Papel, tinta e muita imaginação. Potencializar os talentos das crianças como criadoras de histórias autorais tem sido um caminho para pais e educadores incentivarem o protagonismo criativo infantil. Na contramão da crescente imersão digital, as feiras de arte impressa e publicações independentes têm representado espaços de valorização e acolhida da criatividade e da presença das crianças como público e artistas. 

Nesse circuito, o caminho da autopublicação é uma alternativa para os pais estimularem a inventividade dos filhos e compartilharem referências e experiências. Ao custear a produção manual e se inserir nas feiras e entre os colecionadores, torna-se possível levar a criação dos pequenos a um novo patamar e novos públicos.

A Feira YoYo 2018, realizada em São Paulo, foi o primeiro evento de arte impressa e publicações independentes totalmente dedicado ao público infantil.

Deslocando as crianças do papel de meros espectadores, nesses eventos surge a possibilidade de expô-las a uma gama de referências visuais e textuais para que elas criem seu próprio repertório. O formato experimental dos zines, nesse contexto, é uma das opções editoriais e artísticas mais propícias para engajar crianças e adultos nos cinco valores da colaboração entre pais e filhos:

Simetria: agir de igual pra igual
Interação: fazer junto
Negociação: abraçar o diferente
Motivação: buscar o que nos move
Interdependência: entender que todos são importantes

O termo zine vem de fanzine, aglutinação de fan magazine – literalmente “revista de fãs”. Um zine é um trabalho autopublicado em circulação restrita de textos e imagens originais ou não. Zines costumam ser produzidos por uma única pessoa, ou um grupo muito pequeno, e ser fotocopiados em impressões físicas para facilitar a circulação.

Caseiro e experimental, o formato permite múltiplas possibilidades de criação individual ou coletiva. Com a ajuda de um adulto, a criança pode desenhar, escrever, montar e imprimir sua própria obra. É a colaboração como condutora da criatividade.

A mesma ideia de protagonismo por meio da leitura, da escrita e da autopublicação também tem sido implementada para fins educacionais. Iniciativas como o Projeto Estante Mágica, voltado à publicação de livros de forma gratuita para alunos de educação infantil e ensino fundamental 1, oferece às escolas um projeto gratuito que torna cada criança autora do próprio livro.

Eleonora, ou Nôra, de 12 anos, é a criadora do zine independente EGG. Nascida em São Paulo, no bairro da Lapa, desde pequena, ainda distante do contato com dispositivos eletrônicos, seus pais a incentivavam a soltar a imaginação dando-lhe cadernos e canetas para desenhar. Independentemente da situação – um passeio ou um jantar – ela começava a desenhar e a ocupar o tempo com suas próprias criações.

Com o aumento das feiras de publicações independentes e o retorno do interesse em privilegiar as criações em papel, começaram a surgir possibilidades de frequentar esses espaços e fazer contatos com expositores, curadores e novos amigos. Embora esporádica, a participação da Eleonora em projetos, feiras e bazares acabou virando, segundo seus pais, uma oportunidade para dar visibilidade aos seus zines, camisetas e gravuras, além de uma chance para conhecer a produção de outras crianças e também de adultos.

Fã de monstros, de desenhar e costurar, Nôra chegou a fazer experimentações com outras linguagens, costurando personagens que criara no papel e vice-versa. Já o seu zine, o EGG, atualmente na terceira edição, conta com desenhos feitos por ela própria. A impressão fica a cargo da mãe e a dobra, do pai, mas ela também ajuda na montagem. Sempre um trabalho colaborativo.

A criadora do EGG Zine conversou com a GENTE e contou um pouco mais sobre como tudo começou.

GENTE: Como surgiu a ideia de criar o seu próprio zine?

Eleonora: Os meus pais já faziam zines antes de eu nascer. Então eles viram os meus desenhos e tiveram a ideia de fazer comigo o meu primeiro zine quando eu tinha 9 anos de idade.

Qual a origem do nome EGG?

São as iniciais do meu nome: Eleonora Gregori Garcia.

Como costumam nascer as suas histórias?

Eu não sei direito, os meus desenhos saíam naturalmente. Eu não precisava pensar demais pra fazer. Hoje em dia quando eu separo um tempo pra desenhar eu penso mais. Mas na hora de fazer um desenho, pelo simples motivo de que eu não tenho nada para fazer, eu penso menos no que eu vou desenhar. E nem sempre tem um texto, quando tem, surge junto com o desenho.

Quais as suas inspirações e referências para criar o EGG?

Nada em especial, mas eu sempre frequentei ambientes de arte com os meus pais. E eu também gosto de ver desenhos e referências na internet.

O que você acha de participar de eventos e de mostrar os seus zines para as pessoas?

Eu gosto bastante de vender minhas coisas até porque eu acabo sempre conhecendo pessoas novas e vendo todo tipo de personalidade. É muito legal!

Papel, tinta e muita imaginação. Potencializar os talentos das crianças como criadoras de histórias autorais tem sido um caminho para pais e educadores incentivarem o protagonismo criativo infantil. Na contramão da crescente imersão digital, as feiras de arte impressa e publicações independentes têm representado espaços de valorização e acolhida da criatividade e da presença das crianças como público e artistas. 

Nesse circuito, o caminho da autopublicação é uma alternativa para os pais estimularem a inventividade dos filhos e compartilharem referências e experiências. Ao custear a produção manual e se inserir nas feiras e entre os colecionadores, torna-se possível levar a criação dos pequenos a um novo patamar e novos públicos.

A Feira YoYo 2018, realizada em São Paulo, foi o primeiro evento de arte impressa e publicações independentes totalmente dedicado ao público infantil.

Deslocando as crianças do papel de meros espectadores, nesses eventos surge a possibilidade de expô-las a uma gama de referências visuais e textuais para que elas criem seu próprio repertório. O formato experimental dos zines, nesse contexto, é uma das opções editoriais e artísticas mais propícias para engajar crianças e adultos nos cinco valores da colaboração entre pais e filhos:

Simetria: agir de igual pra igual
Interação: fazer junto
Negociação: abraçar o diferente
Motivação: buscar o que nos move
Interdependência: entender que todos são importantes

O termo zine vem de fanzine, aglutinação de fan magazine – literalmente “revista de fãs”. Um zine é um trabalho autopublicado em circulação restrita de textos e imagens originais ou não. Zines costumam ser produzidos por uma única pessoa, ou um grupo muito pequeno, e ser fotocopiados em impressões físicas para facilitar a circulação.

Caseiro e experimental, o formato permite múltiplas possibilidades de criação individual ou coletiva. Com a ajuda de um adulto, a criança pode desenhar, escrever, montar e imprimir sua própria obra. É a colaboração como condutora da criatividade.

A mesma ideia de protagonismo por meio da leitura, da escrita e da autopublicação também tem sido implementada para fins educacionais. Iniciativas como o Projeto Estante Mágica, voltado à publicação de livros de forma gratuita para alunos de educação infantil e ensino fundamental 1, oferece às escolas um projeto gratuito que torna cada criança autora do próprio livro.

Eleonora, ou Nôra, de 12 anos, é a criadora do zine independente EGG. Nascida em São Paulo, no bairro da Lapa, desde pequena, ainda distante do contato com dispositivos eletrônicos, seus pais a incentivavam a soltar a imaginação dando-lhe cadernos e canetas para desenhar. Independentemente da situação – um passeio ou um jantar – ela começava a desenhar e a ocupar o tempo com suas próprias criações.

Com o aumento das feiras de publicações independentes e o retorno do interesse em privilegiar as criações em papel, começaram a surgir possibilidades de frequentar esses espaços e fazer contatos com expositores, curadores e novos amigos. Embora esporádica, a participação da Eleonora em projetos, feiras e bazares acabou virando, segundo seus pais, uma oportunidade para dar visibilidade aos seus zines, camisetas e gravuras, além de uma chance para conhecer a produção de outras crianças e também de adultos.

Fã de monstros, de desenhar e costurar, Nôra chegou a fazer experimentações com outras linguagens, costurando personagens que criara no papel e vice-versa. Já o seu zine, o EGG, atualmente na terceira edição, conta com desenhos feitos por ela própria. A impressão fica a cargo da mãe e a dobra, do pai, mas ela também ajuda na montagem. Sempre um trabalho colaborativo.

A criadora do EGG Zine conversou com a GENTE e contou um pouco mais sobre como tudo começou.

GENTE: Como surgiu a ideia de criar o seu próprio zine?

Eleonora: Os meus pais já faziam zines antes de eu nascer. Então eles viram os meus desenhos e tiveram a ideia de fazer comigo o meu primeiro zine quando eu tinha 9 anos de idade.

Qual a origem do nome EGG?

São as iniciais do meu nome: Eleonora Gregori Garcia.

Como costumam nascer as suas histórias?

Eu não sei direito, os meus desenhos saíam naturalmente. Eu não precisava pensar demais pra fazer. Hoje em dia quando eu separo um tempo pra desenhar eu penso mais. Mas na hora de fazer um desenho, pelo simples motivo de que eu não tenho nada para fazer, eu penso menos no que eu vou desenhar. E nem sempre tem um texto, quando tem, surge junto com o desenho.

Quais as suas inspirações e referências para criar o EGG?

Nada em especial, mas eu sempre frequentei ambientes de arte com os meus pais. E eu também gosto de ver desenhos e referências na internet.

O que você acha de participar de eventos e de mostrar os seus zines para as pessoas?

Eu gosto bastante de vender minhas coisas até porque eu acabo sempre conhecendo pessoas novas e vendo todo tipo de personalidade. É muito legal!

Arte: Gabriela Costa /  Imagens: iStock by Getty Images e Divulgação EGG /  Texto: Renato Barreto

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