O aprimoramento de práticas pedagógicas e a atualização dos profissionais do ensino costumam estar no centro das discussões sobre as escolas do futuro. Diante das demandas do mundo atual e dos perfis das novas gerações, a reinvenção do espaço escolar emerge como novo tópico relacionado ao aprendizado, desenvolvimento e bem-estar de crianças e adolescentes no contexto educacional. 

Espaço escolar diz respeito tanto ao conjunto de materialidades que compõem os ambientes por onde circulam educadores e estudantes, como também ao espaço percebido e internalizado, aquele no qual efetivamente se concretizam as práticas de ensino e aprendizagem e a conexão afetiva.

Nesse sentido, as ideias mais comuns associadas ao espaço escolar costumam se relacionar a aspectos como conservação e estrutura predial, qualidade das instalações e acessibilidade. Mas o ambiente das escolas não se resume a isso: é esperado que ele também se articule com as propostas político-pedagógicas e contribua para concretizar os objetivos educacionais, em alinhamento ao desenvolvimento de competências e demandas cada vez mais destacadas do mundo atual – funcionalidade, criatividade e dinamismo.

No Brasil, a arquitetura e o design dos espaços educacionais ainda se mantêm à sombra da preocupação com os baixos índices relativos à infraestrutura educacional adequada ao ensino de qualidade.

Entre as pré-escolas públicas e municipais do país,


28%
possuem parquinho


25%
possuem área verde


40%
possuem pátio coberto


31%
possuem banheiro adequado

Fonte: Censo Escolar 2017 / Todos pela Educação

Mesmo fora do país, a despeito das transformações sociais e culturais observadas ao longo das últimas décadas, as escolas permanecem seguindo projetos arquitetônicos semelhantes, o que acaba produzindo uma experiência escolar inflexível, projetada de acordo com parâmetros relativamente inalterados. 

Nesse sentido, de acordo com a designer e escritora Ingrid Fetell Lee, que estuda a alegria e a influência oculta dos ambientes sobre as emoções e o bem-estar das pessoas, as escolas que estamos construindo para as crianças e os jovens podem limitar a sua alegria. Para a escritora, esse sentimento pode ser gerado através de algo tão tangível quanto os princípios de design – como cor, forma e perspectivas. Por isso, segundo ela, se os ambientes e objetos físicos podem afetar os níveis de alegria, certamente os ambientes de aprendizado deveriam ser projetados com isso em mente.

Assim, diferentes projetos em todo o mundo estão propondo formas de abordar o tempo e o espaço escolar para transformar as experiências de aprendizado dos alunos das novas gerações.


Pesquisa realizada com 322 jovens, menores de dezoito anos, de 19 países em todo o mundo apontou que
61%
dos estudantes se sentem sem inspiração e desmotivados devido ao ambiente escolar.
Fonte: Global Youth Survey, 2018

Condições estruturais adequadas nas escolas melhoram em até
16%
o rendimento dos alunos.
Fonte: Universidade de Salford, em Manchester

Iluminação natural e a ventilação cruzada permanente aumentam em
30%
o índice de aprendizagem dos alunos.
Fonte: California Energy Commission
Projeto premiado

Por aqui, entre os exemplos inovadores na arquitetura e no design que apontam para ideias criativas de reinvenção dos espaços escolares, o projeto arquitetônico “Aldeia das Crianças”, assinado por Marcelo Rosenbaum e pelo grupo Aleph Zero, venceu o Prêmio Internacional Riba 2018, competição realizada bienalmente no Reino Unido.

Nas diretrizes do projeto – uma escola rural na fazenda Canuanã, no Tocantins, a 327 km de Palmas –, uma das preocupações foi propor um resgate cultural que destacasse técnicas de construção local, a cultura indígena e o senso de pertencimento entre as crianças da escola. Uma ideia de empoderamento das novas gerações a partir da valorização da conexão com o presente e o passado.

“Se queremos que nossos jovens sejam bem-sucedidos e aprendam da melhor maneira possível, certamente os ambientes em que os estamos colocando precisam ser questionados e reinventados.”

Ingrid Fetell Lee

Através de projetos cuidadosos, empoderadores e conscientes, é possível criar ambientes que incentivem a aprendizagem e inspirem alegria. Assim, a criação desses espaços e ambientes vibrantes hoje tornará as salas de aula mais duradouras, adaptáveis e abertas ao aprendizado do futuro.

Arte e Ilustrações Jordana Leite / Imagem iStock by GettyImages / Texto Renato Barreto

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