividade

19 mar 2019

por Gloob

Gerações Sem Idade

De menina e de menino: gênero e infância

Panelinhas para meninas, carrinhos para meninos. De onde vem essa divisão e por que é prejudicial para a igualdade de gênero?

11 out 2018

por Globosat

Além do Gênero

Brincadeira: espaço de liberdade e autonomia

A importância do brincar. A forma de descobrir o mundo e se relacionar com ele, sem precisar atender a objetivos pedagógicos específicos.

10 out 2018

por Gloob

Gerações Sem Idade

Infância: nova perspectiva

Você já parou para pensar sobre o significado da palavra infância? As transformações na sociedade remodelam a maneira como pensamos a infância.

9 ago 2018

por Gloob

Gerações Sem Idade